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Categoria - Paisagens e lugares Memória Olfativa... Acredita nisso? Autor(a): Marcos Aurélio Loureiro - Conheça esse autor
História publicada em 15/05/2014
Aqui já disse, de outras vezes, sobre o amor que sinto por um pedacinho do céu na Terra chamado de Parada Inglesa. Muita gente pode até achar que exagero, tudo bem, mas para mim a Parada é sim um pedacinho de céu, tanto é que vivo tentando voltar para lá e volta e meia vou até lá ver uma casa para comprar. Até agora ainda não achei a ideal, seja pelo tamanho ou pelo valor. Mas logo, logo acho.
 
Muito bem, quando eu era ainda um jovenzinho de 18 para 19 anos, e já lá se vai muito tempo, eu namorava uma moça que morava nos altos da Rua Paulo Avelar, enquanto que eu morava na Rua Cap. Sérvio Caldas. Quando eu saia da casa dela, ia para minha casa a pé, até porque naquele tempo quase ninguém tinha carro. 
 
Eu descia a Paulo Avelar e entrava na Av. Ataliba Leonel à direita, subindo em direção a minha casa. Logo que entrava na Ataliba, antes de chegar na esquina da Rua Adelina de Bortolli, tinha uma casa, em cujo jardim havia um pé de Dama da Noite. Um tipo de flor extremamente cheiroso e que nasce quase o ano todo. 
 
Todo dia à noite quando eu passava ali sentia o suave odor da Dama da Noite, e ia todo feliz para casa ainda sentindo aquele perfume.
 
Muito bem, um dia desses, em uma destas minhas buscas por um imóvel lá, passei, a pé, defronte à casa onde havia o pé de Dama da Noite. A casa ainda está lá, mas o pé da flor é evidente que não, mas acreditem se quiser, eu senti o cheiro da Dama da Noite. Achei que estava ficando louco, nem falei nada ao corretor que estava comigo, mas fiz questão de retornar pelo mesmo caminho só para passar novamente defronte à casa. E não é que tive a perfeita sensação de estar novamente sentindo o cheiro da bendita flor?
 
Não sei se estava sugestionado, se foi imaginação, se foi pelo profundo amor que tenho por este bairro e pelas doces lembranças que ele me traz, ou se foi qualquer outra coisa. Mas que senti, senti. Acho que aquele odor divino ficou guardado durante anos e anos no meu coração e exalou na minha lembrança no exato momento em que passei frente a sua fonte.
 
É como diz o ditado: "Não acredito em bruxas, mas que existem, existem."
 
E-mail: marcoslour_ti@yahoo.com.br
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Publicado em 22/05/2014

Marcos, com certeza existe algum pé de dama da noite nas redondezas da casa ou mesmo em seu quintal, pois é um perfume forte e característico.

Belas recordações.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 20/05/2014

Marcolino, não só acredito que exista, como sou prova evidente dessa memória. Aliás acabei de escrever um texto sobre ela que deverá ser editado em breve neste nosso site. Abração amigo!

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 15/05/2014

Marcos, a nossa mente é capaz de coisas que nós não temos ainda a capacidade de desvendar, boas lembranças as vezes nos fazem lindas surpresas, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 15/05/2014

Ainda temos no nosso caminho uma Dama da Noite que exala um perfume que dá ao local um certo ar de fragrância que é admirada por todos que pela rua circulam. Ainda está lá, mas essa sua colocação dá-nos a impressão que o "progresso" um dia irá destruir "nossa dama" também.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 15/05/2014

Loureiro, eu pensei em brincar com essa sua historia e dizer que talvez o pé da Dama da Noite morreu, e agora como um fantasma vinha exalar seu perfume nesse local citado em sua historia. Mas eu achei a mesma tão gostosa, singela, simples e romântica, que resolvi colocar as duas coisas juntas, Abraços.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 15/05/2014

Marcos, voce tem razão, pois ame sempre a terra que nasceste, e quanto ao cheiro tenho essa experiencia também, parece que fica impregnado em nossa mente, tanto o bom, como o ruim, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 15/05/2014

O que ocorreu é o seguinte, Aurelio, a sua natureza te proporcionou um precioso e raro presente, por sua sinceridade e amor ao local. Como a sua vontade de rever a mesma casa é tanta, sem a arvore, evidentemente que não terias o perfume da flor mas, esse desejo incontolável sobrepôs as delicadas reações naturais, sujeitas, sempre, a involuntariedade do organismo. No momento em que vc passou por lá, independente de sua vontade, o perfume se fez presente, só pra vc. Parabéns, Loureiro.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 15/05/2014

Marcão - Isso ai é poesia - Vocês poetas tiram do nada o cheiro da flor. É como o poeta Luiz Vieira que canta - Ele diz na letra que "Saudade" tem gosto de jiló verdinho

Saudade

Bichinha danada

Que em mim fez morada

E não quer se mudar,

Tem gosto de jiló verdinho

Plantado na lua nova do penar

Abraços Loureiro ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 15/05/2014

Que lindas lembranças.

Nem o tempo conseguiu levar o perfume Dama da Noite.

ABRAÇO

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 15/05/2014

Marquinhos, acredito nisso sim. Os sentimentos viajam pela nossa alma, passeiam, pregam peças, nos brindam com as boas recordações. Lindo relato, com sensibilidade e leveza. Um abraço, meu maninho querido.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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