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Categoria - Personagens Minha querida mamãe Autor(a): João Felix - Conheça esse autor
História publicada em 14/05/2014
Quantas saudades da minha mãe. 
 
O tempo passou tão depressa. Éramos uma família bem humilde, morávamos em um cortiço do Brás, a rua era a Caetano Pinto, donde nasci. Minha mãe era uma mulher de uma fibra fantástica. Meu pai, a princípio, era caminhoneiro e saia de viagem estrada afora e às vezes passava mais de 20 dias sem termos notícia dele. Ela, para aliviar esses momentos difíceis, ajudava no nosso sustento e costurava para uma fábrica de roupas que ficava na Rua Jorge Azem, ao lado da Rua 25 de Março; minhas duas irmãs mais velhas ajudavam na costura. Lembro que íamos caminhando ate lá e trazíamos o material nos braços até em casa. Eram calças, paletós e casacos e elas faziam o serviço de acabamento como as barras, os caseados e fixar os botões.
 
Como era uma caminhada longa, resolvi construir um carrinho de rolimã. Aí a coisa ficou mais fácil e eu carregava tudo nele. O tempo foi passando, meu pai adoeceu e teve que deixar a estrada. Foi quando ele comprou um táxi com a ajuda de seu irmão mais velho e passou a ser taxista em São Paulo, com isso as coisas melhoraram e ela já não precisava trazer tanto serviço para casa. Meu pai sempre reservava os domingos para nós. Quase todos os fins de semana era uma viagem diferente, ainda vou contar algumas histórias desses passeios. 
 
Nessas alturas minhas irmãs já trabalhavam na São Paulo Alpargatas, na Rua Almeida Lima, e ela fazia as marmitas para eu levar para as manas. Quando chegava o dia das mães eu sempre procurava dar-lhe um presente que facilitasse seus afazeres, lembro que como ela cozinhava em fogão a carvão eu comprei com minhas economias uma espiriteira Primus, muito conhecida nesses tempos, que era à pressão e usava querosene como combustível. E senti a sua alegria com o abraço e o beijo que ela me deu. Em uma outra ocasião, também em um dia das mães, foi um liquidificador Walita que era novidade para nós, os pobres.
 
O tempo passou e em 1960 meu pai faleceu e foi depois disso que resolvi imigrar para os Estados Unidos. E desde que cheguei aqui enviava a ela todos os meses uma mesada que vinha a ser como um pouco mais de um salário mínimo.
 
Eu sempre dizia a ela depois que vim para os Estados Unidos que sempre que ela sentisse saudades dos netos que viesse me visitar e assim ela fez por quatro vezes e isso me deixou muito feliz, pois pude fazer que ela conhecesse e convivesse com os três bisnetos e os netos que ela viu nascer. Quando ela ia completar 90 anos em setembro de 1995, nos estávamos programando uma festa para ela e 20 dias antes ela teve um problema na vesícula e uma das pedras obstruiu um canal do pâncreas e ela teve uma pancreatite. E com isso ela veio a falecer. 
 
Quando soube do seu falecimento fui para o aeroporto e consegui um voo noturno e foi a viagem mais longa que fiz na vida, foram 8 horas chorando. Retardaram o sepultamento por duas horas para que eu pudesse me despedir dela com uma dor enorme. Que Deus tenha sempre sua alma com muita paz e muita luz.
 

 

E-mail: jfvilanova@gmail.com
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Publicado em 15/05/2014

Felix, nada supera a dor da perda de sua querida mãe, mas com certeza ela foi acolhida no reino de Deus e lá do além pode ter certeza que ela está olhando por você, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 15/05/2014

Caríssimo fratelo, João, que bela história que acabei de ler, apesar de conhecer algumas partes que vc contou. Sua corajosa e batalhadora mãe é um exemplo vivo, ainda (os bons exemplos nunca morrem)a mostrar pras mães modernas o que é ser MÃE DE VERDADE. Trabalho, sacrifício, dor, alegria sempre acompanhando a família Felix, amparada, para sempre pelo carinho e amor da sra. Felix. Parabéns, João, que sua saúde tenha o lenitivo do amor de sua mãe, esse nunca morre e nunca termina.

Abs. Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 15/05/2014

Olá sr Félix.

Fico emocionada em ler histórias iguais á sua.

Minha filha mora na Califórnia faz 3 anos, eu sei como é dura a saudade.

Mas não me imagino morando fora do meu pais por nada deste mundo.

É mais fácil ela voltar do que eu ir pra lá.

Abraço

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 15/05/2014

Meu querido João, esse sentimento é muito doloroso e inesquecível. Mas você teve uma história de vida muito linda e toda a família está de parabéns. Mesmo tendo passado um longo tempo , receba um grande abraço,um abraço amigo e sincero desta que te admira tanto.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 14/05/2014

Puxa João, você viveu o drama de todos as pessoas que imigra para outro pais, a saudade dos familiares. Em 1997, fiquei por 33 dias trabalhando com a pastoral brasileira da CNBB, junto aos imigrantes brasileiros em Boston MA, que naquela época possuía perto 200 mil brasileiros na região, e pode constatar o drama vivido por muitos brasileiros, exatamente por ter irmãos, pais, mãe e outros familiares doentes aqui no Brasil, e os mesmo por estarem lá ilegalmente não tinham condições de viajar para o Brasil para visita-los, e choravam suas magoas nas reuniões de grupo que fazíamos nas comunidades Cristãs de lá. Só no período que fiquei por que foram pouco mais de um més aconteceram três suicídios de sofridos patrícios nossos. Mas tenho certeza que sua mãezinha esta muito feliz vendo essa sua caminhada nesse belo pais norte americano. Saúde e sucesso, seu texto me tocou profundamente pois minha mãezinha, também já não esta ha muitos anos nesse nosso mundo. Abraço carinhoso.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 14/05/2014

João, bela história, belo exemplo de família, de ajuda mútua, que Deus os conserve assim, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 14/05/2014

Nossa joão,me deu um nó na garganta,e eu parei um pouco de ler para respirar e conter o choro...Lembrei minha infância,minha mãe costurando e nós filhos ajudando como podíamos...eu também fazia os acabamentos nas roupas.Lembro do primeiro liquidificador que era o grande sonho dela(já que nem sonhar mais alto que isso se podia)aquele olhar de felicidade da minha mãe eu nunca mais esqueci...Depois fomos crescendo e a vida com todos os filhos trabalhando foi ficando melhor.Voce ainda estava melhorzinho que eu pois tinha um pai,coisa que eu nunca tive...Mas João, Deus deixou ela com voce por 90 anos e voce deu a ela a oportunidade de viajar,ver os netos e bisnetos e partilhar da sua felicidade.Acho humildimente que ela descansou e foi embora muito feliz com a missão cumprida.Mãe não é para sempre aqui na terra,é para sempre apenas dentro dos nossos corações...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 14/05/2014

As famílias se ajudavam mutuamente, o pai na labuta diária e a mãe na lida constante de seus afazeres domésticos além de educar os filhos, pois na escola se aprendia cultura, o modelo educacional partia do lar de cada um. Mãe é um anjo que Deus resolveu embelezar por dentro e por fora e chamar de mulher.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 14/05/2014

e muito triste perder os pais,

eu também chorei muito com as mortes deles

E HORRIVEL.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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