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Categoria - Personagens Um hino ao único amor verdadeiro Autor(a): Vera Moratta - Conheça esse autor
História publicada em 09/05/2014
Somente o tempo dá a resposta. Apenas ele, soberano e único, aponta caminhos, desfaz enganos, amadurece o olhar. O tempo dá espaço à compaixão, ao entendimento do outro, a compreensão da estrada da vida e dos seus infortúnios.
 
E, de vagar, a gente começa a aprender. Aprender que amor verdadeiro é dar a vida por completo ao outro. Todos os dias. Todas as noites. Em todas as estações. Dormir quando der, trabalhar à exaustão para que nada falte. Trabalhar para que o filho tenha a melhor comida, o melhor colégio, ter uma casa mais arrumada, o carro melhor para que os amigos do filho não zombem da situação. Longe de ser amor o simples estar bem, o conforto das ilusões, a facilidade das boas risadas juntos, o falar alto nas festas, a preparação de um churrasco. Isso é ótimo, lúdico, divertido, faz parte da construção da vida, deixa boas memórias... Mas não é amor.
 
Amor é dar espaço dentro do próprio corpo para que a outra pessoa se faça, se avolume, crie formas, fisionomia, sentidos e sentimentos. E quando sai de dentro do ventre deixa marcas, gorduras a mais, estrias, o corpo perde um bocado da sua beleza original.
 
E há de se ter tempo para o afago, para as mamadas demoradas, as trocas das fraldas, tantas fraldas! E há de se ter paciência com o choro fora de hora, o regurgitar aquele gole a mais de leite, a dor de ouvido que produz choro forte. E há de ser tudo. Entender de medicina, de psicologia, culinária, educação, higiene... Todas as coisas têm que ser do conhecimento pontual de uma mãe, que só é menor que Deus.
 
E esse filho ou filha vai ganhando vida, alegria, saúde, conhecimento... Vai ganhando espaço no coração e no planeta. Muitas são as mães que vivem para os seus rebentos. Em todos os seus projetos de vida os filhos se encaixam. Em todos os sonhos, esforços, estudos, conquistas, desejos... Lá eles marcam presença.
 
Tive o privilégio de ter três mães: a minha, original, que lutou com todas as forças para que eu enxergasse. Do ponto de vista físico, conseguimos, mas o enxergar profundamente a alma humana, ter o entendimento das coisas da vida, ainda tento, ainda me rastejo. Dela herdei o valor ao conhecimento e ao trabalho, o respeito aos mais velhos e, recentemente, as lições de pintura em tela. Essa é uma das expressões mágicas da vida!
 
A tia Norma foi a segunda mãe, que me ensinou estar no mundo por inteiro, valorizando cada momento da existência.
 
A terceira foi a minha sogra. Ela me deu lições de realidade sem susto e nenhum medo. Com situações engraçadas e com muita valorização da família.
 
Mas o amor de mãe é tão absolutamente profundo e verdadeiro que também pode matar. Conheci de perto algumas mães que morreram por amor.
 
A tia Norma morreu por amor. A pessoa mais especial, interessante, presente, inteligente, inteira que conheci morreu por amor. De tanto chorar e sofrer pelo filho mais velho que a abandonou e não atendeu mais as suas ligações telefônicas. E ela insistia, insistia em lhe falar, esclarecer um mal entendido tão banal que poderia até ter passado despercebido... Mas ele jamais voltou a falar com ela. Em um Dia das Mães, coincidindo com o aniversário dela, a tia Norma me disse que passaria o dia todo ao lado do telefone “esperando a ligação do meu filho”. Eu pedi a ela que não fizesse isso. Ela fez. O filho não telefonou. Meses depois, silenciosamente, ela partiu. Na pior dor de todas as angústias e de solidão absoluta.
 
A minha sogra também morreu por amor. Não suportou o câncer do filho mais velho. Nunca mais sorriu. Teve um AVC e partiu.
 
A minha tia Tereza igualmente morreu por amor, não suportando a doença degenerativa do filho caçula.
 
Mãe vive e morre por amor. E não reclama. Parece até que algumas partem para, do outro lado da existência, acolher o filho quando a hora chega. Ficam de prontidão lá, do outro lado, para que nada lhe falte, para que não tenha medo ou inquietação. Acolher na espiritualidade, abraçar, beijar muito, cheirar... Sim, porque mãe cheira o filho e sabe que aquele açúcar que envolve a alma da cria é celestial, refinado e com o maior grau de pureza.
 
O brilho no olhar é tão intenso que ofusca qualquer outro sentimento, mas a opacidade da dor faz calar qualquer comentário, pois mesmo no silêncio mãe ensina o respeito à dor alheia.
 
Se alguém desejar se sentir uma partícula infinitesimal de Deus, não há outra opção a não ser ter um filho e nada mais.
 
Um feliz dia das mães para todas nós.
 
E-mail: vmoratta@terra.com.br
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Publicado em 12/05/2014

Quando eu estudava no período noturno, minha mãe ficava da janela olhando o ponto. Quando eu descia do ônibus ela ia dormir. Lendo esse relato sobre o filho da tia Norma, fico com pena desse ser.

Enviado por Almir . - almir1960@hotmail.com
Publicado em 11/05/2014

Apropriando-me de seu espaço, Moratta querida e como nossos comentários vão ser publicados só na segunda-feira dia 12 ou 13, apos o Dia das Mães, quero deixar uma mensagem dirigida a vc e a todas as mães de nosso grupo de colaboradores e as da equipe do SPMC.

Vcs, mães, representam na terra, o verdadeiro e único símbolo de tudo quanto se estudou, examinou, pesquisou, apreciou para descobrir o segredo de todas as qualidades que vcs possuem em confronto com outra parte, menos importantes que somos nós, os homens. A mulher reune em torno de si, todas as qualidades possíveis e imagináveis que os homens (não todos, é claro)possuem. Uma grande parcela, supera. Sexo fragil ou fraco, isso é balela, invenção machistas, de tempos remotíssimos. A mulher é tratada, até hoje pelos robustos, barbudos e gulosos árabes, reis do petróleo, como se fosse um ser inferior. Eles, inteligentes como poucos, sabem muito bem, desde que aprenderam a andar pra frente, que se existem SÊRES SUPERIORES, mais inteligentes, vivíssimas, espertas, adoráveis e encantadoras, (esse é o medo deles), estes sêres são, sem a menor dúvida AS MULHERES. Dai, o temor de todos eles. Aniquilar com o mais forte, por meio da força bruta. O melhor exemplo que elas dão é a MATERNIDADE. Não existe AMOR maior do que a mãe tem por seus filhos, não sentindo desconforto algum, nunca, diante de sacrifícios pelos seus pimpolhos. Éssa é razão que, até hoje os árabes e os machistas do mundo inteiro, temem das mulheres. O PODEROSO E INIGUALÁVEL AMOR QUE ELAS POSSUEM. NÃO EXISTE NADA IGUAL EM QUALQUER COMPÊNDIO SOBRE EMOÇÕES QUE SUPERE ESSE SENTIMENTO. VIVA TODAS AS MÃES DO MUNDO INTEIRO E AS QUE AINDA NÃO SÃO, TAMBÉM. VERINHA QUERIDA, PARABÉNS.

modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/05/2014

Sempre fui uma pessoa muito sensivel . E ao ler o titulo desta sua cronica ja me preparei do que estava por vir , e como hoje em dia os lencos ja nao sao de pano fui ao banheiro em busca de lencos de papel . E as lagrimas foram abundantes pois da maneira que voce usa a tua sensibilidade ao descrever os fatos voce toca la no fundo do nossos coracoes , e ai nao tem outra, pois somos humanos .Vera como pode um filho que saiu das entranhas de uma mae ser tao cruel ??? . Mas quem sou eu ,para julgar . Mas com certeza ja diz aquele velho ditado " aqui se faz ...aqui se paga ". Que pena que fiquei da sua Tia Norma , que Deus lhe de muita luz .Mas acredito que la de cima ela ja o tenha perdoado pois assim sao as Maes . Vera querida mais uma vez , como sempre nos encantou com essa exuberante cronica .Parabens e espero que tenhas um maravilhoso e feliz dia das maes. Abracos afetuosos. Joao Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 10/05/2014

È isso Vera, acho que quando uma mulher gera um filho ele se torna ou se sente um pouco como um deus criador. Não existe nada que se faça nesse nosso mundo, mais lindo que o fato de ser mãe. Lindo o seu texto Parabéns.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 10/05/2014

Citando todas as mães que passaram por vc, Vera, chego a conclusão de que elas foram, cada uma em seus critérios de ensinamentos, verdadeiras peças na formação de amor, carater, inteligência, respeito, integridade moral, profundo conhecimento da alma humana, cuja exemplo e este mesmo texto que estamos degustando literalmente.

Maravilhosa homenagem as mamães de todo mundo, Verinha querida e vc, merece meu especial cumprimento. Parabéns, Moratta.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/05/2014

Vera, imagino a dor de sua tia Norma, um dia esse filho ingrato há de ser acusado pela sua consciência, Deus com certeza acolherá em seu reino tôdas elas que morreram por amor aos seus filhos, parabéns pelo seu lindo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 09/05/2014

Que lindo Vera!

Parabéns.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 09/05/2014

Lindo texto Vera, aliás é teu padrão de escritas. Valeram as lembranças e as homenagens.Aproveito a oportunidade para lhe desejar um domingo das mães pleno de felicidades e alegrais.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
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