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Categoria - Personagens O capetinha matou meu tio Autor(a): Almir . - Conheça esse autor
História publicada em 29/04/2014
Minha família é de descendentes italianos, tanto do lado materno como paterno. Como a maioria dos antigos italianos, são palmeirenses. Alguns fanáticos. Uma irmã de minha avó materna tinha até seu penico pintado de verde. Em dias de jogos do Palmeiras, ficava com o radinho de pilha grudado no ouvido, torcendo em silêncio.
 
No Cangaíba morava um irmão de minha avó paterna, seu nome era Luiz, conhecido como Didi, feirante, vendedor de pimentas e outros condimentos. A feira ficava na própria rua onde morava, Rua Miguel Garcia, e a barraca montada em frente à sua casa.
 
Nos dias em que não estava na feira, pegava sua mercadoria e vendia de porta em porta pelo bairro. Ele e seu irmão, o Neco, eram tão conhecidos que tinham uma travessa no bairro batizada em homenagem a cidade em que moravam quando chegaram da Itália, Birigui. Travessa Particular Birigui, que era a rua onde morava o Neco. Não sei por qual motivo a pequena travessa mudou de nome tempos depois.
 
Neco era aposentado e seu principal passatempo era recolher jogos da loteria esportiva entre os vizinhos e levar até a casa lotérica. Não ganhava nada com isso, mas passava religiosamente todas as semanas para recolher os volantes, inclusive na minha casa. Os mais antigos devem se lembrar de que naqueles tempos, anos 70/ 80, os volantes eram perfurados manualmente e o resultado conferido nos domingos no Fantástico no quadro da zebrinha.
 
Voltando ao Didi, palmeirense mais fanático até que aquela tia que pintava o penico de verde. Se emocionava demais assistindo ou apenas ouvindo os jogos do Palestra. No início dos anos 90 não estava bem. Idade chegou e junto com ela os problemas no coração.
 
No Campeonato Paulista de 1992 o Palmeiras estava bem e enfrentaria o Guarani. O jogo nem era tão importante. Primeiro x Segundo colocados. Isso não importava para o meu tio. Qualquer jogo para ele era importante. O Palmeiras era um bom time e o Guarani tinha um jovem que era uma grande promessa: Edilson, o capetinha.
 
18 de novembro de 1992
Para alegria do Didi, Evair marcou primeiro. Palmeiras 1 x 0, mas o Guarani empatou e Edilson virou ainda no primeiro tempo. No segundo tempo, show de bola de Edilson. Fez mais um gol e deu passe para outro e ainda teve lances geniais. Final: Guarani 5 x 2 Palmeiras.
 
Seu coração verde não aguentou. Resultado, infarto. Não tiveram tempo de socorrê-lo. O velório foi na sede de um time do bairro, na mesma Rua Miguel Garcia.
 

 

E-mail: almir1960@hotmail.com
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Publicado em 04/05/2014

Almir,as emoções às vezes são fatais, o amor por um clube pode causar sim a morte de um torcedor mais fanático, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 02/05/2014

Meu pai era palmeirense e não zoava com o time de ninguém, mas também não admitia que zoassem com o seu time do coração. Numa certa ocasião, não lembro a data, o Palmeiras jogou e perdeu, creio que este jogo foi em um sábado. Meu primo, que na época estava morando aqui em São Paulo, na casa dos meus pais, trabalhava à noite. Quando chegou do serviço no domingo, meu pai estava assistindo televisão e esse meu primo, com a cara de gaiato que lhe era peculiar, sabendo que o Palmeiras havia perdido, olhou para o meu pai e falou: E aí, tio, o Palmeiras ganhou? Meu pai gritou: VOCÊ SABE QUE O PALMEIRAS PERDEU, CARAMBA! Gente, o grito foi tão sonoro que meu primo foi dormir e não levantou nem para almoçar. Bem feito! Mexe com quem tá quieto!

Enviado por Solange Ernesto da Silva Costa - sscosta@prefeitura.sp.gov.br
Publicado em 30/04/2014

palestrino roxo, mas depois o capetinha foi campeão pelo palestra,

pena que o seu titio não conseguiu ver.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 30/04/2014

Almir, confesso que o final foi mais trágico que eu pensava.Que pena mesmo que foi assim! Um abraço. (mas que eu gostei do penico pintado de verde, gostei).

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 30/04/2014

A história dos locais marcam e demarcam através dos nomes de ruas aquilo que é a identidade local, mas não sei o porquê os "nobres vereadores" insistem em apagar capítulos importantes da memória de São Paulo.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 30/04/2014

Êta verdão "roxo". Sentiu a derrota do Palmeiras como uma punhalada no coração. Gostei da sua narrativa, Almir, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 29/04/2014

Coitado, o Didi não viu o Capetinha jogar no Parmera dele.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 29/04/2014

Sim, quando a hora chega, não há escapatória, mas morreu fazendo aquilo que mais gostava torcer para o Verdão.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 29/04/2014

Com certeza chegou a hora dele, mas partiu feliz! Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
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