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Categoria - Outras histórias Porte de arma, segurança ou insegurança? Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 28/04/2014
Nos meus últimos anos de empregado trabalhei em vendas técnicas, de 1987 a 1994, quando institui meu próprio negócio, forçado e reflexo ainda pelo plano Collor e até hoje estou em atividade como profissional liberal.
 
Sempre trabalhei em produção, montagem e instalação e assistência técnica de equipamentos industriais, até que em 1986 um amigo de faculdade, Domingos Marmo, que nos deixou cedo, me chamou para trabalhar em vendas, relutei, pois achava que meu negócio era piso de fábrica e não vendas, mas a insistência era tanto que resolvi aceitar. Pedi demissão em 1987 e fui à luta no novo desafio, e por sinal me dei bem, me desenvolvi na área, não fiquei rico, mas é um trabalho de comunicação muito bom, se conhece tudo e todos; diferente de ficar preso em uma fábrica.
 
E, devido a isso, conheci a maioria dos bairros da cidade de São Paulo, assim como o interior, e viajei muito pelo Brasil, principalmente quando fui para o setor de desenvolver revendedores em diversos estados.
 
Em 1989, fui convidado por ele para fazermos um curso de tiro no Clube Hebraica, situado nos Jardins, com entrada pela Marginal Pinheiros, onde ele já frequentava. Não gostei da ideia, mas, mais uma vez, acabei aceitando e fomos a esse curso de um mês de duração, todos os sábados, período integral, patrocinado pela indústria de armas Rossi. Vale ressaltar que o objetivo disso era a nossa segurança, pois andávamos muitas vezes com alguns valores e a empresa onde trabalhávamos não sabia de nada e creio que nem apoiaria.
 
Usamos vários tipos de armas, principalmente os calibres 22 e 38, e atirávamos em um alvo com protetor auricular e a cada aula sobre um tipo de tiro e posição havia uma disputa para o melhor atirador aprendiz no final do dia.
 
E a cada sábado uma aula nova e diversos tipos de desafio, importante saber que também tínhamos muita teoria sobre uso e legislação, sobre como usar e onde usar a arma.
 
Nossa turma era de 15 pessoas, aproximadamente, e a maioria era viajante e se sentia insegura pelas estradas, como vendedores e trabalhadores externos técnicos.
 
Após um mês, recebemos nossos certificados e na semana seguinte fomos comprar as nossas armas no Mappin, da Praça Ramos, naquela época tinha muitas casas que vendiam armas com vitrines quase na calçada, como na São Bento e no final da Rua Florêncio de Abreu com Paula Souza, além de outras lojas.
 
O vendedor pediu os documentos normais e compramos a mesma arma: uma Taurus calibre 38 e os cartuchos e saímos armados da loja e pensando que estávamos seguros, doravante e não sei por que comprei um coldre de pernas, que nunca usei.
 
Agora era só carregar o “berro” e sair com segurança, mas na realidade nunca usei a arma, a não ser em um sítio, e guardei durante uns 20 anos, em local seguro, onde ninguém em casa pudesse encontrá-las, nem a esposa, nem os filhos e sempre descarregada.
 
Em 2006, começa uma campanha do desarmamento em São Paulo, para quem tivesse uma arma legalmente ou não que a entregasse a polícia com um valor a ser pago pela tal, um valor irrisório que não animava ninguém, relutei no início a aceitar essa ideia.
 
Parecia que além do meu anjo de guarda eu tinha um reserva para ele, que era a arma de fogo, se meu anjo falhasse, entraria o reserva, mas conversando com outro amigo de bairro que também tinha uma arma e que queria devolver, mesmo porque a ameaça do Estado (governo) começou a preocupar e a renovação do porte seria cara e mais difícil, devido aos pré-requisitos rigorosos.
 
Conversei com um sobrinho delegado que me orientou a devolver, passou umas instruções e em maio de 2007 fui até a delegacia do Morumbi com um amigo de bairro que também estava com vontade de fazer e a devolvi, recebemos o comprovante de entrega e não sei por que sai da delegacia aliviado, parecia que aquela arma pesava em mim.
 
Passado alguns anos, notei pela imprensa que a quantidade de pessoas com arma aumentou, óbvio que pessoas do mal e muitos do bem também ainda as possuíam e obtiveram mais. Não esqueço que quando devolvi as armas parecia ouvir, às vezes, o meu anjo mal falando no meu ouvido esquerdo: você fez besteira seu bobo, e no ouvido direito o meu anjo bom retrucava: não liga para ele, você está correto, fez bem em devolver, eu vou protegê-lo na vida e esse som era mais forte e melhor e hoje não tenho a menor vontade de ter mais, mas me assusta quando leio e vejo pela mídia a quantidade de armas na praça.
 
E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 04/05/2014

Esttan, você agiu muito bem, uma arma não é boa companheira, ela nos dá uma falsa sensação de que estamos protegidos e as vezes nos faz mais valentes, parabéns pelo texto e pela sábia atitude.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 02/05/2014

Estan, graças a Deus eu também devolvi a minha. E por isso hoje estou aqui escrevendo. Um dia quem sabe conto a história.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 30/04/2014

Estan, de fato parece que a cidade toda está armada. Na minha opinião, acho que o seu anjo bom está com a razão. Mesmo não reagindo, os bandidos estão atirando. É bom estarmos sempre prevenidos, olhar nos lados, não atender a porta sem ter certeza de ser akguém de casa, no carro, nunca reagir. MUNDO CÃO, ESTAN. Muito interessante sua narrativa Rybczynski. Parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 29/04/2014

Meu ex marido teve porte de arma e uma arma por muitos e muitos anos.Ele viajava muito e carregava a arma sempre no porta luvas do carro achando que seria sua defesa algum dia,depois começou a virar neurose todo o lugar que ele ia botava a arma na cintura,e eu odiava sempre esta atitude.Um belo dia eu o deixei no aeroporto e segui para o trabalho com o carro dele.Estacionei em uma rua próxima e quando voltei quebraram o vidro e levaram a arma do porta luvas, eu particularmente adorei,mas ele teve muito trabalho para resolver toda aquela burocracia de roubo de arma.Já se passaram 12 anos e graças a DEUS ele nunca mais teve uma arma,nem de brinquedo!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 28/04/2014

Estanis, esse assunto é tão complexo que me abstenho de comentar, Mas eu sempre acho que o anjo da guarda está junto. É só a gente chamar e confiar. Acredito nisso. Na minha família nunca ninguém teve armas e nunca fomos assaltados - acredite. Acho que a fé ajuda muito. Parabéns pela iniciativa em devolver o artefato mortífero e pelo relato . Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 28/04/2014

Há armas demais na praça...mas também nas ruas, em geral em muitos lugares. Deveria haver rigor no uso de quaisquer armas letais. Para que serve a arma para o cidadão (de bem) se o marginal está mais preparado para crimes? O treino destes homicidas é bem maior, pois estão familiarizados com armamentos constantemente. Se as armas entram pelas fronteiras que se concentrem nestes pontos o rigor da lei para os contrabandistas. Lei? Parece uma palavra sem sentido no Brasil, passam por cima dela pois é cega...surda e muda, a lei, ora a lei...a que serve? Falam em democracia e liberdade com fuzis às costas, implantando mais miséria, matando na raiz a esperança. A "arma é a alma" do negócio! São Paulo nossa cidade, virou a página do conto simples, das histórias singelas da infância, passou para o estágio do que mais parece real nos dias atuais, e...perdeu a inocência infantil e juvenil e se arma para viver a etapa da rudeza da vida e da luta de sobrevivência dos interesses onde a opressão impera pela ditadura armada no quotidiano.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 28/04/2014

Estan, sou contra armas, principalmente em casa. Prefiro acreditar que o anjo bom sempre vai nos proteger.Com certeza fica uma interrogação como é que e onde é a fonte de armas dos anjos maus. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 28/04/2014

Estan, Jamais usei armas em minha vida, Mas hoje em dia tenho vontade de usar. pois antigamente quando todo cidadão podia usar armas, parece que os ladrões tinham um pouco mais de receio de assaltar as pessoas, pois sabiam que elas poderiam estar armadas, depois daquela lei de desarmamento, onde passou a ser proibido pessoas de bem andarem armadas, sim por que o pessoal do mal ficaram livres para andarem armados. e agora eles assaltam na certeza de que a vitima não vai estar armada, pois armas foi proibida para gente do Bem. Você tem razão arma jamais trara segurança para ninguém, mas pelo menos ira deixar os bandidos com um pouco de receio ou pelo menos na duvida.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 28/04/2014

o problema e que o governo desarmou o povo,mas os bandidos estão cada vez mais armados.

assaltaram um posto de gasolina de um amigo, os assaltantes estavam de metralhadoras.

como e que pode?

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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