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Categoria - Outras histórias Semana Santa na Parada Inglesa... Naquele tempo Autor(a): Marcos Aurélio Loureiro - Conheça esse autor
História publicada em 22/04/2014
Sexta-feira Santa, dia 18 de abril de 2013. Não fosse pela tradicional bacalhoada eu sequer teria percebido. Mas fiquei pensando, lembrando de como já foi na época da minha adolescência e juventude lá na Parada Inglesa, nos idos da década de 60 e início da década de 70. O pároco da Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, o saudoso padre Júlio Martins Serra, já no início da quaresma, reunia-se com seus auxiliares e traçava o itinerário da procissão que celebraria a paixão de Cristo. O caminho que seria percorrido, as paradas das 15 estações da “Via Crucis”, quem explicaria ao povo o que representavam cada uma das 15 estações e o horário de início da procissão.
 
Nos domingos que antecediam a Sexta-feira Santa, uns dois ou três domingos anteriores, em todas as missas, os fiéis eram informados do trajeto, das paradas e do horário do início da procissão, de tal maneira que no dia certo todos já estavam sobejamente informados sobre tudo que envolvia esta demonstração de fé.
 
No dia da celebração, na hora exata que fora aprazada, as matracas que antecediam a procissão anunciavam o seu início, a imagem de Jesus carregando a cruz era a primeira a sair da igreja seguida por uma imensa multidão que formava a procissão. Era um mar de gente, rezando, entoando cânticos religiosos e portando velas. Esta multidão de gente era acompanhada por outra multidão que se postava ao longo das calçadas das ruas por onde passaria a procissão. Alguns destes espectadores juntavam-se à procissão, aumentado ainda mais seus participantes. Não era preciso avisar o Detran, a CET, ou a PM, ou o que quer que fosse, tudo era organizado só pela igreja, por seu pároco e auxiliares. 
 
As matracas anunciavam a chegada da multidão e os automóveis que estivessem circulando nas ruas por onde ela passaria paravam, desligavam os faróis e pacientemente esperavam a rua desocupar. Os bares e padarias do trajeto fechavam suas portas durante a passagem, em sinal de respeito a esta manifestação religiosa. As casas das ruas do trajeto, durante a passagem da multidão, apagavam suas luzes externas e deixavam que apenas o lume das velas iluminasse o cortejo. 
 
Tudo na mais perfeita ordem, da saída até o retorno à igreja. Era lindo, uma profunda demonstração coletiva de fé. De uma fé que hoje em dia anda muito em falta. E não digo nem da fé religiosa, mas da fé no próximo, na decência, na hombridade, no respeito ao próximo. Enfim, na fé de que vale a pena ter fé e seguir em frente. Que saudade do que acabei de contar daqueles tempos lá na Parada Inglesa, era muito bom, e olha que eu não sou religioso, nem mesmo posso dizer que seja cristão. Sou apenas um homem de fé.
 
E-mail: marcoslour_ti@yahoo.com.br
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Publicado em 24/04/2014

Maninho, você pode não ser religioso no sentido tradicional, mas sendo um homem de fé já é um bom caminho andado para lutar por um mundo melhor. Um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 23/04/2014

Nossa Marcos, que lindo relembrar esta passagem da Semana Santa da época em que as crianças e jovens respeitavam o próximo e temiam a Deus. Era assim em todos os bairros,e não faltava a Fé,a magia,o respeito e solidariedade... Que saudade também desta semana Santa em que todos sabiam o significado...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 22/04/2014

Marcos, como ex-coroínha da Igreja São José do Ipiranga lembro-me bem das cerimônias da semana santa, hoje a coisa mudou muito, respeitava-se mais esses dias, é uma pena, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 22/04/2014

As procissões eram realmente concorridas e não precisava pedir ordem para nenhum órgão público, todos respeitavam a passagem do cortejo pelas ruas principais pelo tra-la-la das matracas por todos lugares que passavam. Parabéns pela crônica.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 22/04/2014

Pois é Loureiro, está cada vez mais fazer uma procissão em nossos bairros, quanto muito na quadra em volta da igreja, sinal dos tempos e do transito,mas foi bom recordar os bons tempos,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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