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Categoria - Outras histórias Só saudades... Autor(a): Walquiria - Conheça esse autor
História publicada em 20/03/2014
Hoje acordei com saudades de tudo o que já fiz e o que deixei de fazer na minha infância e na juventude... Tenho alguns flashes do Parque Infantil da Prefeitura na Vila Nivi onde eu fiquei, dos quatro aos seis anos, e nunca esqueci do rosto da nossa merendeira D. Helena (já até postei uma homenagem a ela "Saudades da merendeira"). Interessante que só me lembro dela e do gramado imenso onde rolávamos barranco abaixo dando gargalhadas e ficando com o corpo cheio de coceira pelo roçar da grama...
 
Depois cursei o primário em um galpão de madeira "Escolas Agrupadas de Vila Nivi" na Zona Norte, onde hoje é uma pequena praça. Tenho saudades imensa da D. Mirna minha primeira professora e D. Mitiko a segunda mestra. Tenho poucas lembranças destes quatro anos primários, tudo era muito simples e corriqueiro na época. Parece que por não ter TV e nem rádio, não se gravava nada do dia a dia; íamos para a escola, fazíamos a lição de casa e brincávamos na rua até o escurecer, minha tarefa era apenas cuidar dos irmãos mais novos.
 
Aos dez anos comecei a sentir vergonha de não ter o que minhas amigas tinham e uma vergonha maior do meu pai que bebia muito e não cumpria o seu papel... Penso que deletei uma passagem muito grande da minha vida por ter escondido de mim mesma a pobreza em que eu vivia...
 
Tinha vergonha de ter tantos irmãos já que sempre perguntavam a minha mãe, o porquê de tantos filhos. Hoje entendo por que. Ela ficou órfã aos quatro anos, foi criada e morou em um orfanato de freiras até se casar, no meio do mato, sem recursos e sem ao menos imaginar como evitar filhos. Eles foram nascendo... Mas ela batalhou como uma leoa e cuidou de todos com severidade e muito amor... Eram épocas tão difíceis, mas todos estudaram e seguiram carreiras, casaram-se e constituíram famílias exemplares.
 
Minhas saudades começam na adolescência... Primeiro amor platônico, depois os amores não correspondidos, as paixões de quermesses e bailinhos nos quintais das casas e da escola, os encontros escondidos... Oh! Quanto amor desperdicei sem ser correspondida, quantas lágrimas por alguém que eu achava que seria eterno.. Conto nos dedos de uma mão apenas, os amores que tive... Talvez por isso eu lembre de todos pois foram poucos. As músicas desta época ficaram tatuadas em mim para sempre... Às vezes me pego cantando aquelas melodias lindas e me transplanto para esta época e sorrio sozinha...
 
Que saudade! Saudades das amigas que fizeram parte desta década e que eu nunca mais vi... Saudades da minha juventude que nunca mais voltará... Saudades dos lugares que morei e que o tempo apagou tudo dando lugar ao novo... Saudades das minhas vizinhas, das minhas tias, da minha madrinha e da minha mãe; todos já se foram... No meio destas saudades todas, também tem as lembranças dos que me estenderam as mãos e me receberam com carinho em suas casas para assistir TV ou brincar com seus filhos... Eles também já se foram... Queria muito dizer a todos vocês que fizeram parte da minha infância e juventude que apesar de tantas saudades, hoje eu sou uma pessoa infinitamente feliz...
 
 
E-mail: walquiriarocha@yahoo.com.br
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Publicado em 20/03/2014

Wal, minha querida, lindo e sensível o seu relato. Emocionante porque profundamente humano. Parabéns por reconhecer a importância das pessoas do seu passado. Isso é divino e apenas para espíritos elevados, como o seu. Parabéns mesmo. Eu tenho muito dessas emoções quem realmente se perpetuam no coração. Um beijo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 20/03/2014

Wal,a gente era pobre, tinha muitos irmãos mas os nossos pais nos deram uma grande lição de vida, ser honesto e trabalhador.

E graças a Deus os filhos se encaminharam na vida.

Beijos,

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
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