Leia as Histórias

Categoria - Paisagens e lugares A Capelinha Autor(a): Margarida Pedroso Peramezza - Conheça esse autor
História publicada em 12/03/2014
Capelinha de Melão,
É de São João,
É de cravo, é de rosa,
É de manjericão.
São João está dormindo,
Não acorda não,
Acordai, acordai,
Acordai João...
 
Essa é uma cantiga popular de Mario Zan e, ao ouvi-la, voltei no tempo, lembrei-me da nossa Capelinha na Praça Wilson Cardoso, no final da Rua Padre João, na Penha. Ela era assim conhecida, mas a verdade chamava-se Igreja Nossa Senhora de Fátima e São João Batista.
 
Minha família a frequentava por ser a mais perto de nossa casa e foi nesta capela que muitos batizados, crismas e casamentos da família se realizaram.
 
Muitos padres passaram pela Capela, e, apesar da sua simplicidade sempre foi bem organizada por eles e pelas damas de caridade de Nossa Senhora de Fatima e de São João Batista. Lembro que uma vez ou outra surgia um ciúmes entre as damas, porque cada grupo queria fazer sempre o melhor, mas depois das mediações que o padre fazia tudo ficava em paz.
 
A Capelinha tinha um coral muito bonito que alegrava e emocionava os casamentos e as missas aos domingos. Tinha também outras atividades como as aulas de catecismo, as deliciosas festas juninas para arrecadar fundos para a manutenção da Igreja, muitas excursões e os famosos encontros dos jovens.
 
Buscando na memória, lembro-me do padre João e do padre Antônio que inclusive frequentavam minha casa participando dos almoços da família e filando um cafezinho à tarde, com o delicioso bolo que mamãe fazia. Meu pai ajudava muito a capelinha, não só com o dízimo, mas também com a elaboração de um jornal, onde sempre tinha um texto de sua autoria.
 
Guardo nas minhas lembranças a beleza interna do seu altar principal sempre ornamentado com as mais lindas flores e aquele característico cheirinho de limpeza. Muitas vezes eu ia até lá apenas para rezar e admirar toda aquela simplicidade.
 
Em tempo de quaresma, eu não gostava de ir à capelinha nem a Igreja alguma. Elas perdiam toda sua beleza, não havia flores e as imagens eram sufocadas por uma capa roxa. Isso me assustava e me fazia sentir muito medo enquanto era criança. Sabe Deus quantas outras, caladas, sentiam o mesmo que eu. Não era permitido falar sobre esta emoção. Todas as igrejas agiam assim, então na quaresma eu me afastava e dava sempre uma desculpa para não ir à igreja. Sempre achei que neste período elas ficavam feias, tristes, pesadas, passando um sentimento que eu não gostava sentir. Ainda bem que era por tempo determinado, mas para mim representava uma eternidade, eu não via a hora em que elas voltassem a ficar alegres e floridas.
 
Outro dia fui visitar a minha capelinha, ela continua linda!
 
 
E-mail: margaridaperamezza@gmail.com
Localização da história
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 13/03/2014

Marga, eu conheci essa capela, minha querida e saudosa irmã Ana morava na rua Caquito. Suas recordações, sempre agradáveis, levam-nos a meditar sobre o valor de uma memória tão profunda, como a sua. Realmente, como vc conta, a quaresma é e sempre será, quarenta dias de meditação. Sua crônica, mesmo vc não ir a igreja nestes dias, mostra o quanto de influência vc tinha com relação a essa efemeride. Parabéns. Peramezza.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 13/03/2014

Que bom, Marga. Essas imagens e sentimentos marcam para sempre a nossa ida. A propósito: ainda hoje tenho uma sensação como a sua, em tempos de Quaresma. Eu ainda me afasto e gosto mesmo de apreciar um quadro exposto no hospital em que o meu filho nasceu: Jesus sorrindo. É deslumbrante. Parabéns pelas memórias e um beijo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 13/03/2014

Ó Maria Santíssima, Senhora da Penha, em cujas mãos Deus depositou os tesouros das suas graças e favores. - A minha adolescência foi na Cristo Rei do Tatuapé com o Padre Germano. Muitas coisas nós não entendiamos naquela época, e tínhamos alguns grilos como se dizia na gíria, mas depois voltava tudo ao normal. Abraços ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 12/03/2014

Belas lembranças.

A Penha traz estas boas histórias.

Parabéns.

Enviado por Edmir Espindola - edmirespindola@hotmail.com
Publicado em 12/03/2014

Não sei se a Capelinha continua linda, mas seus olhos ainda são puros como os olhos infantis, por isso você ainda a vê linda

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 12/03/2014

Linda sua história,Margarida.

Minha mãe era muito devota de Nossa Senhora da Penha.

Abraço

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 12/03/2014

As antigas Capelinhas sempre estavam muito bem ornadas por abnegadas senhoras, era deste jeito que via a antiga Capela Nossa Senhora da Penha, no Jardim São Luiz, em Santo Amaro, que infelizmente foi demolida e no local atualmente abriga um grande supermercado. Sempre me intrigava também com a cobertura na quaresma, dos santos colocados nos nichos, quando eu perguntava diziam que era luto da igreja, achava estranho, mas aceitava a explicação. Parabéns pela crônica.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 12/03/2014

Saudades da Capela de São Camilo de Lellis(hoje uma igreja)onde me casei...Assistia missa aos domingos e dava aulas de catequese para as crianças que na época eram irmãs e irmãos dos meus amigos adolecentes

A gente vai embora do lugar,envelhece,mas nunca esquece estas etapas de nossas vidas...é só saudades...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
« Anterior 1 Próxima »