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Categoria - Outras histórias O cordão e cortejo Autor(a): Abilio Macêdo - Conheça esse autor
História publicada em 11/03/2014
A cena, ocorrida no final dos anos 1960 nas proximidades do Largo do Cambuci, me foi contada por duas pessoas distintas e de total credibilidade.
 
Um animado bloco de Carnaval seguia pela Avenida Lins de Vasconcelos e, ao entrar em uma rua transversal, deu de cara com um cortejo fúnebre que vinha em sentido contrário.
 
Em sinal de respeito, os foliões que iam à frente até que tentaram parar a batucada, mas não conseguiram vencer a animada massa humana que havia entre eles e a bateria e foram praticamente arrastados.
 
Aquela situação, com o enterro e o bloco passando lado a lado, continuou por alguns minutos até que o maestro que comandava os músicos percebeu o carro fúnebre puxando uma fila de veículos com faróis acesos.
 
Os componentes da bateria quando viram a senhora vestida de preto descer de um dos carros e ir até eles, até baixaram a cabeça imaginando que ouviriam a maior reprimenda de suas vidas.
 
Mas estavam enganados:
 
- “Meus filhos, eu posso fazer um pedido? Será vocês podiam tocar as “Pastorinhas”?
Meu marido era louco por carnaval e adorava essa música.”
 
Aquela homenagem improvisada e singela fez muito folião cantar chorando.
 
“A estrela Dalva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor...
E as pastorinhas
Pra consolo da lua,
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor.
 
Linda pastora,
Morena da cor de Madalena...
Tu não tens pena de mim,
Que vivo tonto com teu olhar.
 
Linda criança,
Tu não me sais da lembrança...
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar.”
 
E-mail: abilio.macedo@bol.com.br
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Publicado em 18/03/2014

Digníssimo e esplendoroso feretro no Cambuci, arrebatadora homenagem da viuva ao seu falecido. Parece que houve a misteriosa "mão do destino" no encontro e despedida de um lado e a alegria na despedida. Parabéns, Abilio.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 12/03/2014

Que saudade das Pastorinhas. Será que algum dia, alguém lembrará do tal de Lepo-Lepo? Tenho certeza que não;.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 12/03/2014

Abilio, se eu estivesse lá no dia, com certeza iria chorar também. Bem diferente esse acontecimento.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 12/03/2014

Abílio, me apaixonei por esse caso. Sou dali do Cambuci, mas desconhecia o fato. Que coisa maravilhosa: a vida vencendo sempre. Obrigada pela partilha. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 12/03/2014

Ahahah Abilio, que historia genial!

Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 11/03/2014

Não deixa de ser uma bela homenagem, ao marido falecido.

Parabéns.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 11/03/2014

São poucos os que morrem e que tem o previlégio de passar para outro mundo com música.Normalmente quando morre algum cantor ou músico os fãs se despedem cantando...e eu acho lindo!!! Não precisa cantar no meu velório,mas não queria que ninguém sofresse ou chorasse pela minha partida já que neste mundo fui extremamente feliz...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 11/03/2014

Bem difícil a situação criada naquele instante, o que fazer para não constranger àqueles que estavam no cortejo. Por sorte havia alguém que tinha um enorme coração e até pediu um "réquiem" diferenciado, como a dizer: a "morte" faz parte da "vida", saudemo-la!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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