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Categoria - Outras histórias Como eu queria... Autor(a): Marcos Aurélio Loureiro - Conheça esse autor
História publicada em 24/02/2014
Domingo, dia 16 agora, jogou Corinthians e Palmeiras. Não há nada mais paulistano, no jogo da bola, que este jogo.
 
"Salve o Corinthians, campeão dos campeões" ou "Quando surge o alviverde imponente". Tempos atrás, quando se aproximava este jogo, eu já ficava pensando nele e em como fazer para chegar ao Pacaembu em tempo de arrumar um bom lugar. Como corintiano, gosto mais do "Salve o Corinthians", mas por um tiquinho não sou palestrino e aí gostaria mais do "Quando surge o alviverde imponente". Sou corintiano porque o meu tio Michele (pronuncia-se Miquele), imigrante italiano, foi um dos que, com outros italianos, em 1910, no Bom Retiro, na Rua dos Italianos, fundou o Corinthians.
 
Sim, o Corinthians foi fundado por italianos. Acontece que os italianos que vinham para o Brasil eram pessoas simples, que estavam passando por dificuldades em seu país, e então o Corinthians foi o primeiro time de gente simples de São Paulo. Os outros eram da elite. Desta forma, logo aos italianos simples, juntaram-se outros simplórios e aí uma parte daqueles que haviam fundado o Corinthians, italianos, acharam que o time tinha se descaracterizado, deixado de ser um time da colônia e saíram para fundar o Palestra Itália. Já puseram este nome, para deixar bem claro que era um time de italianos, onde se "parlava de Itália". O meu tio manteve-se fiel ao Corinthians e o meu nono, Marco, que era irmão mais novo dele, também ficou com o Corinthians, e assim nasceu minha mãe corintiana e nós, eu e meus irmãos, ficamos corintianos.
 
Mas, e se meu tio Michele tivesse ido para o lado de lá? Hoje eu seria palestrino e não seria nem melhor e nem pior do que sou, porque não importa para quem você torce, corintiano, palestrino, são paulino, santista, lusitano, ou seja lá o que for, ou não for, o que vale é a pessoa. Mas tem gente que agora não pensa assim, por isso que eu queria, mas não posso.
 
Como queria ir ao campo, tomar guaraná, comer amendoim, chupar um picolé. Vibrar com o gol marcado, lamentar o perdido e maldizer o tomado. Xingar o juiz, sempre o culpado de tudo, e no fim do jogo voltar para casa. Como queria já ter levado meu filho adolescente para assistir a um jogo comigo. Como queria levar o meu netinho de sete anos para ver o "Curintia", tal qual o meu nono Marco fazia comigo.
 
Mas eu não posso. Porque hoje torcida tem dono. O nome do dono é “Organizada”. Organizada da violência, da bagunça, do desrespeito, da falta de civilidade, de desportividade, e da total desorganização de qualquer sentido de esportividade.
 
E-mail: marcoslour_ti@yahoo.com.br
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Publicado em 03/03/2014

Marcos, sinto a mesma coisa que você, apesar de sermos de times opostos, também nunca posso levar meu neto ver o palmeiras jogar. O que eu consegui, quando ele tinha cinco anos,foi entrar no campo de mãos dadas com nosso time Verdão. depois disso nunca mais.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 26/02/2014

Disse tudo Marcos.

Meu marido já foi até visitar as obras do Itaquerão, e estava querendo acompanhar ao vivo e a cores o jogo de inauguração da tão sonhada Arena do Corintians, fazia menção em levar meu netinho de 4 anos, mas diante de tanta barbárie já deixou de lado esse plano.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Vera maninha, palestrina???? É você quase atingiu a perfeição, faltou só um pouquinho. Abraços alvi-negros

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Marcão – Foi-se o tempo em que assistia futebol nos estádios. Mas uma coisa eu eu afirmo que eu e os três filhos queremos conhecer o Itaquerão. Se Deus quiser iremos assistir um jogo que é aquele de um a única torcida. Já estou fazendo uma novena para São Jorge para que tudo de certo. Se vamos sair inteiro depois do jogo isso eu não posso afirmar (risos). Forte abraço. Outra coisa, o estádio do Palestra está ficando muito bonito e gostaria também de conhecê-lo. Quem viver vera – Forte abraço ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Marcos, eu sinto muito você não poder levar o seu netinho para assistir o jogo. Bem que eu fazia a minha parte, quando explicava para o meu filho, ainda garoto, e depois para os meus alunos a importância de ter a humildade de cumprimentar o adversário quando vencia a partida. Senti que fiz alguma coisa, mas sempre tão pequena... mas eu conto o que fiz, porque é absurdamente inaceitável o comportamento das torcidas.

Mas, meu maninho, eu sou palestrina, tá? E adoro tirar onda do meu cunhado corintiano, mas, claro, é só prá brincar um pouco. Um abraço, querido.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 25/02/2014

Marcos, ainda bem que voce ficou do lado de cá,isso prova que o Corinhians é um agregador de etnias e raças, parabéns,Estan

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 25/02/2014

Como eu queria...que meus filhos pudessem levar os seus filhos para assistirem o Corinhians jogar como o pai deles os levavam aos domingos

Lembro que saiam com camisas e bandeiras rumo ao estádio e eu ficava em casa assistindo a TV com esperança de alguém ser filmado para eu ver a alegria que reinava entre eles...Lembro que meu único medo era acontecer algum acidente com o carro já que ele lotava a Caravan de meninos e meninas com bandeiras fora da janela para o grande evento...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

e verdade a violençia nos campos de futebol agora virou guerra,

mas o povo tambem tem culpa no cartorio.

e isso que da eleger ladroes no poder.

A PESQUISA MOSTRA QUE A DONA DILMA VAI SER ELEITA NO PRIMEIRO TURNO

ISSO QUER DIZER QUE VAI FICAR TUDO COMO ANTES.

MAS VIVA O CORINGAO.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 24/02/2014

Grande texto Loureiro. Eu não sabia que você era um corintiano com pedigree de fundador. parabéns. e concordo com você hoje da medo de ir a estádios ver jogos principalmente os decisivos. É lamentável, consegui ter coragem e levei meus netos à uns três anos passados assistir aqui em Guaratinguetá, o jogo Corinthians e Guaratinguetá. Mas jamais me arriscaria a leva-los no Pacaembu ou Morumbi.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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