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Categoria - Personagens Uma família imperial Autor(a): Roseli Tadeu Nabarrete - Conheça esse autor
História publicada em 24/02/2014
Ele chegou da Itália, vindo da Calábria e no mesmo navio veio ela, Francesca, vinda de Nápoles, ambos jovens e como todos vieram de navio e chegando ao porto de Santos foram enviados para uma fazenda no interior de São Paulo. Ele, Giuseppe Imperial, meu avô, lá chegando foi se instalar com os outros colonos para trabalhar na plantação de café e assim se aproximou da família dela, minha avó Francesca. Eram jovens e ele se interessou pela irmã dela, mas que já estava prometida para outro italiano e meu avô, decepcionado, foi desabafar com minha avó que ficou escutando toda aquela ladainha e foi daí que se entenderam e se apaixonaram.
 
A vida lá era muito sofrida, péssimos alojamentos, pouca alimentação e muito trabalho. Meu avô, então, propôs casamento para a jovem que logo aceitou e lá casaram com direito a muita música (meu avô tocava sanfona), muita comida combinada com todos os colonos da fazenda e lá se foram os dois para São Paulo, direto para um cortiço, habitações comuns nessa época. Meu avô começou a fabricar cadeiras de palha e as vendia pelas ruas, ele também trabalhava para a Light acendendo e apagando os lampiões das ruas e avenidas e minha avó, que quando ainda estava na Itália aprendeu pont ajour, técnica de costura muito usual na época e aqui, continuou nesse trabalho. 
 
Tiveram 17 filhos sendo minha mãe a mais nova de todos, a raspa do tacho, e dessa forma com muita luta e trabalho os dois conseguiram formar uma família honesta, íntegra e muito batalhadora.
 
Conforme as crianças iam crescendo, uns sete e oito anos, iam ajudar meu avô a vender as cadeiras e as meninas já sentavam para aprender o ofício da minha avó.
 
Meu relato é para dizer que, apesar de pobres, ninguém saiu da linha, isto é, roubando, matando, pelo contrário, a pobreza não justifica isso.
 
Meu orgulho e meu agradecimento a eles, Família Imperial, que ajudaram a construir nossa cidade; e meus tios contavam que na Av. Liberdade, onde moraram, tinham acontecimentos diariamente, como, por exemplo, os donos de lojas vizinhas ao final do dia deixavam as chaves na Guarda Civil que também ficava lá e no dia seguinte iam buscá-las para um novo dia de trabalho; tinha manobras dos jovens recrutas em plena avenida; tinha também patinadores que treinavam lá.
 
E-mail: mararoseli@yahoo.com.br
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Publicado em 03/03/2014

Roseli, minha historia é semelhante a sua e todos aprenderam, apesar de pobres, a trabalhar para melhorar a vida. Parabéns pra a família Imperial pra você pelo lindo texto.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 26/02/2014

Parabéns Roseli que família de garra!

Pois é naquela época os meninos e as meninas de 7-8 anos podiam trabalhar, dessa maneira aprendiam a ter responsabilidade, hoje em dia é proibido trabalhar, mas podem traficar, pois menores não respondem por seus atos.

Acho tudo isso uma vergonha! Como diz Boris Casoy.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Roseli, meus parabéns pelo relato e pela história familiar. Lindíssimo. Pessoas que trabalharam honrosamente e contribuíram muitíssimo na construção da cidade. Minha história é muito parecida. E todos, muito trabalhadores e unidos, sem desculpa para preguiça. Parabéns mesmo. Adorei a foto. Um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 25/02/2014

Roseli, não sei o que ponto ajour, mas sei da saga de seus antepassados, muito bonito e glorioso, pois tenho essa história em minha familia, história que cai como uma luva nesse site, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 25/02/2014

Eu também sou, por parte de mãe, descendente destes heróis que abandonavam la bella Itália e vinham forjar a grandeza desta cidade.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 24/02/2014

Parabéns, que bela história de sua família.

E sua avó fazia ponto ajour?

É um trabalho minucioso e que ainda gosto muito de fazer.

Ninguém sabe o trabalho que dá , mas depois de pronto, fica lindo.

Prabéns.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 24/02/2014

Que linda história, Nabarrete, Família Imperial, colaboradores do progresso desta nossa linda cidade. Parabéns, Roseli.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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