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Categoria - Paisagens e lugares São Mauro – Santo Amaro, 462 anos. Como eu vi essa festa Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 07/02/2014
Dia 15 de janeiro é o seu dia, dia do Santo, dia do bairro, dia do seu aniversário, dia de glória, dia em que o bairro-cidade, que já foi vilarejo, foi freguesia, foi vila, que já foi município e tornou-se bairro em 1935, mas conserva ainda alguns resquícios do passado, na sua gente, nas suas casas de pau a pique e de telhados com telhas feitas nas coxas dos escravos que ainda restam, no seu sotaque, na sua botina amarela do barro e/ ou do couro de sua confecção.
 
Nesse dia 15 de janeiro de 2014, mais do qualquer outro ano, teve uma comemoração a altura de sua importância, com uma programação completa e bem dirigida que parece ser uma constante doravante, onde se envolveu diversos segmentos da sociedade constituída do bairro durante uma semana de eventos.
 
Foi programada uma semana de festas, abrindo os festejos às 8h30, com um café da manhã na Subprefeitura de Santo Amaro, denominado como: “o café forte e fervendo”, para 462 xícaras idealizadas pela Supervisora da Cultura, Andrea, com direito a muitos discursos de pessoas ilustres de Santo Amaro, principalmente da velha guarda, apesar da experiência dos participantes onde a maioria da melhor idade e de traje prevalecendo o amarelo, azul e branco nas vestes dos participantes como sugerido pela Andrea.
 
Logo nas primeiras horas, o burburinho era grande, parecendo um encontro de colegiais no primeiro dia de aula do ano letivo, todos os convidados chegando paulatinamente, quantos abraços, quantos beijos, alegria contagiante no ambiente, muitas histórias relembradas e contadas como preliminar do evento.
 
Via-se nos rostos, no olhar de cada um, a expressão de orgulho, de saudades, de um encontro emocionante, também abrilhantado pela figura presente de Carlitos, de Charles Chaplin, e depois de Paulo Eiró, personificado no artista circense Camilo Torres, palhaço Pirulitus, que circulou e cumprimentou a todos conforme sua caracterização.
 
Encontro de artistas, empresários, associações de classe, donas de casa, todos uníssonos a comentar o velho Santo Amaro, houve quem trouxe diploma do curso que fez no Paulo Eiró, Alberto Conte, Doze de Outubro, Jesus, Maria e José; outro, dizia eu, também me formei lá, que saudades desses colégios.
 
Andrea, como a anfitriã do evento, tomou as apresentações anunciando o Subprefeito Adevilson Maia e seu chefe de gabinete, Valderci Machado, mas quem mais chamou a atenção foi o Américo Angélico, fundador da Padaria XV, na figura de seu avô, e depois seu pai. Depois, passou o ponto para o Manoel da XV. Américo fez relatos preciosos, saudosistas, onde destacou que a maioria dos donos das padarias da região foi de ex-empregados da XV e sendo a padaria XV o maior ponto de encontro de Santo Amaro de políticos e encontros sociais.
 
Também presente Ari Dias de Oliveira, filho de Tertuliano Dias Oliveira, dono da Padaria Brasileira, fundada em 1945. Antes ali era a Padaria Alemã, e passou o ponto em 1954, onde hoje é a “Casas Pernambucanas”. Logo depois, em 1956, fundou a primeira padaria do Jardim São Luiz, Padaria São Luiz, que existe até hoje, 2014, que foi a segunda mais antiga padaria após ponte João Dias (a mais antiga era a São Damião na Vila das Belezas); teve muito que comentar com os decanos do bairro como ele.
 
Foram homenageadas várias pessoas, como D. Adozinda, a decana dos santamarenses e dos professores. Recitou uma das suas obras literárias, um acróstico para Santo Amaro, louvou-se a presença dos representantes do Banco do Brasil, Acesp distrital Santo Amaro, Água Cristalina pela Olivia.
 
Também presente o advogado José Carlos Bruno, da Advogados e Associados, e família, membro do Cetrasa, sempre presente nos eventos santamarenses, e Marcos, supervisor de esportes de Santo Amaro, Jussara Pontes da assistência social da saúde publica, e muitos outros.
 
Na entrada do salão de festas chamou muito a atenção os quadros com pinturas em tela do artista plástico santamarense Algacyr Ferreira, que nas suas obras retrata o bairro; e não faltaram mil comentários sobre as telas. Também estiveram outros artistas plásticos impressionistas do bairro, Castro Padigliani, que no momento faz uma exposição na biblioteca Prestes Maia, sobre Santo Amaro.
 
Não podemos deixar de destacar a presença do maior historiador vivo no evento, Carlos Fatorelli, um historiador de fato e de direito que corre atrás do passado, flanando contra tudo e todos, levando e relembrando aos santamarenses seu passado e documentando seu presente e propondo o futuro; e com ele a historiadora Inez, ambos também muito assediados por pessoas atrás de dúvidas sobre o bairro, onde ali tiravam suas dúvidas, ambos uma enciclopédia viva e ambulante.
 
D. Andrea deu uma boa notícia, confirmada pelo subprefeito, que este ano de 2014 ainda seria reformado o totem em homenagem a Paulo Eiró, situado dentro da Praça Floriano Peixoto, um descaso que chega ao fim.
 
Enfim, um evento que foi do início ao fim com muita alegria, com os assuntos mais variados, mas todos sobre o bairro e a convergência de todos vão se repetir, pois o tempo foi exíguo, precisaria o dia todo para deixar as histórias em dia.
 
Após as apresentações e discursos, fomos ao desjejum e por volta das 10h30 estavam encerradas as festividades.
 
A próxima etapa foi na Praça Floriano Peixoto, em um grande palco armado, com shows e arte nipônica com músicas e danças características, e logo após a cultura alemã, espanhola, portuguesa e italiana que muito contribuíram para o desenvolvimento de nosso bairro-cidade.
 
Às 12h, corremos todos para a nossa catedral, para a missa solene em homenagem a Santo Amaro, celebrada pelo bispo de Santo Amaro, Dom Fernando Figueiredo, que recebeu a todos com um sorriso e um aperto de mão na entrada da catedral, que se encontrava lotada, com muitos convidados de honra, como o governador do estado, Sr. Geraldo Alkimim, e sua esposa e um secretário seu: José Anibal, que na própria missa divulgou a liberação de R$ 500.000 para a reforma da Igreja Matriz, fato esse que lhe rendeu uma grande salva de palmas. Esse valor parte de vários outros valores que vem sendo doados em doses homeopáticas, mas com grande utilidade para a reforma de nossa catedral.
 
Vale salientar a simpatia do governador e sua capacidade de absorver e atender a todos com fotos e entrevistas; foi o que mais chamou atenção de todos, saindo a pé da missa, cercado pelo povo, e indo tomar um cafezinho em um bar do Largo Treze de Maio.
 
Na Igreja, várias autoridades, como o vereador Natalini e esposa Felomena, e todo um povo ávido para assistir à missa e rever a catedral em reforma, onde a opinião era unânime: de que está ficando linda com a reforma, onde os olhares se dividiam entre o altar e as paredes em reforma, a pintura secular descoberta; quantos não suspiraram por lembrar os tempos de jovens das décadas de 30 até 70, quando a igreja era povoada de jovens e suas congregações, casamentos, primeira comunhão, batismo e depois as fotos no Furuta, como eu tirei várias, onde tudo era bucólico, como uma cidade do interior.
 
A mídia televisiva estava presente pela TV Rede Vida e os repórteres fotográficos dos principais jornais de Santo Amaro, como “A Gazeta de Santo Amaro”, “Em Sintonia”, “Correio da Zona Sul”, assim como Adilson Araujo, da Agência de Imagens e Notícias; e sem contar com as centenas de fotógrafos de ocasião que em uma disputa por espaço lembravam um tumulto pela melhor posição, era um braço em cima do outro, máquinas entrelaçadas com seus flashes, ora para baixo, ora para cima, para trás.
 
A missa se revestia de um glamour fora do comum, o tempo passou rapidamente, dando a entender que foi muito boa. Nos bancos da igreja, uma multidão de pessoas de cabelos gris e olhos atentos a cada palavra do bispo, notou-se que o bom filho a casa estava retornando e a casa era a de Deus e de São Mauro - Santo Amaro; que com certeza pôde rever o velho santamarense de volta a seu santuário e dele nunca mais se ausentar.
 
Dia 16, à noite, foi realizada no Cetrasa a noite da seresta, chorinho, com o conjunto “Amigos do choro”, que empolgou o auditório com músicas de uma época gloriosa de nosso cancioneiro popular, surpresa agradável foi a presença do Amaro, da Administração do Cemitério de Santo Amaro, que foi convidado a tocar no conjunto, e como grande músico desempenhou brilhantemente a arte de tocar e mereceu uma grande salva de palmas, assim como os demais do conjunto. 
 
Na plateia, alguns entre muitos santamarenses tradicionais, como: Fatorelli, Carlos Samaha, Lourenço de Pontes, Adozinda, Eunice Barroso, Vereador Natalini, que para a surpresa geral cantou e muito bem “Carinhoso” e “Naquela mesa”, também com muito sucesso para alegria de sua esposa Felomena e de todos os presentes, foi um verdadeiro espetáculo de música e som.
 
No encerramento das festividades foi um encontro da memória do futebol santamarense, um projeto que nasceu nessa data com o comando de Marcos, supervisor de esportes da Subprefeitura de Santo Amaro, nas reuniões da rede Santo Amaro, no prédio do Senac, Largo Treze de Maio, equipe esta composta do GT grupo de trabalho com Marcos – Raul, Luiz e Estanislau, que tem por finalidade resgatar o passado do futebol de nossa região, reunir com os moradores fotos e declarações e armazenar, catalogar e criar um museu a respeito.
 
A primeira mostra informal desse assunto foi realizada no CDC Maria Felizarda, Campo do Grêmio Esportivo Campo Grande, no bairro Campo Grande, que por sinal fomos bem recebidos pelo seu presidente Roberto e com grande participação de atletas e amigos da velha guarda, com a presença que nos muito honrou de Osmar Santos, grande locutor e narrador esportivo que teve a atenção de todos, com cumprimentos e fotos e com uma exposição de quadros em telas pintadas pelo próprio Osmar, com diversos temas naturais. 
 
Também esteve presente o craque Dudu, ex-jogador palmeirense. Que foi provocado por mim com a pergunta que ele não aguenta mais ouvir: Dudu onde está o Ademir? Em referência ao Ademir da Guia, onde ambos jogaram juntos por décadas no time do Palmeiras e mereciam ter sido titulares de uma seleção brasileira. Dudu sentiu-se constrangido, ou fingiu estar, quando alguém lhe deu um livro da história do Corinthians para ele dar um autógrafo, depois de um sorriso amarelo assinou uma das páginas.
 
Alguns atletas e dirigentes do passado deram declarações para a memória do futebol santamarense como: Arthur, da liga de futebol santamarense, Edmundo Nogueira, representando o futebol do Jardim Brasília FC, e Estanislau, sobre o Vila das Belezas FC, e muitos outros de vários times da região, o que serviu como aperitivo de um grande documentário do desporto santamarense, que no próximo encontro esperamos mais pessoas para seus depoimentos.
 
No mesmo horário do domingo, dia 19 de janeiro de 2014, tivemos no encerramento das festividades sobre Santo Amaro o 1º Guarapedal, ciclismo e passeio de escuna, que foi realizado na Represa de Guarapiranga; um passeio a barco com aproximadamente cinquenta pessoas, onde a maioria teve a oportunidade de conhecer a “caixa d’ água de São Paulo” e com a história da represa narrada por Carlos Fatorelli, antes o passeio ciclístico pelas margens da represa pela ciclovia.
 
Enfim, Santo Amaro através de seu povo voltando às origens, conhecendo, reconhecendo a sua história, seu passado.
 
E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 11/02/2014

Parabéns meu caro Estan, pelo excelente trabalho sobre os festejos comemorativos de mais um aniversário deste saudoso e glorioso bairro de Santo Amaro. Você se esmerou no relato desde o vilarejo, depois transformado em freguesia e finalmente um bairro de São Paulo. Santo Amaro tem na sua história muitos acontecimentos extraordinários. Você e o Carlos Fatorelli são os principais divulgadores das história de Santo Amaro e de seus fundões.

Mais uma vez, parabéns pelo magnífico trabalho de divulgação. Um abraço Grassi

Enviado por Roberto Grassi - jr_grassi@yahoo.com.br
Publicado em 11/02/2014

Estanislau, Santo Amaro comemorou seu aniversario em grande estilo.Você e Fatorelli estiveram presentes seguindo passa a passo as festividades. Só não gostei do que fizeram com o Dudu na hora do autografo, "foi mal" como dizem a moçada de hoje.Parabéns pra Santo Amaro e pra você e para o Fatorelli também, um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 10/02/2014

Uma obra de valor intenso, um trabalho sobre a fundação da freguesia-vilarejo-vila-município-bairro-cidade de Sto. Amaro. 462 anos, 2 mais velha que a cidade de São Paulo. Valorizado pela abundância de detalhes, menções destacadas de personagens bem conhecidas, condicionados numa explanação de altíssimo valor histórico, destacando, entre os nobres envolvidos na evolução, o nome do historiador bem conhecido nosso, colaborador do nosso site, Carlos Fatorelli.

Excelente e exaustivo trabalho, Estan, demonstrando uma soberba memória, nos principais parágrafos citados. Parabéns, Rybczynski.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/02/2014

Estanis, deslumbrante! Sinceramente, me faltam palavras: um povo de encontro às suas origens é mágico, encantador, encontro eterno. Meus parabéns e não há mesmo palavras para definir a magnitude do seu texto. Um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 10/02/2014

Caro Estan, importante divulgação você faz de Santo Amaro, fonte de pesquisas pode ser usado mais tarde. Você passou-me a programação não estive presente devido a distância, mas um dia chego. Parabéns a todos os organizadores da festa encontro, abraços meu amigo.

Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 07/02/2014

Depois de ler essa sua verdadeira reportagem sobre a festa de aniversário de Santo Amaro, o bairro mais querido da zona sul paulistana, como também um dos mais importantes, sinto-me com se lá estivesse e participado de tudo isso, graças a esse seu texto riquíssimo em detalhes. Parabéns

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 07/02/2014

Santo Amaro merece todo este reconhecimento e todo santamarense deve sentir orgulho de fazer parte dessa história. Parabéns.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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