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Categoria - Outras histórias Mãe por controle remoto Autor(a): Neide Gaudenci de Sá - Conheça esse autor
História publicada em 20/01/2014
Pois é, em um determinado momento, nós, mulheres, fomos para o mercado de trabalho de maneira maciça. E a grande angústia surgiu: como continuar orientando as crianças que ficaram em casa – sem o papai e a mamãe – e aos cuidados de uma auxiliar boazinha, mas não qualificada? Não era nada fácil, não...
 
Morando na Barra Funda (Rua Solimões) e trabalhando no Brás (minha escola ficava no começo da Rua Oriente), a dificuldade de acesso era bem grande. Reclama-se muito hoje, mas na época (décadas de 60 e 70), o transporte público era muito pior. O ônibus do qual eu dependia era o “Largo da Concórdia” que saia da garagem na Rua Garibaldi – uma linha que contava com os ônibus consertados que tinham que amaciar o motor. Geralmente, apenas dois por dia.
 
Levava horas para ir e voltar e a minha carga horária era de 40 aulas semanais. Como mãe zelosa e preocupada com a alimentação, deixava o cardápio para a semana todo determinado e de acordo com as compras feitas por mim.
 
Um dia, as aulas foram suspensas – não me lembro do motivo - e eu chego para o almoço. A Odete põe na mesa: salada de agrião, purê de batatas, carne moída com molho e batatas fritas.
 
Surpresa com essa combinação, reclamo e ela diz: “Ora, foi o que a senhora escreveu para fazer hoje!”. Imediatamente vou consultar a listinha afixada à geladeira e lá constato que alguém, imitando a minha letra, acrescentou “batatas fritas” a todos os dias da semana.
 
Travessura do Flávio... Bem, que eu estava reparando que o consumo de batatas estava aumentando sempre, mas não podia imaginar a manobra.
 
Hoje, a culpa diminuiu um pouco porque acho que as crianças aprenderam a se defender – com criatividade - na minha ausência.
 

 

E-mail: neidegsa@gmail.com
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Publicado em 22/01/2014

Neide, seu seu texto é real e cada vez mais usaremos o remoto e o big brother já é uma realidade, somos vigiados diuturnamente, mas me chamou a atenção, quando voce fala que num determinado tempo as mulheres foram para o mercado de trbalho, pois, poucos comentaram na época, década de 80 em diante com o grande desemprego e quando se falava em desemprego, visavam só a figura do homem, sem perceberem que as mulheres estavam ganhando a concorrencia nos mais diversos segmentos trabalhista e se tornando maioria nas faculdades e por conseguinte desemprego para o sexo masculino e salve as mulheres. parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 21/01/2014

O "controle remoto" sobre o menú, teve pequena e grata interferência, enriquecendo mais o "prato do dia" com batatinhas fritas, muito bem recebida até por vc, Neide, pois vc mesma viu que o consumo de batatas aumentou e não tocou no assunto. Então, por favor, não ponha a culpa no Flávio. Texto gostoso de se ler, parabéns, de Sá.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 21/01/2014

Neide, minha querida, não é fácil MESMO. Eu nem sei como sobrevivi a tudo isso. Com certeza, você e a maioria das mulheres também não sabe. Heroísmo puro. Parabéns pela vida que conseguiu levar e também pelo texto. Um beijo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 21/01/2014

Caros companheiros: Esqueci de contar que esse fato serviu para uma boa conversa com os meninos,mostrando o aspecto ético da questão.Mãe por controle remoto aproveita qualquer oportunidade para atuar na formação dos filhos, não é?

Enviado por Neide Gaudenci de Sá - neidegsa@gmail.com
Publicado em 20/01/2014

Neide, passei por isso também e tive que ensinar minha filha mais velha que tinha 12 anos, cuidar do almoço dela e da outra filha menor. Sentimento de culpa também tive, hoje não tenho mais.Muito legal seu texto. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 20/01/2014

Olá Neide, me diverti com a manobra do seu filho.kkk

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
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