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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Os Natais da minha época Autor(a): José Aureliano Oliveira - Conheça esse autor
História publicada em 13/01/2014
Na véspera do Natal nos reuníamos: eu, meu irmão Paulo, Pilim, Guido, João Piteira, Jorge Turco, Luiz Antonio e o Tomé. Descíamos a Rua Felipe Camarão até a Celso Garcia e seguíamos a pé pelo lado esquerdo no sentido do Centro de Sampa, onde íamos admirar as lojas. Elas não eram como as de hoje, todas enfeitadas, e nem tinham todas essas luzes. Eram enfeites simples, tendo na maioria um boneco de Papai Noel, anjos e estrelas.
 
Passávamos em frente à fábrica de tecidos Santista, atravessávamos o Corrégo Tatuapé (hoje Av. Salim F. Maluf) e logo a frente ficava o antigo prédio do Juizado de Menores. Seguindo a frente tinha a Maternidade e Hospital Leonor Mendes de Barros. A partir desse trecho é que começavam as lojinhas, na maioria armarinhos e lojas de sapato. A mais esperada era a Lojas Pirani, que ficava entre o Belenzinho e o Brás. Era o maior comércio da época, ocupando quase um quarteirão da Avenida. Poucos enfeites, mas já tinha uma pessoa caracterizada de Papai Noel. 
 
Finalmente chegávamos ao Largo da Concórdia. Nesse largo não havia nada de atrativo para nós, não havendo o comércio de roupas que tem atualmente. Havia as porteiras do Brás e a estação Roosevelt (conhecida como estação do Norte). Ali aportavam todos os migrantes que vinham do Norte do Brasil para trabalharem em Sampa. Era uma região tipicamente nordestina em razão das pensões e comércio com todos os artigos daquela região; carne seca (jabá), feijão de corda, farinha de mandioca, etc. e bares com comidas típicas do Norte, como buchada de bode. 
 
A última loja visitada era a Eletro RádioBrás. Voltávamos pelo lado contrário da Avenida para olharmos as outras lojas. Na subida da Celso Garcia, havia a Fábrica de Tecidos Testilha que ficava em frente a Santista. Já em frente a Felipe Camarão, tinha o Cine São Luiz, onde parávamos para ver os cartazes dos filmes que passariam na matinê de domingo, quando tínhamos cadeira cativa. 
 
Ficávamos sentados em frente à Fábrica de Calçados Camelo da Rua Felipe até tarde da noite, porque já sabíamos dos presentes que o Papai Noel nos trouxera. A mamãe trabalhava em uma malharia na Rua Oriente, perto da Estação da Luz, e todas as roupas que tinham um pequeno defeito não eram entregues aos fregueses, ficando para venda dos famosos saldões. 
 
No mês de dezembro o Judeu, Sr. Davi, dono da confecção, liberava essas roupas para os funcionários com um preço bem barato, que tornavam-se os presentes, o defeito dificilmente alguém notava, tornando-se a nossa roupa de missa (finais de semana), e tinha que durar o ano todo. E assim findaram-se nossos Natais, nossa infância, nossa inocência, nossas simplicidades, onde acompanhamos as transformações de Sampa, que virou essa “Selva de Pedra”, com Natais voltados para o comércio, onde a maioria esquece-se do mais importante, que é o aniversariante do dia. 
 
Uma pergunta: Estan você já se vestiu de Papai Noel? Eu não; porque sempre fui um magricela e a mamãe sempre dizia que eu era um “pau de virar tripa”, mesmo com bastante enchimento o rosto não daria para disfarçar, ficando um Papai Noel subnutrido (risos). Abraços... 
 
E-mail: joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
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Publicado em 14/01/2014

Os Natais de sua época, José, não eram muito diferente dos meus. Só que já morava bem mais perto do "centrão". Os detalhes que enriquecem sua narrativa, refletem bem a condição de andarilho (da Felipe Camarão até lgo. da Concórdia, tem 6 a 7 km.)Belo relato, Aureliano, voltando ao passado não muito distante. Parabéns, Oliveira.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 13/01/2014

José, comemorar o Natal sempre era bom pra mim. Enfeites, canções, papai noel, arvore de natal, missa do galo, ceia e até presentes, tudo sempre me encantava e ainda me encanta, mesmo sabendo do comercio que margeia esta data tão especial.Muito bom seu texto, meus parabéns. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 13/01/2014

José, como a felicidade se tece com pouco, não é? Gostei muito das suas recordações. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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