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Categoria - Paisagens e lugares O último bonde em Santo Amaro e São Paulo Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 13/01/2014
Como a maioria dos cidadãos paulistas, paulistanos e quiçá brasileiros e, principalmente, os santamarenses sabe, a última linha de bonde em São Paulo foi em nosso bairro, em 27 de março de 1968, a linha 101, Camarão, bonde nº 1543, que partiu do Instituto Biológico na Vila Mariana, às 20h, com destino ao Largo Treze de Maio, com uma comitiva de doze bondes, todos lotados pelo povo, sendo que em um deles estava o prefeito, na época Faria Lima, e o governador do Estado de São Paulo: Abreu Sodré, justamente o de nº 1543.
 
Para tal acontecimento, foi realizada uma grande festa, com a presença de muitas pessoas dos mais diferentes segmentos sociais, como religiosos e políticos, e presença maciça da população.
 
Interessante saber que na lateral do bonde havia uma faixa longa, onde dizia: “Rendo-me ao progresso - Viva São Paulo!!! - Viva Santo Amaro!!!”. Apesar da saudade, o bonde já estava atravancando o ritmo da cidade, devido a sua lentidão e pouca lotação e limitação de mobilidade, porém sabemos que progresso ou evolução podiam respeitar mais o passado, procurar conviver em harmonia, cada um no seu espaço, que serviria de comparação e respeito a quem iniciou ou foi base para os fatos atuais.
 
Também para esse evento foi descerrada uma placa de bronze com cerca de 0,5 m² e fixada na parede da Igreja Matriz de Santo Amaro, no Largo Treze de Maio.
 
Sabemos também que ela ficou ali por muito tempo escondida devido às barracas de marreteiros que ocupavam o espaço no entorno da igreja, desse comércio ilegal. Depois de feita a limpeza desses ambulantes, reparamos que a placa em homenagem a esse evento sumiu, ficando em seu lugar uma marca quadrada, indicando que ali havia a placa comemorativa.
 
Algum vândalo a surrupiou na calada da noite para vender a troco de míseros centavos e, desrespeitando a história de nosso bairro e de nossa cidade, uma placa de propriedade do povo e da Igreja de Santo Amaro.
 
Para tanto, sugerimos à sociedade constituída de santamarenses de diversos segmentos cobrar do subprefeito e da pasta de cultura, através do Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo, para a construção de um monumento a esse evento do “Último Bonde”, feito em mural, painel, de concreto e revestido em pedras coloridas nos moldes, aos Romeiros de Santo Amaro a Pirapora, localizado na Casa de Cultura de Santo Amaro e ao de Paulo Eiró, situado em frente ao teatro de mesmo nome, na Av. Adolfo Pinheiro.
 
Esse monumento seria localizado no Largo Treze de Maio, em um local onde não atrapalharia o trânsito e, melhor ainda, no adro da Igreja Matriz de Santo Amaro e também sem descartar o Largo Bonneville (porque esse nome?), antigo Largo São Sebastião, onde o bonde fazia o retorno nos últimos anos de existência.
 
Uma obra em perfil de base vertical de aproximadamente 6 m², ou seja, mais ou menos 2 m x 3 m, ou conforme o artista plástico, determinar em função de algumas conveniências. Este novo monumento viria a adicionar o acervo histórico, ao ar livre de nosso bairro, seria mais uma opção de cultura, delineando melhor o eixo histórico de Santo Amaro.
 
Para isso, nada melhor que contratar o artista plástico santamarense, que podia ser Algacyr da Rocha Ferreira, santamarense renomado, que é a continuação viva de seu mestre Júlio Guerra, ou a algum escultor que os dirigentes políticos indicarem por licitação.
 
E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 14/01/2014

Estan, primeiramente obrigado por suas palavras. Mas...quanta saudade. Viajei muito nessa linha de bonde e era divertido na hoje Vereador José Diniz onde não passava automóveis. Só o bonde passava por ali.

Acho que foi erro tirarem os bondes da nossa cidade, assim como também acabarem com nossas saudosas ferrovias. Esses meios de transporte deveriam ser modernizados e não extintos. Forte abraço.

Debrando.

Enviado por Debrando - cavinatohv@uol.com.br
Publicado em 14/01/2014

Ah!Esses vândalos.

Destroem tudo, não respeitam nada.

Gostava tanto dos bondes. Eu tomava o Gentil de Moura todos os dias para ir e voltar do trabalho,no centro.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 14/01/2014

Caro Estan, mais uma vez você nos trás curiosidades desse simpático bairro de Santo Amaro. Até pouco tempo, (aproximadamente uns cinco anos atrás)eu me lembro dessa placa afixada na fachada lateral da igreja de Santo Amaro no Largo Treze. É lamentável a extinção do velho bonde, que algumas vezes, cheguei a tomá-lo, com destino ao Instituto Biológico, onde ele fazia um balão e voltava novamente para Santo Amaro. O velho e saudoso bonde, que encerrou definitivamente suas atividades numa última viagem, pelos trilhos ainda com dormentes de madeira no seu percurso, para o querido bairro de Santo Amaro. Parabéns! Você é realmente um grande historiador das coisas de Santo Amaro e de seus fundões. Um abraço Grassi

Enviado por Roberto Grassi - jr_grassi@yahoo.com.br
Publicado em 13/01/2014

Estan, lembrei de quando era pequena e tomava o bonde lá Penha para ir na casa de minha tia no Tatuapé.Tomara que o novo monumento agrade a todos, parabéns pelo texto.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 13/01/2014

Belíssimo, Estanis, como sempre. Pena que eu não vi, mas adorava ouvir casos sobre os bondes em S.P. Pois é, o bonde teve que se render ao progresso, mas as imagens e a história fazem uma falta enorme. Parabéns, meu querido. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 13/01/2014

Sinceramente, Estan, foi realizada uma grande festa por ser o bonde 1543 o último a fazer a linha Santo Amaro. Esta festa foi a mesma, guardando as devidas situações de tempo e lugar, com a expulsão dos holandeses de Olinda. Que pena, quanto não estaríamos ganhando com a Holanda tomando conta do Brasil... deixa pra lá. Apesar de vc tentar justificar com alguns argumentos, raciocine comigo, Estan: Na Vereador José Diniz, onde o bonde Sto Amaro, juntamente com a Ibirapuera, passava o maior trecho, não estaria melhor com bondes ou o aéreo, como fizeram na Vila das Belezas? o bonde, esse meio de transportes limpo, correto, decente, econômico ainda em uso nas principais cidades da Europa e em San Francisco, nos "states", não seria uma boa opção?. Um dos seus argumentos é a lentidão dos bondes... vc já viajou de ônibus pela mesma via?

Veja bem, Estanislau, estou fazendo apenas uma simples comparação. Como todos os seus textos são sempre de uma qualidade inigualável, este justifica essa bela recordação em detalhar com precisão, a boa memória daqueles bons tempos. Me perdoe se fui muito acintoso, é que, até hoje não me conformo com a eliminação dos bondes. Um golpe puro e indigesto da industria automobilista, estrangeira, é claro. Com os holandeses não haveria essa mutreta. Entendeu a ligação entre os dois fatos? Um forte abraço, Rybczynski e parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 13/01/2014

Estan - Eu tinha apenas 12 anos que tomava esse bonde uma vez por mes, para buscar hóstia num colégio de Irmãs no Alto da Boa Vista. Lembro que era como uma linha de trem. Abraços ... Vou torcer para dar certo...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 13/01/2014

Adorava andar nesses bondes onde depois da Rua Américo Brasiliense os bondes para essa região rodavam por um trecho especial e que faziam com que eu me sentisse em um trem, pena mão ter havido um planejamento para que pelo menos essa linha permanecesse para sempre levando passageiros saudosistas para visitar a querida Santo Amaro, seria também um ótimo turismo a ser curtido em São Paulo. Parabéns Estan. por nos trazer de volta esse passado tão gostoso e saudoso.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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