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Categoria - Outras histórias Reverências ao “Divino” Autor(a): Abilio Macêdo - Conheça esse autor
História publicada em 10/01/2014

Como brinde de final de ano, um cliente nos enviou um lote de ingressos para um jogo no Maracanã, sábado, dia 28 de dezembro. Seria uma partida beneficente, organizada pelo Zico, com a participação de jogadores de diversos times e arrecadação revertida para instituições de caridade.

 

No dia, com a temperatura beirando os 40 graus, não tinha a menor disposição de sair de casa, e só fui mesmo porque combinamos que o pessoal me apanharia em casa.

 

Mas valeu a pena.

 

Não esperava encontrar o Maracanã praticamente lotado e o público em uma animação de final de campeonato.

 

Mas a maior surpresa foi identificar um jogador esguio, de cabelos brancos, que durante os 30 minutos que esteve em campo esbanjou a mesma categoria de sempre ao dominar a bola, driblar adversários e fazer lançamentos.

 

No começo, não acreditamos que pudesse ser ele. Devia ser alguém muito parecido, pois pelas nossas contas ele já deveria ter mais de 70 anos e os responsáveis pelo evento não iriam permitir que alguém com essa idade disputasse uma partida de futebol, com aquele calor, em um campo oficial e contra atletas que ainda estavam em atividade. Seria até uma temeridade.

 

A dúvida sumiu quando ele matou a bola com o calcanhar direito e com o pé esquerdo, por cobertura, inverteu a jogada para a outra lateral do campo, em um passe longo e preciso, milimétrico, nos pés um companheiro. O lance arrancou aplausos da torcida e de outros jogadores.

 

Era ele mesmo. Ademir da Guia, o “Divino”. O maior jogador da história da Sociedade Esportiva Palmeiras e um dos maiores de todos os tempos.

 

Foram dois os motivos que me levaram a escrever este texto:

 

Primeiro foram os comentários que ouvi de outros torcedores, reverenciando aquele grande craque, depois que o reconheceram.

 

Vou tentar reproduzir alguns, porque todos seria impossível:

 

- “É o Ademir da Guia. Ele era russinho do cabelo sarará. Ele foi o melhor jogador duas Academias do Palmeiras, a que tinha o Djalma Santos e a outra do Leivinha e Luiz Pereira.“

 

- “Eu vi um jogo quando o Flamengo vinha bem...com o time entrosa-do...invicto não sei quantos jogos......o meio campo era Calinhos Violinho e Nelsinho.  Aí pegamos o Palmeiras aqui no Maracanã. O Ademir acabou com o jogo. Foi um passeio. Dois a zero Palmeiras.“

 

- “Assisti Palmeiras e Náutico na final da Taça Brasil embaixo de um dilúvio. O Maracanã parecia uma piscina. Todo mundo dando chutão e se embolando na poça d’água e ele conduzia a bola petecando por baixo. O Palmeiras foi campeão e ele fez um golaço.“

 

- “Eu me lembro de uma manchete de jornal: Quem ganhou do Fluminense não foi o Palmeiras, foi o Ademir da Guia.”

 

- “No meio de campo ele engolia todo mundo. Eu já vi o Ademir da Guia dar passeio no Zanata, no Nei Conceição, no Liminha, no Denilson, o “rei Zulu” e até no Gerson. O Carlos Roberto do Botafogo uma vez falou que já tinha se dado bem até contra o Pelé, porque às vezes o “Negão” jogava mal, mas o Ademir da Guia sempre jogava bem e nunca deu refresco.”

 

O segundo motivo foi constatar que no dia seguinte ao jogo, enquanto os jornais do Rio deram o devido destaque a atuação de Ademir da Guia, além de entrevistá-lo, publicar suas fotos durante o jogo e quando atendia os torcedores da arquibancada, que o ovacionaram, além de depoimentos de outros jogadores sobre ele, os jornais de São Paulo, pelo menos os que mantêm páginas na internet, embora tenham feito cobertura do evento, apenas mencionaram seu nome como um dos participantes.

E-mail: abilio.macedo@bol.com.br
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Publicado em 25/01/2014

Grande ADEMIR DA GUIA. Foi o único jogador com quem fiz questão de sair em uma foto, ele já nos seus 68, 69 anos e eu 37 no espaço VISA do velho Palestra Itália. Saudades de um tempo de vitórias constantes.

Enviado por RONALDO MAZAROTTO - rmazarotto@hotmail.com
Publicado em 13/01/2014

É isso ai, Abilio, com Ademir da Guia em campo o Palmeiras nunca chegaria a "B", os títulos vinham coma facilidade de verdadeiros campeões. Narrativa muito boa, Macedo.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
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