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Categoria - Outras histórias Banco dos trouxas Autor(a): José Aureliano Oliveira - Conheça esse autor
História publicada em 10/01/2014
Na nossa época, os ônibus que nos levavam para o trabalho eram conhecidos pela maioria como “Poeirinha”. Da Felipe Camarão até a Rua Tuiuti tinha quatro quarteirões, onde eu o esperava no ponto inicial, que era em frente ao Colégio Espírito Santo. Era um ônibus todo amarelo da Viação Santo Estevam. Não existia ainda a Radial Leste e nem a Avenida Salim Farah Maluf. 
 
Ele seguia paralelo a Celso Garcia, subindo a Tuiuti, descendo a Rua Cristais, Restinga, Rua Herval, Largo do Belém, Vinte um de Abril, entrando no Viaduto Alcântara Machado, ao lado da São Paulo Alpargatas e seguia pela Rua Piratininga, saindo na Rangel Pestana até a Praça Clóvis Beviláqua, que era o seu ponto final (era mais ou menos esse o itinerário do ônibus). 
 
Não gostava de sentar no corredor do ônibus em razão do pessoal quase sentar no seu colo, de tão cheio que era. Na janela, tinha o problema do vento que fazia mal a minha sinusite. Sentava no banco ao lado da catraca, em frente do cobrador. Assim que me sentava já apagava, acordando somente no final do trajeto; às vezes, era acordado pelo próprio cobrador. Como sempre sentava e apagava. 
 
Na saída, esperava todo mundo sair, sendo sempre o último a pagar a passagem. Um certo dia, paguei a passagem e ao caminhar para a saída do ônibus vi que o troco estava errado. Voltei ao cobrador que logo justificou que a pessoa ao meu lado (ele desceu no meio do caminho acredito eu) me apontou dizendo “o meu amigo ali acerta quando descer”. Ia começar a discutir, mas como estava atrasado fui embora com o pensamento igual de um torcedor de futebol em relação a mãe do juiz.
 
Contando essa história para os meus amigos, surgiu o apelido desse banco como sendo “O banco dos trouxas”. Daquele dia em diante, voltei lá para a Celso Garcia, para o meu querido e sempre vazio “Penha Lapa” (risos). Senhorita Margarida Peramezza quer que eu segure a sua marmita - Mas que cavalheiro não acha? Abraços...
 
E-mail: joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
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Publicado em 15/01/2014

Como é bom viajar com você, José, pelas ruas de São Paulo. Pude relembrar um pouco algumas ruas. Gostei da sua gentileza com a nossa querida Marga rsrsrs. Abraços.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 13/01/2014

Hoje em dia o Banco dos trouxas e toda a rede Bancaria, onde pagamos os olhos da cara em taxas, para ficarmos expostos sem segurança a filas, saidinhas e cartões clonados. E eu pergunto você já comeu queijo duro? Pois saiba que não é mole.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 13/01/2014

José, gostei do seu relato, detalhes interessantíssimos, um texto gostoso de se ler. Tenho, porém uma dúvida com relação ao ponto do ônibus. Vc. diz que ia da rua Felipe Camarão a rua Tuiuti, andando 4 quarteirões. Conheço bem o trecho pois passava minhas férias na casa de meu tio, na rua Soriano de Souza, que começa (ou termina) na Felipe Camarão, encontrando a Tuiuti, logo após 1 quarteirão e não 4 como vc diz. Elegante texto, Oliveira, desculpe a observação.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 10/01/2014

Aureliano, andei muito de ônibus, mas essa não sabia, muito boa, o certo é não dormir no ponto ou seja no banco, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estantec@gmail.com
Publicado em 10/01/2014

Mas que malandro esse fulano.

Essa história de sentar e dormir, certa vez peguei o ônibus , dormi e fui parar no ponto final, abri os olhos com o cobrador mandando descer, ahah,tarde da noite tive de pegar o último de volta pra casa.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 10/01/2014

Aureliano, tô morrendo de rir! Naquele tempo os homens eram mais educados, davam o lugar para as mulheres sentarem no ônibus ou no trem.Hoje em dia não exite mais cavalheirismo, eles passam na frente até dos prioritários. Acho que não se fazem mais homens como antigamente.....rsrsr. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
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