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Categoria - Personagens A normalista Autor(a): Benedita Alves dos Anjos - Conheça esse autor
História publicada em 14/01/2014

Vira e mexe estou me lembrando de fatos acontecidos na minha juventude.

 

Naqueles anos em que a disciplina e a rotina faziam parte da minha vida e no corre-corre do dia a dia não dava tempo nem para tirar meia horinha de descanso; mal sentava no pátio já o sino tocava, para as tarefas cotidianas.

 

Tínhamos nossas tarefas diárias, seis meses em uma função, seis meses em outra.

 

Mas quando entardecia e o sino tocava para as vespertinas, dava uma dor no peito; talvez saudades da família, talvez incerteza quando ao futuro, mas olhava para a cruz e então as forças se renovavam.

 

Foi lá que eu adquiri uma carcaça de determinação e de fé e a certeza que com Deus tudo é possível, com Ele vencerei todas as dificuldades da minha vida, e a solidão é uma companheira inseparável; que mesmo no meio de muitas pessoas, eu me recolho e medito.

 

Mas hoje vou falar de Rosa; Rosa de Lima.

 

Eu estava nos meus afazeres e fui chamada para servir a sala de visita.

 

- “Benedita, leva um cafezinho para as visitas” (disse irmã Maria, a cozinheira).

 

E preparei a bandeja, toalha branquinha, quatro xícaras, algumas bolachas champanhe e lá vou, subo pelo elevador de visitas e quando chego na sala no primeiro andar, vejo uma jovem muito bonita, com malas de couro fino; as minhas eram de papelão.

 

Enxoval fino, bordados com esmero...

 

Saia de xadrez evazê, blusa de chiffon, cabelo tipo gatinho que era usado na época.

 

A Madre mestra das postulantes conversava baixinho com os pais, que ainda, em vão, tentavam fazer com que ela desistisse da ideia.

 

Filha única, com certeza devia ter muitos bens, mas não sei por que razão deixava o mundo para entrar na irmandade.

 

Devia ter uns 25 anos e logo já estava dando aula para os pequenos.

 

No mesmo ano foi para o noviciado em Santo Amaro e lá ficando o tempo de preparação, vestia hábito branco mas logo tomou os primeiros votos. Silenciosa, sorridente, nunca a vi de cara triste ou falar algo que ofendesse alguém. Por baixo da capinha um rosário que era desfiado constantemente.

 

Depois de certo tempo foi para a Itália, me contaram que havia ficado doente por causa do clima frio da Europa.

 

E ainda tenho nas minhas retinas tão fatigadas a imagem daquela jovem sentada embaixo dos pés de camélia, concentrada em um livro, talvez sonhando com o futuro...

E-mail: dosanjos81@gmail.com
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Publicado em 17/01/2014

Pois é... ela tinha vocação e seguiu. Que bom se todos fossem assim.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 16/01/2014

Benê, minha querida. Eu estava viajando e com alguma dificuldade no acesso. Agora estou colocando a leitura e os comentários em dia. Aos poucos estou me resolvendo. Obrigada pela lembrança. Um beijo, querida.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 16/01/2014

Olá Vera, como vai?

Sempre procuro nos comentários cadê a Vera?

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 15/01/2014

Lindo, minha querida Benê. Bom caso, recheado de humanidade, respeito e sonhos sim. Um beijo e meus parabéns.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 15/01/2014

Benê, você tem toda a razão para dizer : "POsso todasa as coisas n'Aquele que me fortalece." Fil.4:13

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 15/01/2014

É verdade Wal a gente pode fazer e muito pelo próximo.

Mas como a Margarida escreveu, são escolhas.

E ás vezes é muito difícil tomarmos a decisão certa.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 14/01/2014

Clésio, o nome dela teria sido em homenagem á Sta.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 14/01/2014

Benedita, temos o livre arbítrio portanto fazemos nossas escolhas, pobres ou ricos. Ela fez a dela e com certeza está fazendo o que gosta.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 14/01/2014

Eu não consigo imaginar como alguém pode fazer esta escolha de ir para um convento ou um seminário... Eu era criança quando tive uma vizinha na qual eu nunca mais esqueci que fez esta opção.Como pode alguém tão jovem deixar o calor da família do lar e partir para servir a Deus como diziam...Minha mãe nos falava que aqui fora se pode servir a Deus muito mais do que enclausurada e é verdade.Conheci seres humanos que fazem benfeitorias infinitas das quais não dá nem para saber ou descrever o quanto, e fazem com um prazer imenso...

Eu desde menina sempre pensei em casar,ter filhos e dar um mundo de conforto para minha mãe e irmãos,só não imaginava que eu poderia estender este conforto para tanta gente que me cercava ou que cruzou meu caminho em uma hora difícil, e eu pude estender minhas mãos para todos e continuo estendendo com muito prazer.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 14/01/2014

Arthur,o nome é Irmãs Missionárias do Coração de Jesus.

Naquela época Sto Amaro era um bairro novo.Passava um trem e a gente ouvia o apito.

Mas faz tempo, muito tempo...

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
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