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Categoria - Outras histórias Minha vida de marmita Autor(a): Margarida Pedroso Peramezza - Conheça esse autor
História publicada em 02/01/2014
Eu havia me formado no curso de formação de professores, o magistério, e cursava meu primeiro ano na faculdade, quando tive a oportunidade de lecionar em uma escola municipal no Itaim Paulista e em uma escola estadual, na Vila Nitro Operária, em São Miguel Paulista.
 
Minha rotina, naquele ano, havia mudado e meu dia estava cheio de atividades. No período da manhã era a faculdade, a tarde e a noite eram preenchidas pelas duas escolas. O translado entre a faculdade e as escolas eram feitos de ônibus mais os trechos que só podiam ser feitos a pé. Era uma correria e um desgaste grande, mas isso eu havia escolhido, então nada de reclamar.
 
Por ter que andar de um lugar para outro de condução, eu não aceitei levar a marmita que minha mãe me ofereceu fazer todos os dias. Eu não achava prático ter que levar muito cedo uma marmita para a faculdade e depois para escola no Itaim Paulista, onde eu teria um horário para almoçar.
 
Achei que poderia comer algo por ali mesmo perto da escola ou na saída da faculdade. Assim comecei a comer na hora do almoço uma besteira aqui, outra ali, e tudo era festa. Depois de um tempo é que veio o resultado, acabei ficando vulnerável por não me alimentar corretamente e peguei uma gripe muito forte que me derrubou na cama. Tive que tirar uma licença para me recuperar o que acabou por me conscientizar da necessidade de cuidar da alimentação. Com certeza aprendi a lição.
 
Quando voltei a trabalhar, após os cuidados da minha mãe, resolvi então comprar uma marmita redonda com divisão, uma mochila também redonda que coubesse aquela marmita e meus outros apetrechos e mudei a rotina, aceitando o carinho e conselho de minha mãe. 
À noite, minha mãe preparava minha marmita e deixava-a na geladeira. Pela manhã, eu colocava-a na mochila, daí seguia para a faculdade e depois para a escola. Lá, eu esquentava-a em banho-maria e depois era só saborear a comidinha gostosa da mamãe que me fazia tão bem.
 
Tive sorte da comida nunca ter azedado, principalmente nos dias de muito calor, porque ficava fora da geladeira a manhã toda, mas minha mãe embrulhava-a de forma que ela ficava bem fresquinha até eu chegar à escola.
 
Essa marmita me fazia tão bem, que nunca mais fiquei doente e adquiri muita força para dar conta de toda maratona do meu dia. Vale ressaltar que naquele tempo, não tínhamos vale-refeição, muito menos vale-transporte, tudo saía do salário que recebíamos no final do mês.
 
Levei marmita para o trabalho até me aposentar, acostumei tanto que não a deixava por nada deste mundo, com a diferença de que, depois de casada, eu mesma passei a prepará-la e isso aprendi com minha mãe.
 
Esta marca foi tão forte, que, quando minha filha começou a trabalhar, eu passei a fazer sua marmita e não deixar acontecer o mesmo que aconteceu comigo.
 
Nada fácil minha vida de marmita, mas foi a solução que encontrei para meu problema.
 
E-mail: margaridaperamezza@gmail.com
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Publicado em 15/01/2014

Marga, minha querida, eu também tive um tempo de marmita, mas durou pouco. Conheço bem a sua maratona, que nos deixa exaustas, mas com muitas crenças que também nos sustentam. Parabéns, amiga, por ter sobrevivido a tudo isso e sempre com muita dignidade. Um beijo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 14/01/2014

Marga, marmita com a comida da "mamma" é tudo de bom.com!

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 09/01/2014

Meu amigo Clésio,realmente eu teria pena se a nossa gloriosa Margarida tivesse nos contado que na vida difícil não tinha o que colocar na marmita (como foi o meu caso várias vezes na juventude)Mas voce acertou na palavra "pena" é o que sinto de mim todas as vezes que vejo alguém que foi ou é professor e eu nunca pude ser mesmo tendo sonhado com o magistério anos e anos da minha vida... Muita saúde e paz para voce em 2014/2015/2016/2017/2020/2030 etc...etc...Obrigado pelas coisas lindas que voce me repassa por e-mail.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 09/01/2014

Como todos sabem eu trabalho com meu ex:marido.No escritorio temos uma senhora que cuida da limpeza e faz o almoço para nós que somos em 10 pessoas,pois o local é um casarão antigo e com uma enorme cozinha

Temos feira na porta e eu adquiro todos os legumes frutas e saladas para a semana.Quando o almoço fica pronto eu já preparo a marmita do ex:marido para ele levar para o jantar e separo também uma salada,carne e legumes para mim pois a noite faço refeição mais leve,sendo assim nós dois levamos a marmita do jantar feito fresquinho no almoço e bem diversificada.E eu adooooro!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 07/01/2014

quando eu tinha 15 anos,fui trabalhar com o meu tio joao, ele tinha uma

MEGA OFICINA MECANICA, NA RUA ALBUQUERQUE LINS, OFICINA BOSSELO

eu levava a minha marmita com um delicioso almoço feito pela minha querida MAE,

COMO EU ERA FELIZ,E NAO SABIA,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 06/01/2014

Caríssima Margarida, nada como a "marmita" da mamãe. esse esforço de você lecionar em um bairro tão longe do centro da cidade, além das dificuldades, porque, não havia naquele tempo o vale refeição, ou vale coxinha, tornavam a vida do trabalhador mais complicado. Mas você venceu e superou com entusiasmo todas essas etapas graças à "Marmita da mamãe. Parabéns a você idealista e querida professora. Meus respeitos a você! Um abraço do Grassi

Enviado por Roberto Grassi - jr_grassi@yahoo.com.br
Publicado em 03/01/2014

Margarida, a boia fria da educação; fosse a Walquiria diria ter ficado com pena de você, risos. O texto foi bom demais.

Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 03/01/2014

O almoço preparada pela querida mãezinha é introcável, Marga, vc fez muito bem em conservar um hábito que nem todos podem gozar. Sua narrativa é um testemunho do agradecimento por ter, a sua disposição, um amor insubstituível. Parabéns, Peramezza.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 02/01/2014

Mas que história linda! Eu também fui um marmiteiro Senior. Desde que comecei a trabalhar como Ofice-Boy na Praça Padre Manoel da Nóbrega, ao lado da Praça da Sé, minha querida mãe preparava uma linda marmita retangular,de alumínio e colocava o feijão depois o arroz e em seguida a mistura que sempre variava entre alguns pedaços de carne, linguiças e até alguns "zoiudos" faziam parte da festa. Existiu uma época em que jamais deixava ninguem segurar minha marmita, pois morria de vergonha quando alguma menina pedia para levar a mesma e colocava na perna e em seguida exclamava: Nossa como está gelada! Quanta indelicadeza com nós marmiteiros que deixávamos nossas marmitas na geladeira. Bela época aquelas! Parabéns pelo texto, adorei! Feliz 2014!

Enviado por Luiz Carlos da Silva - lucasi__@hotmail.com
Publicado em 02/01/2014

Não havia ainda a obrigatoriedade dos refeitórios em muitas empresas e a solução eram mesmo as marmitas. Havia um lugar reservado para as bandejas enormes de Banho Maria, quem fosse chegando ia empilhando umas sobre as outras, até formarem verdadeiros “aranha-céus” de marmitas que eram devoradas com toda a “peãozada” espalhada pelos cantos das empresas. Por vezes algum engraçadinho fazia o furto de misturas e era um verdadeiro rebuliço. Hoje parece que não há mais esse tipo de situação e todas as empresas possuem refeitório ou usam o vale refeição usado nos pequenos (ou grandes) restaurantes, que “restauram” as energias.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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