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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Estripulias em dose dupla Autor(a): Julia Poggetti Fernandes Gil - Conheça esse autor
História publicada em 09/10/2013

Todo relato se passa na Rua Itacoarati - Vila Nair - Alto do Ipiranga, com exceção da visita à tia Leonor e S. Caetano do Sul.

Essa minha mãe contava sempre que tinha visita em casa:

Com mais ou menos um ano e meio, eu chamava a Silvia de Shia, como ela sempre foi mais forte que eu, era ela quem fazia as artes que precisavam um pouco mais de força.

A minha mãe guardava toda a despensa em um armário de madeira de duas portas e na parte de cima ela acomodava a louça. Tipo esses Itatiaia, mas de madeira.

Sempre ela pegava a Silvia abrindo o armário e nós duas fazendo a maior bagunça. Como ela via a Silvia abrindo as portas do armário era sempre a Silvia que apanhava.

Um belo dia ela me ouviu pedindo para a Silvia: “Shia, Shia abi, abi”.

Traduzindo: “Silvia, Silvia! Abre, abre!”

Quando ela conseguia abrir, nós tirávamos anil, uma vez ela nos encontrou com a boca toda azul de anil. Melhoral infantil que pensava que era bala, fora os pacotes de alimento que esparramávamos pelo chão.

Naquele dia, recebi minha parcela de surra.

Um dia, fomos visitar a Tia Leonor, em São Caetano do Sul- SP.

Chegando lá, vimos que a sala tinha umas cortinas enormes que iam até o chão, então eu a Silvia e nossas primas tivemos a grande ideia de nos balançar nas cortinas da tia Leonor, legal não é?

Só que veio tudo abaixo, trilhos, cortina etc...

Minha mãe ficou furiosa e ficamos de castigo.

Lembro que quando tínhamos por volta de seis anos de idade, nossos avós paternos disseram que viriam almoçar na casa de nossa mãe. A alegria e ansiedade foi tanta que, logo depois do café da manhã, subimos em cima do cavalete do registro de água que havia em casa e ficamos lá durante todo o dia esperando eles apontarem na esquina.

Minha mãe nos chamou para o almoço.

Mas que nada, nós queríamos esperar nossos avós.

Quando chegou mais ou menos umas 15h, minha irmã gêmea caiu do registro e ficou desmaiada no chão, até que a madrinha dela, a Dona Maria, que era nossa vizinha do lado esquerdo, apareceu no muro e me perguntou:

Julinha o que sua irmã está fazendo no chão?

Respondi: Acho que ela está dormindo!

Dona Maria: Mas com a cara nas pedras? (A calçada ainda não estava pronta e só tinha britas no chão)

Eu: É ela cansou de esperar o avô Pedro.

Lá foi a Dona Maria chamar a minha mãe, que estava na lojinha e realmente a Silvia desmaiou de fome. Minha mãe a carregou para dentro e estava com o rosto bem machucado.

O avô Pedro e a avó Maria não apareceram.

Naquela época ainda não havia telefone em nossa casa, não nos avisaram, ficamos muito decepcionadas.

Depois de um tempo meu avô Pedro faleceu.

Infelizmente, não soubemos o que é ter avós, pois quando nascemos os maternos já haviam falecidos e tivemos pouca convivência com os paternos.

Uma vez, a minha mãe pegou a nossa irmã mais velha fumando e começou a bater nela.

É bom lembrar que entre nós e ela temos 13 anos de diferença, então se tínhamos seis ela estava com 19 anos.

Quando vimos nossa mãe batendo nela, tiramos nosso chinelinho “Alpargatas Roda”, que meu pai sempre usava e comprava igual para todos (aquele de tecido com solado de corda), e começamos a bater em nossa mãe para defender a mana.

É lógico que aí minha mãe mudou o foco para as duas “pirralhas” que estavam batendo nela e consequentemente nós também apanhamos.

Era tempo de festas juninas, na rua (Itacoarati) não faltavam fogueiras e, lógico, nós fizemos uma em frente à lojinha da minha mãe, depois das 18hs a loja já estava fechada. Enquanto ela fazia o jantar, nós duas estávamos com outras crianças da rua juntando gravetos para a fogueira, que foi acesa com jornal.

Como o fogo estava apagando eu tive a “genial” ideia de pegar um pouco de álcool.

Para minha mãe não perceber, despejei o álcool em uma lata de tinta que achei na rua. Enfiei as duas mãos na lata com álcool e lancei a mão cheia de álcool na fogueira.

Nem precioso dizer que o fogo pulou para minhas mãos e eu entrei chorando para dentro de casa, depois de tratar a queimadura, foi bronca e surra.

Com certeza!

E-mail: gibajuba@yahoo.com.br
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Publicado em 16/10/2013

As histórias vividas pelos pequenos, talvez melhor fossem guardadas no coração, não fossem uma porta para revelar autênticos adultos;, esses que nos dão lições e nos ensinam respeitar os bons valores.

Enviado por Carijó (apelido no futebol) - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 16/10/2013

Abençoe Deus. Vocês duas eram fogo mesmo heim!!!!!

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcos.lour@yahoo.com.br
Publicado em 14/10/2013

Júlia,ô Julinha, dá um refresco prá mãe, criatura... Adorei o caso, interessante, motivador... mas para a mãe, deve ter sido bem cansativo. Um beijo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 09/10/2013

Julia, que infância movimentada, mas faz parte da vida. Espero que tenha aprendido a não brincar mais com algo.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 09/10/2013

Julia, no meu tempo quando as crianças faziam alguma coisa fóra da linha eram chamadas de "arteiras", pelo jeito voces duas eram terríveis! parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 09/10/2013

Estava com saudades das suas histórias...Se refletirmos hoje como avós que somos,acho que nunca teríamos batido em nossos filhos e nem nossas mães em nós.É minha amiga os tempos mudaram,e hoje aprendi a ser respeitada pelas crianças apenas com palavras...Também vejo muita diferença em travessuras de crianças com o máu comportamento

.Antigamente se levava chineladas por travessuras,hoje os filhos desrespeitam os pais e até os agridem e estes nem ao menos tentam dicipliná-los.Educar dá muito trabalho!!!e estes pais acham que depois melhora,mas só piora...Enfim não sou adepta a chineladas em criança,mas os pais tem que ser rígidos na educação.

Enviado por Walquiria Rocha Machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 09/10/2013

Dona Júlia, imagino quanto trabalho a senhora já não deu para o coitado do seu anjo da guarda.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
Publicado em 09/10/2013

Que gracinha de texto!

Travessuras de crianças.

E que perigo, brincar com fogo.

Enviado por Bene - dosanjos1950@gmail.com
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