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Categoria - Personagens Os técnicos dos meus velhos tempos Autor(a): João Felix - Conheça esse autor
História publicada em 03/10/2013

Nos meus velhos tempos de torcedor do bom futebol e deixando o “clubismo” de lado, lembro-me dos bons técnicos que cochilavam no banco e mesmo assim eram campeões. Porque quando se tinha um bom plantel como aquela seleção de 1958, em que o Vicente Feola era o técnico, não eram necessários esses jogos de números que são os sistemas modernos de hoje: 4 - 3 - 3 - 1 ou 4 - 4 -2 - 1 ou 4 - 4 - 1 - 2, e por aí afora.

Naquela época, lembro que jogávamos com o esquema tradicional, 2 -3 -5, em que, com os números na camisa, era indicada a posição dos jogadores, 1 goleiro, 2 e 3 eram os beques ou zagueiros, 4 e 6 médios esquerdos e direito e o 5 o centro médio. A linha era formada com o 7 ponta direita e o 11 o ponta esquerda. Aí vinha o 9, que era o homem gol, o centroavante ou “center foward”, e os meias 8 e 10 que eram ou os pontas de lança ou os armadores.

O técnico que menos me agradou foi o carioca Flavio Costa. Esse me fez chorar, eu tinha 15 anos naquela tarde tristemente inesquecível, em que perdemos a Copa em 1950 jogando em casa. Ele era bairrista, pois como era carioca só escalava jogadores do Rio e também era acusado de “clubista”, pois como era vascaíno ele procurava encaixar sempre um vascaíno na seleção. Na época, a melhor linha média brasileira era formada por Bauer, Rui e Noronha, e ele só escalava a linha média vascaína Eli, Danilo e Bigode e só o Bauer foi convocado como reserva. Depois de jogar em São Paulo no jogo com a Suíça, em que empatamos 2x2, não houve jeito de mandá-lo de volta para a reserva. Outra injustiça foi o paulista Cláudio, que era o melhor ponta direita do Brasil e nem foi convocado. Esse técnico foi um dos responsáveis pela nossa derrota na Copa.

Em 1958, o Feola era um mero assistente privilegiado, pois aquele time nem precisava de treinador e assim fomos campeões. Agora, lembrando treinadores que mudavam o jogo como em um passo mágico, lembro do Brandão, que era um técnico de visão, mais falante e mais moderno para aquela época e que realmente tratava de passar aos jogadores em campo sempre suas instruções e era um verdadeiro campeão. Tive o imenso prazer de conhecê-lo pessoalmente, mesmo porque ele evitou que eu fosse expulso de campo como já contei em uma crônica.

Já o Luiz Alonso Perez, o "Lula", que foi de padeiro a técnico do Santos com aquela verdadeira seleção dos anos 60. Dizem as más línguas que no vestiário jogava as camisas para o ar e quem pegava é que jogava. Que timaço aquele que só nos traz ótimas lembranças, mesmo sendo corintiano, admirei sempre esse time. Com o Gilmar e o Manga, Pagão, Pepe-Formiga, Mengalvio, Zito, Calvet, Dorval, Clodoaldo, Coutinho, Tite e o maior de todos: o "Pelé"; esse time realmente não precisava de treinador.

E aquele Timão dos anos 50, sem querer fazer comparações, mas que me trouxe muitas alegrias. Com Cabeção ou Gilmar, Murilo (ou Homero) e Olavo (ou Alfredo), Idario, Touguinha (ou Goiano) e Julião ou Roberto Belangero, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael (ou Carbone ou Nardo) e Simão, ou Mario, ou Colombo. Mas voltando aos técnicos dos velhos tempos, precisou que o Lula deixasse o Santos em 68 e viesse para o Corinthians para que pudéssemos quebrar aquele tabu que durou 11 anos (20 jogos) com o Pelé sempre arrasando o Alvinegro.

E com um gol do Flavio e outro do Paulo Borges vencer o seu ex-time. Mas temos boas lembranças do Lula, do Jose Casteli, o Rato, do Osvaldo Brandão o campeão do IV centenário, do Silvio Pirillo, do Aimoré Moreira do Renganeschi do Del Debio do Yustrich do Filpo Nunes do Cláudio Cristóvão Pinho, do Paulo Amaral do Jim Lopes, do Fleitas Solich, do Luiz de Morais o nosso "Cabeção" e tantos outros que não já não recordo os nomes, mas que nos deu tantas alegrias sem esquecer das tristezas.

E-mail: jfvilanova@gmail.com
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Publicado em 01/09/2014

Prezado Sr. João Felix,

Talvez Flávio Costa não foi o DT ideal para a Copa de 1950, mas ele tinha que escolher uma equipe base e o C.R. do Vasco da Gama era muito boa e tinha bons jogadores de fato.

Os problemas entre Rio de Janeiro e São Paulo sempre existiram no futebol.

Não foi ele que perdeu a Copa de 1950, e sim o "Oba Oba" da imprensa, e os políticos que não deixaram a equipe descançar e se concentrar para a partida.

Ele tinha na linha avançada bons jogadores, mas não pode contar com Tesourinha(machucado), mas o Ademir Maques de Menezes jogava nas 5 posições do ataque.

Com referência ao Ademir de Menezes, me faz lembrar um fato ocorrido quando tentei treinar na "peneira" do C.A. Ypiranga na posição de arqueiro(goal keeper).

Já tinha obtido a minha camisa quando o selecionador escolhia os 5 jogadores de ataque, então teve um garoto que levantou a mão em todas as 5 posições do ataque.

O selecionador disse ao garoto o seguinte:" Eu conheço somente um jogador que joga nas 5 posições de atacante, é o Ademir Marques de Menezes, e você não é ele".

O selecionador aconselhou o garoto a não voltar mais com essa atitude.

Abraços de Juprelle na Bélgica

Ademar

Enviado por AZLerose - mchale326@hotmail.com
Publicado em 01/09/2014

Caro Sr. João Cláudio Capasso,

Kubala (László ou Ladislao Kubala) de fato foi um grande jogador, mas já em 1953 Ferenc Puskás era superior, mas jogava na Hungria sem muita "exposição" para a vitrine do futebol mundial.

Como Puskás, Sándor Kocsis, Nándor Hidegkuti(jogava como um falso centro-avante estilo Tostão em 1970) eram pouco notados.

Tivesse o Barcelona contratado Puskás, como contratou Kocsis e Zoltan Czibor em 1956, e já contando com Evaristo de Macedo e Kubala teria um ataque melhor do que o Real de Madrid com Di Stefano & cia.

Abraços de Juprelle Bélgica

Ademar

Enviado por AZLerose - mchale326@hotmail.com
Publicado em 07/10/2013

o técnico rato, era meu vizinho ,na rua da consolação, ele morava na al, da itu. em 1953. o CORINTHIANS foi CAMPEÄO MUNDIAL INTERCLUBES,EM CARACAS NA VENEZUELA. LUIZINHO FOI O ARTILHEIRO COM 6 GOLS.

DISPUTARAM COM O BARCELONA, ROMA,SELECAO DE CARACAS, o BARCELONA, TINHA O MELHOR JOGADOR DO MUNDO, KUBALA,o ROMA TINHA GIGGIA, O HOMEM QUE CALOU O MARACANA EM 1950.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 04/10/2013

Caro Felix, bem lembrado ai dos antigos técnicos. Desde 1950 com a derrota para o Uruguai no Maracanã, a angustia tomou conta dos torcedores brasileiros, por isso o título de 1958 foi tão comemorado. Como torcedor vascaino, não gostei das observações feitas, mas procede, os cariocas sempre puxaram para seus jogadores. Um técnico para mim importante foi o jornalista João Saldanha, nos tempos da ditadura, que apesar de polêmico era competente!?. Futebol é isso, paixão. Temos também o conhecido Telê Santana que comandou o Brasil em 1982. Parabéns pelo texto.

Enviado por Carijó (apelido no futebol) - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 04/10/2013

Amigo Felix, com estes boleiros que você relembrou, até eu amigo, até eu era técnico.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcos.lour@yahoo.com.br
Publicado em 04/10/2013

Felix, vc me trouxe a lembrança amarga das cariocadas do Flávio Costa, naquele derradeiro jogo com o Uruguai. Nunca vi alguém ser tão severamente castigado por seu arrogante bairrismo. O pior é que, nós, torcedores, também entramos no "rolo".

João, sua excepcional memória, ainda "fresquinha", (a memória), citou nomes de craques que sabiam o que era UMA BOLA. Bacana sua crônica, John, citando Rafael, meu amiguinho de infância, no Braz, que saudade, e como ele jogava, João, era um espetáculo as partidas do São Vito, na várzea. Ele fazia o adversário sentar nochão, com seus dribles. O Nardo, também era do nosso tempo. Parabéns, Felix, um forte abraço, brother.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 03/10/2013

Meu querido João, lendo o seu texto fiquei rememorando as conversas do meu pai com um tio, e também falavam desses jogadores com muita admiração. Gostei muito do seu relato. Um grande abraço, meu amigo e meus parabéns pela estória tão bem contada - como sempre.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 03/10/2013

João, não entendo muito de futebol quanto mais de técnicos, mas valeu a leitura de seu texto e conhecer alguns técnicos antigos. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 03/10/2013

Grandes lembranças, realmente o que lemos do passado futebolístico, você descreveu bem, quantos jogadores injustiçados pelo bairrismo, seriamos heptacampeões se tivéssemos mais justiça, moralidade e simplicidade, acompanho o futebol após os anos de 1962 e dá para sentir o que você descreveu Felix, parabéns pela memória, Estan

Enviado por Estan - estantec@gmail.com
Publicado em 03/10/2013

Prezado João Felix, dois causos de técnicos dos velhos tempos:

Em 1957, Amauri, atacante do São Paulo, perguntou ao técnico Bella Guttman porque ele sempre dispensava Zizinho e Canhoteiro de suas preleções.

- Porque eu não tenho nada para ensinar para esses dois, eles sabem tudo de futebol. -Respondeu o treinador húngaro.

E completou:

- Aliás, estou pensando em dispensar você também de ouvir minhas preleções.

- Puxa! O senhor acha que eu também já sei de tudo ? -Perguntou o Amauri, entusiasmado.

- Não ! É que para você não adianta mesmo...

Depois de pendurar as chuteiras, o grande craque Tim (Elba de Pádua Lima), tornou-se treinador de futebol.

Uma tarde, quando dirigia um treino do Fluminense, em Laranjeiras, ele foi procurado por uma elegante dama da sociedade carioca, que com um cartão de apresentação do presidente do clube, levava seu filho para um treino de experiência:

- Meu filho não bebe, não fuma, não gosta de jogos de azar nem é de farras.

- Não se preocupe minha senhora, se ele passar no teste, aqui no Fluminense ele vai aprender tudo isso.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
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