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Categoria - Paisagens e lugares O deslocamento de indústrias, a cidade e a moradia em Santo Amaro Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 16/10/2013

Uma das coisas que mais prosperam no país é o setor imobiliário. A expansão paulistana no campo imobiliário demandou prédios de luxo na cidade, tanto de condomínios quanto de uso comercial, e que foram edificados em áreas nobres espoliando aqueles que tinham direito a estas áreas pela permanência de longevidade, foram desalojadas por despejo compulsório e indenizadas pelos valores venais dos impostos prediais. As favelas em pontos de interesse imobiliário, para valorização, estão sendo desalojadas num modelo de “arraste”, com demolições compulsórias ou por algum “acidente” no local, como no caso incêndios devastadores, que obrigam os antigos moradores a buscar outro local para continuar no mesmo sistema, mas longe do centro urbano paulistano. Não há política habitacional de Estado, mas uma demagogia de governos, com várias bolsas “miséria”!

São Paulo é um vasto canteiro de obras de alto padrão, nunca edificações para a classe operária, proliferando aglomerados humanos nos morros e mananciais em favelas. São Paulo não possui redes de esgoto e tratamento suficiente e lança esgoto sem tratamento nos rios e represas da Região Metropolitana.

O deslocamento de indústrias para o interior de São Paulo proporcionou um desemprego em massa, agravando ainda mais a situação da pobreza e miséria, onde o poder quer aplicar a “gentrificação”, uma higienização local na Metrópole de São Paulo.

Sua “desindustrialização” sistemática pelo deslocamento para outras cidades, que oferecem incentivos fiscais para nelas serem fixadas. Assim o polo industrial paulistano perdeu boa parte da produção industrial, cito como exemplo a região do extremo sul da capital, Santo Amaro: Rolamentos Scheffers, FAG, Metal Leve, Caterpillar, Bera, Chocolates Lacta, Baterias Durex, Kibon, Fundição Eletro Alloy, Kodak, Hartmann & Braun, Eletromar, Inbel S.A., Laboratório Le Petit, Bicicletas Caloi, Monark, Pial, Plavinil, Rubber Art, Squibb Farmacêutica, Laborterápica e todas subsidiárias de suas matrizes estrangeiras.

Outras já estão em vias de se retirarem definitivamente da região, no caso da Semp Toshiba. A lista é enorme desta desativação produtiva de São Paulo, em outras localidades, o sistema usou o modelo de "doses homeopáticas" para fazer da cidade de São Paulo unicamente centro de serviços, desarticulando todo o setor primário, sendo ainda um grande polo comercial provindo de mercadorias de várias partes do país e do mundo, que mantém até um mercado negro incontrolável e nocivo a produção nacional estagnada.

As indústrias de transformação foram embora de Santo Amaro, que um dia foi orgulho de um dos grandes setores industriais de São Paulo, agora recebe uma gama de prédios do setor imobiliário que ocupam atualmente as áreas das antigas fábricas, suporte anteriormente de trabalho em Santo Amaro.

E-mail: cafatorelli@gmail.com
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Publicado em 16/10/2013

Seria bom se essas indústrias viessem para minha cidade.

Uma cidade que é tão perto de S. Paulo, Piracaia a 85 km da capital.

Umas duas já estaria de bom tamanho, para uma cidade com pouco mais de trinta mil habitantes.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 16/10/2013

Nesse relato verdadeiro, incluo mais algumas empresas que sairam ou acabaram em Sto Amaro como Erwal, Piro, Engesa, Q Refresco, Taurus Revolveres, Giroflex, Micronal, Wapsa/Bosch,Fieltex, dá pena passar na marginal Pinheiros no Socorro e Sto Amaro e ver um vazio impressionante, onde agora começou a aparecer outros grandes empreendimentos, como condominios de luxo,e agencias de automovel e hiper mercados e um grande predio que dizem será a Shopping 25 de Março, o resto ficou na saudade, quem quiser saber , terá que ler no site SPMC, parabéns pelo tema, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estantec@gmail.com
Publicado em 16/10/2013

Neste seu relato, Fatorelli, temos um apanhado geral do "golpe" de outros estados, principalmente o Paraná, atraindo as grandes indústrias com incentivos fiscais, esvaziando nosso parque industrial. O governo federal deveria intervir nesse abuso, não permitindo esse método, impondo a estas empresas um imposto equivalente as diferenças alcançadas com as mudanças; já que é vantajoso esse deslocamento, que beneficie a nação, num todo. Sto. Amaro e São Paulo, em geral, foram prejudicados na queda da arrecadação.

Sua narrativa a respeito, está muito bem exposta, com detalhes significativos. Oxalá haja mudanças nessa anomalia.

Parabéns, Carlos.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 16/10/2013

Realmente, Carlos, essa mudança da estrutura urbana de São Paulo requer um olhar cuidadoso e crítico. Mudanças aceleradas, como o próprio ritmo da cidade, e uma sociedade que necessita respostas que nunca vêm. Excelente texto, como sempre. Um grande abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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