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Categoria - Paisagens e lugares A "Cróvis", do Charutinho... Autor(a): Rubens Cano de Medeiros - Conheça esse autor
História publicada em 27/03/2013

Ao longo dos anos, nós, paulistanos, acabamos por acostumar – com naturalidade - com a mudança até drástica da paisagem. Por conta de grandes obras. O que não causa comoção. Foi o caso da Praça Clóvis Beviláqua, que hoje pouco conta no cenário urbano - é só olhar no mapa. Não basta meu discurso. É ver no mapa de guia de ruas. Ou mesmo na internet.

O que é a Clóvis hoje. E, então, comparar com o que era. Uma foto que vi na Internet, de 1956! Meu tempinho de nove anos... E lembro bem, daquela Clóvis. Que era um terminal de linhas urbanas de ônibus. Para as zonas leste e sudeste. Só o Anhangabaú, à época, tinha tanto ônibus, se igualando. E ninguém falava "terminal". E nem mesmo o "Beviláqua": Clóvis, já bastava. Inconfundível.

O douto Palácio da Justiça, imponente - de corpo e alma. Antes, ele se situava "na frente" da Clóvis. No topo, para quem olhasse lá de baixo, da Rua do Carmo. Hoje, é só ver no mapa. Com as obras do metrô e a implantação da gigantesca nova Praça da Sé, o belíssimo prédio judicante mudou de lugar - sem sair do lugar! Pois passou a se localizar... Na Praça da Sé! A qual, engolindo a Felipe de Oliveira, espichou - onde antes era a Clóvis - até a Anita Garibaldi, que por sua vez virou Avenida.

Eu me lembro bem. A nova Praça da Sé quando entregue à população. O então prefeito Olavo Setúbal - emérito, sabemos - ele declarou. Que São Paulo estava ganhando um "Central Park", alusão ao de Nova York. Bem, se semelhança havia, era só a localização: tal qual o "de lá", era de localização central. "Central Park"? A nova praça?

A antiga Praça Clóvis. Enorme quadrilátero, cercada de ônibus por todos os lados. Filas de passageiros que adentravam pelos jardins, retângulos simétricos de vegetação baixinha. Eu, de moleque, vivi na pele esse infortúnio. A demora da condução. Não necessariamente na Clóvis: bondes e ônibus que demoravam uma eternidade, na João Mendes, no Cambuci, no Belém...

Árvores, naquela velha Clóvis Beviláqua, só no contorno. No "perímetro", as calçadas. Lembro, se é que estou correto. Que quando Adhemar de Barros prefeito (1957/61), a Clóvis ganhou um grande viveiro de passarinhos. E roseiras. Romantismo que sucumbiu perante a fuligem de tanto monóxido de carbono...

E os bondes da Clóvis? Ofegantes (os motores), da “subidona” da Rangel, desde a Companhia de Gás na Avenida Mercúrio, os bondes tomavam fôlego para então fazer o "balão" de retorno à zona leste. Roberto Simonsen, Wenceslau Brás e a curtíssima Irmã Simpliciana. Os bondes paravam em um cantinho da Clóvis. Assim foi. Com a chegada do metrô àquelas paragens, também "chegou a hora".

Da velha Clóvis Beviláqua. Emergindo gigantesca do grande quarteirão demolido (a partir da pioneira implosão, Mendes Caldeira), a nova Praça da Sé "devorou" a velha Clóvis. A qual restou nada mais que um ínfimo calçadão, três ou quatro “arvorezonas” só. Um chão de mosaicos, da saída do metrô até os pés do Poupatempo. Ou seja, um "espólio" de praça...

Sabemos que um glóbulo branco, um corpo estranho no caminho dele, o leucócito, o envolve e o "digere": fagocitose. A nova Praça da Sé fez o mesmo com a Clóvis: fagocitose arquitetônica. E então - nesse esforço conjugado de engenharia, arquitetura e biologia - era uma vez a "Cróvis", como falava o inesquecível Charutinho. E também outros tantos cidadãos. Paulistanos, é "craro"...


E-mail: rcm.rhda.sp@gmail.com

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Publicado em 04/04/2013 É! Foice a Praça Crovis. Que delícia mencionar o enesquecível charutinho. Adorei o texto. parabéns. MC Enviado por mary clair peron - clairperon@hotmail.com
Publicado em 03/04/2013 Tive uma vizinha que trabalhava ao lado da Praça
Clòvis,isto nos anos 60 .Quando nasceu seu 5º filho,talvez por simplicidade ela colocou o nome de Clóvis,pois ela admirava a praça.Passei anos ouvindo ela chamar o Crovinho para entrar e tomar banho ou fazer a liçaõ.
Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 31/03/2013 Rubens, sabe que a um tempo atrás eu passei ali e também estranhei. sumiram com a Praça Clovis, mesmo. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 31/03/2013 Ví no Google Earth. Chegou a dar vertigem no 'street view'. Enviado por Nelson de Assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 30/03/2013 A Praça de Sé e Clovis foram à passarela dos meus passos por alguns anos da minha juventude quando estudava na escola Roberto Simonsen, o (SENAI) bairro do Brás. A gente pegava o bonde andando na Irmã Simpliciana, ele dava uma parada na Praça Clovis e em poucos minutos estava descendo a Avenida Rangel Pestana em frente o prédio da secretaria da fazenda. Ele, o bonde descia célere, até perto do cine Piratininga, entrava a esquerda na Rua Vasco da Gama, e depois na Rua do gasômetro, ali eu descia. Pronto estava na Rua Roberto Simonsen onde ficava a escola do SENAI. Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 30/03/2013 Chico cantou: - Na Praça Clóvis minha carteira foi batida...tinha 25 Cruzeiros e o teu retrato. 25, francamente, achei barato para livrar de meu atraso de vida... Enviado por Luiz Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 28/03/2013 Nos meus tempos de ginasiana eu tomava o bonde Moóca 8, na Clóvis que me levava ao Firmino de Proença, na rua da Moóca. Seu texto, ótimo, me levou de volta àqueles saudosos tempos. Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 28/03/2013 Rubens, que texto incrível! Infelizmente foi isso que aconteceu e que você descreveu tão bem.Um abraço. Enviado por margarida peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 28/03/2013 Sr.Medeiros, todas as alterações trazem coisas positivas e negativas. Numa cidade grande como S.P. com tanta gente, o impossível consiste em tentar agradar a todos. Quanto à memória, essa não tem solução a não ser admirar fotos e filmes. Abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 27/03/2013 Amigo,Rubens não se esqueça do cine Santa Helena,
e do cine Cinemundy abraços.
Enviado por antonio pinto alves - toninho.palves@yahoo.com.br
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