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Categoria - Outras histórias Minha primeira vez Autor(a): J.Barbosa - Conheça esse autor
História publicada em 21/01/2007
Calma, já vou logo avisando aos que só pensam naquilo. Não se enganem com o título.
O assunto é sobre minha primeira viagem a São Paulo.
Eu devia ter uns dez anos, quando minha mãe resolveu tentar a sorte na capital paulista.
Morávamos em Arco Íris, e o lugar mais distante que a gente conhecia era Tupã.
Dos cincos irmãos solteiros, dois ficariam por aqui, a casa do meu irmão mais velho para onde iríamos, era pequena e não dava para acomodar todo mundo.
Numa tarde fria de junho, quatro horas antes da partida, já estamos plantados na estação ferroviária a espera do trem que saia de tupã as dez pra sete da noite.
Quando a velha locomotiva apitou pelos lados do trevo da Camap, o coração só faltou sair pela boca, tamanha era ansiedade e o medo de enfrentar a primeira viagem de trem e a metrópole paulista.
Havia muitas estórias sobre São Paulo. Crianças que eram roubadas das mães ao chegar à Estação da Luz. Trombadinhas com navalhas afiadas que assaltavam as pessoas a luz do dia. Tudo isso deixava a gente apavorado.
Com medo de ser assaltada ao chegar a São Paulo, minha mãe costurou no bolso da minha calça todo o dinheiro que a gente levaria.
Sempre brinco com meus irmãos a respeito desse assunto. Se eles fossem raptados na época não fariam muita falta, pois eles não valiam nada, eu sim, era o mais valioso dos três.
Após uma longa noite e muitos sanduíches de mortadela e farofa de frango, finalmente o trem chegou à Estação da Luz.
Aquilo tudo era assustador pra gente, aquele cheiro forte de óleo das locomotivas, a enormidade da estação da luz toda feita de ferro, aquela gente toda subindo e descendo escadas nos deixavam apavorados.
Meu irmão mais novo abriu a boca no mundo querendo voltar para nossa pacata Arco Íris.
O medo só dissipou, quando meu irmão, nos acenou lá dos altos da escada, pedindo que a gente fosse até ele.
Finalmente um rosto conhecido entre aquela assustadora multidão.
Após arrumar a bagagem na porta malas do carro, um DKV verde limão, “meu irmão ganhava a vida como motorista de táxi”, minha mãe sentou-se na frente, enquanto no banco de trás a gente disputava na cotovelada quem ficaria próxima a janela para admirar as passagens da São Paulo naqueles anos 70. Como as mulheres não tinham voz ativa como nos dias de hoje, sobrou pra minha irmã ir sentada no meio do banco. Meu irmão fez um tour com gente pela cidade, antes de pegar o caminho da vila Brasilândia nosso destino final.
Caipiras nascidos e criados em meios aos cafezais e sem nunca ter saído de Tupã, aquilo tudo era deslumbrante, ate mesmo para minha mãe que tentava mostrar naturalidade com toda aquela paisagem.
Avenida Paulista, largo Santo Bento, avenida são João, Anhangabaú, Campo de Marte, em cada local que a gente passava, meu irmão ia explicando os detalhes sobre cada rua, prédio ou bairro. Todos aqueles edifícios a perder e vista. Como pode morar gente numa altura dessas? Como fazem para secar as roupas? Tudo a gente queria saber em detalhes. Eu cada vez mais encantado com São Paulo, e com meu Irmão Juvenal. – Nossa como ele sabe tudo isso, eu pensava.
Minha mãe fez o sinal da cruz quando passamos em frente ao edifício Andraus.
Dois anos antes, no dia 24 de fevereiro de 1972 uma tragédia que durou 7 horas e 35 minutos, deixou 16 mortos e 345 pessoas feridas. Meu irmão contava com tanta riqueza de detalhes sobre o incêndio, que eu parecia estar vendo as chamadas lambendo as paredes do edifício.
O nosso encanto pela cidade grande foi se dissipando quando o carro se afastou do centro e adentrou os bairros mais distantes.
Quando chegamos à vila Brasilândia nossas fisionomias eram outra, chegamos a baixo de chuva. O colorido dos prédios, as ruas asfaltadas, as alamedas com painéis alegres, tudo isso tinha ficado para trás, como um sonho de uma noite de verão.
O lugar que a gente ia morar era horrível, sem asfalto, sem luz nas ruas e longe de tudo.
Nossa estadia na capital paulista não durou muito tempo, seis meses depois estávamos desembarcando na estação ferroviária de Tupã.
São Paulo! Cidade cosmopolita que se modifica a cada instante, que mantém vivas as suas origens e valoriza fortemente a sua pluralidade cultural. Para compreendê-la é preciso mergulhar na riqueza de seus detalhes na pujança da sua economia e nas reminiscências de um passado de conquistas

Continuo fascinado por São Paulo que nesse dia 25 esta completando 453 anos, depois de Tupã, pelo menos pra mim, é o melhor lugar do mundo.
Parabéns São Paulo.
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Publicado em 27/05/2009 Puxa! Que coincidência. saí de Arco-Iris com 10 anos para vir morar em São Paulo e tive a mesma sensação quando aqui cheguei. Morava na Fazenda com meu tio José Morábito um dos fendadores da vila e que construiu aquela Igreja com uma torre enorme e quando eu ia pra escola ele la do alto da torre me jogava dinheiro pra comprar doces. Tempo bom que não volta mais. Não sei sua idade, mas quem sabe até não moramos lá na época? Enviado por Elvira Osti Vieira - elviraosti@uol.com.br
Publicado em 14/07/2007 a sua historia e meio que parecida com minha primeira vez em são paulo.
ja faz um pouco de tempo, foi nos longincos anos 60.

grande abraço.
Enviado por Andrade - jmoreiraandrade@bol.com.br
Publicado em 16/06/2007 oi gostei muito dessa historia,vou copiar ela para guardar no meu pc...pois adorei ela!!!!
parabéns...tchal!
Enviado por taty - tatymodel@hotmail.com
Publicado em 22/03/2007 Estava xeretando pela internet, quando achei essa história bem legal por sinal. Mas a minha dúvida é o seguinte. Moro no Cafundó do Judas no Interior de São Paulo. Já estive em São Paulo duas vezes e como turista Universitária somente na região de Museus. Não Conheço Nda. Recebi Uma proposta de emprego e estudo. Porém estou com medo de aceitar pelo um único motivo. Morro de Medo de São Paulo. Suas Balas Perdidas ( que quase sempre não é perdida)Suas esquinas cheia de gente " esquizita", E o pior, custo de vida milhonário. Que dica vc me dá. Enviado por anna - anna.mouse@bol.com.br
Publicado em 21/01/2007 Bela e histórica aventura,Barbosa. Enviado por Luiz S.Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 21/01/2007 Bela história, caro barbosa. São tem disso mesmo: sua grandeza, seus edificios, a multidão sempre com pressa, tudo realmente assusta e encanta. Eu que nasce aqui, às vezes me surpriendo com essa opulência. Enviado por silvio de lima - festivalgramado@hotmail.com
Publicado em 21/01/2007 Todos nós, vindos do interior, nos deslumbramos com a capital.Linda e assustadora à primeira vista.
Um abraço
Enviado por Doris Day - dorisdaybrasil@gmail.com
Publicado em 21/01/2007 Barbosa, agradeço o hino de carinho que cantou a São Paulo nesta tua historia. Valeu! Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
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