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Categoria - Outras histórias Você trabalha no London Bank? Autor(a): Joabe Elias Barboza - Conheça esse autor
História publicada em 13/08/2012
“Joabe, parece que surgiu uma vaga, você vai iniciar no Departamento de Diretoria Geral no Brasil, se apresente neste endereço amanhã as 8h50!”. Quem disse isso foi a Mirian, chefe do Departamento Pessoal. Foi assim que iniciei minha trajetória dentro de um dos melhores bancos que já atuou no sistema financeiro do Brasil (atualmente ainda está presente no Brasil, mas só atuam na área de pessoa jurídica, suas agências resumiram-se a escritórios, Av. Faria Lima).

Trabalhar no Banco do Cavalo Preto (símbolo do Banco, um lindo garanhão negro correndo na praia), era um status naqueles longínquos anos 80, trabalhei lá por inesquecíveis 4 anos, ganhava muito bem, (quase o dobro do salário pago nos outros bancos, e ainda recebia o 14º salário), era uma maravilha, apesar de exercer a humilde função de contínuo, tudo era uma maravilha, quantos colegas, Julinho (popular Meinha).

Também escolhíamos o horário do almoço para ir até a z..., na Rua Cantareira, para olhar as garotas; éramos todos garotos, então, descíamos lá para olhar as garotas e brincar com elas e sempre estávamos com o estômago cheio; e Julinho “colou” em uma morenaça...

Sinto muitas saudades do time de futebol de salão que o Landão montou com os contínuos da portaria, eu joguei poucas vezes, nunca fui muito bom jogador, mas era uma alegria e uma gozação só, tinha a turma da cerveja, Japonês, bebia bastante e não jogava nada e queria jogar “bebo”, tinha o Waldir parecia descendente de índio, jogava muito e era meio quietão, tinha o Landão que mandava em tudo e “ai” de quem abrir a boca, ele era nosso chefe na portaria e montava o time, escalava, dava ordem e todos nós obedecíamos (era muito respeitado - grande Landão). Tinha também o horário do almoço, todos os contínuos ficavam sentados nos bancos que havia na Rua XV de Novembro, em frente ao banco de Londres; sentávamos todos nos bancos, hoje não existem mais estes bancos, eles estavam lá durante os anos 80, era muito bom apreciar as garotas cada uma melhor que a outra, todas muito bem arrumadas, afinal, aquela rua era só de bancárias e bancários, cada mulherão, era um verdadeiro desfile e, quando conhecíamos alguma, sempre havia aquela pergunta: “Você trabalha neste banco? Como conseguiu entrar?”

Realmente, foram anos de muita alegria e grandes amizades, tinha o Rodolfo de São Matheus (mentiroso que só ele), mas jogava muito, fico bravo com este apelido porque chegou em uma segunda-feira dizendo que tinha sido mordido por um escorpião aí não prestou, a turma logo começou com a gozação e o apelido ficou; tinha também o Nenê, chamado assim porque, no início, sua avó ia levá-lo ao serviço pelo motivo que ele era novo em São Paulo, era de Piracicaba, e não conhecia nada. Não prestou, todo mundo começou a chamá-lo de nenê da vovó, daí ficou Nenê; tinha também o Nascimento que morava na Penha, nunca tirava o paletó, podia estar 40 graus, lá estava ele com o paletó, era uma gozação; tinha o Carlão da Penha também, ele tinha uma ala na Escola de Samba Nenê da Vila Matilde e convidava todo mundo para desfilar na escola, é claro que pagando uma graninha pela fantasia, e ele ganhava muita grana, tinha dias próximos ao carnaval que em frente ao banco, na hora do almoço, juntava um monte de homens, todos procurando o Carlão da Nenê, vulgo "chupeta", a gente tirava um barato dizendo que tinha uma bando de gente querendo o dinheiro de volta porque não tinha recebido a fantasia, o Carlão queria morrer e dizia: “Vocês são todos lerdos, não entendem nada de samba”, era muito bom, riamos muito e as mulheres, a Suely secretária do seu Lazaro, que mulher; a Alice secretária do Dr. Perry, um escocês que tinha o rosto vermelho que nem tomate, a Alice era um espanto de beleza; a Carlinha da contabilidade que “pitelzinho”, quanto tempo se passou... E o uniforme era coisa boa: terno, gravata; íamos tirar as medidas na camisaria Colombo (é, a coisa era boa), e o refeitório... Que comida gostosa e a convivência com os gerentes ingleses que vinham ao Brasil para estagiar era um barato, os caras bebiam muito, tinha um que possuía uma garrafa de uísque na sua estante, o cara vivia bêbado, mas tudo era muito sutil.

Quando eu ia até a chefia do restaurante social fazer reserva de almoço para o Sr. Master era uma maravilhava, tinha uma senhora que era muito legal e sempre falava: “Entra Joabe”, eu ia até a cozinha do restaurante... Como era bom, comia de tudo, ela me dava petiscos, sucos, doces, não sei por que ela sempre me tratava assim, mas, quando eu estava acompanhado de um outro colega ela era até seca demais. Um dia ela disse: “Você é um menino muito educado, continue assim que você vai longe neste banco”, ela não era muito boa referente a previsões porque só fiquei lá 4 anos, mas, quanto a cozinhar era dez.

É... Tudo era muito bom naquele ambiente, o que era muito bom também era ver a Celeste, secretária da tesouraria, que loira... Sonhei muito com ela; e o clube de campo, as festas de fim de ano, ainda hoje tenho uma caneca guardada da festa da cerveja de 83, o clube ficava em Santo Amaro, se não me engano. Enfim, hoje o banco não está mais lá na Rua XV de Novembro, 185, bem ali, logo no começo da rua ao lado do prédio do banco alemão que também não esta mais na XV, o prédio do London mantém as mesmas características dos anos 80, outro dia passei ali e fiquei olhando aquelas inúmeras portas de metal, que todos os dias o contínuo que entrava as 9h50 tinha que abrir (eram automáticas, era só apertar uns botões na portaria), aí, se perdesse a hora, o Landão torcia o nosso pescoço.

Tinha também as ascensoristas, muito legais, e tinha uma morena linda, seu pai era juiz de futebol de salão, é... Eu adorava trabalhar naquele banco, mas cometi um erro e acabei sendo demitido, esqueci uma ordem de compra de ações dentro de um livro de protocolo e o cliente do banco teve um prejuízo lascado, voltei de férias e fui demitido, recebi tudo que tinha direito e até mais um pouco, abri caderneta de poupança, comprei carro na época, viajei, só tenho saudades daquele tempo, Banco de Londres, e o cheque tinha um cavalo impresso no papel era o símbolo do banco, era chique o negócio! Bons tempos. Valeu, fui feliz lá.


E-mail: jo.abril@hotmail.com
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Publicado em 27/01/2013 Ola Joabe... li sua historia e tambem matei saudades, trabalhei no banco 21 anos , meu setor era o de comunicações, ficava no 4.andar, o nosso continuo era o Joel (voce lembra??) tambem conheci algumas pessoas que voce citou, Sr.Lazaro, Maister, Miguel do RH, secretaria Sueli, voce lembra do Barney da Exportação...do Leão, do Miro, enfim nunca esqueçerei essa época e as pessoas que convivi, muitas saudades mesmo, quando passo por ali lembro de tudo, os bancos que ficavam na porta do banco,o bar Enviado por Aníbal Luiz Pereira - anilupe@yahoo.com.br
Publicado em 13/08/2012 Grandes lembranças Joabe, pena que acabou em demissão.Meu pai tambem foi bancario.Aposentou como advogado do finado Banespa Enviado por alexandre ronan da silva - alexandreronan@gmail.com
Publicado em 13/08/2012 Joabe, conheci muita gente do London.
Inclusive o Miguel, que era encarregado do RH era meu vizinho.
Enviado por Almir - almir1960@hotmail.com
Publicado em 13/08/2012 Alguem mais se lembra das meninas da zona da rua da Cantareira? Eu sempre soube que lá era a zona Cerealista.Isto é: onde se comercializava cereais.Heitor Enviado por heitor felippe - heifeltec70@globo.com
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