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Categoria - Personagens Os Imigrantes Italianos da Vila Matarazzo Autor(a): Ruth Maia Fugita - Conheça esse autor
História publicada em 26/06/2012
Minha avó Pierina Maestrello nasceu em Verona, na Região de Veneto na Itália, e chegou ao Brasil em 31 de outubro de1891, com quatro anos de idade, no Vapor Las Palmas, conforme consta nos arquivos do Memorial dos Imigrantes, conforme registro nº 09938.

Meu avô Ângelo Galastri nasceu no norte da Itália na cidade de Arezzo, região de Toscana e chegou ao Brasil em 19 de maio de1898.

Conheceram-se e casaram-se na cidade de Salto, interior de São Paulo. Tiveram quatro filhas e dois filhos. Posteriormente se mudaram para a cidade de São Paulo, onde meu avô, minha mãe e duas tias começaram a trabalhar nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, em uma fabrica localizada na Avenida Celso Garcia e passaram a morar na Vila Matarazzo no bairro do Belém na Rua Fernandes Vieira, que era uma vila para os funcionários da empresa e que existe até os dias atuais.

Quando minha mãe se casou, ela continuou morando com meus avós, onde nasceram meus dois irmãos mais velhos e eu em 1949 e onde vivi os meus primeiros quarenta dias de vida até mudarmos para Vila Antonina, pertencente ao bairro do Tatuapé.

Quando chegavam as férias escolares, eu e minhas primas revezávamos para passar uns dias na casa da nona, que continuou morando na Vila Matarazzo.

Na Vila Matarazzo todos se conheciam e, por isso, as pessoas eram muito acolhedoras. Tudo era muito limpo e organizado, o lixo era acondicionado em latas numeradas de acordo com cada residência e colocadas na entrada da vila em dias certos da semana. Após a coleta do lixo, as latas vazias eram disputadas e redistribuídas pela criançada às respectivas residências recebendo em troca balas e moedas. As casas geminadas eram amplas e arejadas e a casa de minha avó possuía cortinas de renda nas janelas e as camas eram adornadas com acolchoados de penas de galinha, uma tradição italiana. Na sala havia uma confortável cadeira de balanço, imensa para o nosso tamanho e um rádio colocado fora do alcance das crianças e que era ligado somente pelo nono para ouvir noticiários e programas esportivos.

Ao anoitecer era um hábito colocar cadeiras nas portas para bater papo com os vizinhos e contar histórias que, às vezes, nos apavoravam. Aos sábados se reuniam na casa de algum patrício para jogar tômbola. Aos domingos passeávamos na região da Quarta Parada, denominação referente à estação de trem, onde havia chácaras de plantação de flores e verduras. Ás vezes, íamos à Igreja do Largo São José do Belém, sem contar é claro com a tradicional e deliciosa macarronada, feita no maior capricho pela nona, acompanhada de um bom queijo parmesão e vinho, que para as crianças era diluído em água com açúcar.

Que Saudades!


E-mail: ruth.fugita@hotmail.com
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Publicado em 27/06/2012 sua historia è parecida com a minha,meu pai, era de arezzo,lendo sua historia vi q vc tem a mesma saudades q a minha, amor, uniáo,canto.
muitos dizem q somos idosos ultrapassado,è q juntamos sabedoria de hoje com experiencias do passado,bela historia. fique com deus.
Enviado por maria pia tiezzi mirabella - maria_pia21@live.com
Publicado em 27/06/2012 Bela história,a família de minha mãe é toda oriunda de italianos vindos de Rossano,na Calábria e de Napólis.Meu bisavô trabalhou e criou uma olaria de tijolos e residiu sempre no Bexiga.Gostei muito da forma que vc relatou sua infância e como era a Vila Matarazzo.Parabéns! Enviado por Ana Maris de Figueiredo Ribeiro - anamarisribeiro@ig.com.br
Publicado em 27/06/2012 Olha Ruth que coincidência, meu Nono chegou ao Brasil com 11 anos, vindo de Santo Antonio dele Pertice (Padova) e desembarcou em 14/11/1891 (estou com o registro dele agora em mãos) O navio era o Solferino, e a família veio para Amparo-SP e dois primos que vieram juntos foram para o sul, até já se descobriu que um foi parar na Argentina e que era o pai do ditador.O nome do meu nono é Luiz Peron.
Achei interessante que seu avô,o avô do Carlos, e o meu vieram no mesmo mês. Então fiquei espantada com o tanto de navios que chegaram naquele mês.
Parabêns pelo seu texto, é muito bom saber e contar a nossa história.
Abraço.
MC
Enviado por mary clair peron - clairperon@hotmail.com
Publicado em 26/06/2012 Meus filhos diziam: Casa da avó era o melhor lugar de se passear,quantas belas recordações eles guardam da avó taõ querida que tiveram... Hoje minhas netas dizem o mesmo!! Enviado por walquiria rocha machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 26/06/2012 Saborosa sua estória, Ruth! Eu conheci essa Vila e realmente parecia ser muito limpa, além de bonita de se ver!
Suas recordações são delicadas e singelas. Parabéns pelo texto! Abraço Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 26/06/2012 Valeu Ruth, tema recorrente animando aos leitores descendentes como eu. Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 26/06/2012 Linda história, parabéns. Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 26/06/2012 RUTH, SOU DA PENHA E NETO DE IMIGRANTES ITALIANOS DA REIZÃO DE LAZIO, PROVICIA DE FROZINONE, CIRCULAVA MUITO PELO BELENZINHO, E CONHECIA ESSAS CASAS QUEERAM RESIDENCIAS DE FUNCIONÁRIOS, ÉRA TUDO UMA FAMILIA CHEIA DE AMOR PARA DAR, CHEIA DE CALOR HUMANO, NÃO HAVIA INVEJA, UM AJUDAVA OP OUTRO, BELOS TEMPOS, BELOS DIAS, ABRAÇOS RUBÃO (PANACIONE) Enviado por RUBENS ROSA - RROSA49@YAHOO.COM.BR
Publicado em 26/06/2012 Bela história, uma coincidência é o ano da chegada em 1891: nossa família também é proveniente de Veneto e chegou a Santos em 17 de outubro de 1891 pelo “Vapor Santa Fé” e “foram divididos”, sendo uma parte deslocada para fazendas do sul de Minas Gerais e a que originou a “nossa” foi para o Paraná, depois trabalhando apenas por “morada e viveres”, pela mentalidade tacanha escravocrata dos fazendeiros que mantinham o regime do poder autoritário, entraram no interior de São Paulo, vindo para Catanduva, Taquaritinga, onde nasceu meu pai, e depois para São Carlos, fixando-se depois na capital paulista, no começo da década de 1940. Parabéns pela crônica e a todos “oriundi”! Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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