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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades 1947 - Brincadeiras de moleques Autor(a): Jayro Eduardo Xavier - Conheça esse autor
História publicada em 03/12/2006

Vila do Sapo, onde hoje é o final da Rua Jorge Chammas, perto do Detran. Além de brincar de esconder, brincar de "Mandrake, licença" e de caubói, haviam brincadeiras que exigiam certa perícia e os que se destacavam eram admirados e invejados pelos demais. Por exemplo:

Box - Consistia de um círculo de aproximadamente 80 cm de diâmetro riscado na terra e com um buraco no centro. Era jogado com bolas de gude. Para sortear a ordem dos jogadores, cada um 'estecava' (com a bolinha presa pelo dedo indicador, dava-se um golpe súbito com o polegar) sua bola em direção ao box ou buraco central. Jogava primeiro o que acertasse ou mais se aproximasse do box. Iniciado o jogo, cada um voltava a tentar embocar sua bola. As bolas iam-se acumulando dentro o círculo. Aquele que primeiro embocasse a sua passava a estecar a dos outros para expulsá-las do círculo. Quando conseguia expulsar a bola adversária do círculo, esta passava a ser sua. Quando não conseguia expulsar, perdia a vez e o segundo jogador reiniciava rotina.

Espeto - O espeto era feito de uma vara de ferro de 3/8" de aproximadamente 20 cm e com uma ponta afiada. O objetivo era cobrir uma distância pré-estabelecida em trajeto de ida e volta. O jogo era feito em solo duro e era iniciado pelo primeiro sorteado. Este tinha que atirar o espeto ao chão, cravando-o. Se cravasse, tomava o espeto e novamente o atirava. Cravando, traçava uma linha ligando esta marca à anterior e prosseguia até errar. Quando errava o adversário iniciava sua jogada na tentativa de cercar a trajetória do outro, de maneira a impedir sua progressão. No erro do segundo jogador, o primeiro tinha que sair do cerco feito pelo segundo para depois prosseguir. O que dificultava a saída do cerco era que só podiam ser feitas linhas retas ligando as marcas. A disputa entre dois sujeitos exímios podia levar um tempão e fazer verdadeiros labirintos. Aquele que conseguisse voltar primeiro ao ponto de partida era o vitorioso.

Caixeta - No centro de um círculo de aproximadamente 50 cm de diâmetro colocava-se uma caixa de fósforos em pé. Sobre ela eram colocadas as apostas, geralmente moedas de R$200 (duzentos réis). De uma distância de 10 passos os jogadores, atirando por ordem de sorteio, deviam acertar a caixa de fósforos e joga-la fora do círculo, ficando com as moedas que não saíssem do limite da circunferência. As moedas usadas para serem atiradas contra a caixa de fósforos eram os quatrocentões. Raras foram as vezes que tomei cascudos de meu pai, e quando isso acontecia, sou obrigado a reconhecer,os cascudos eram justificados, mas se ele me pegasse jogando caixeta seria surra na certa. Aquilo, pra ele, era jogo de azar.

Arco - Era necessário fuçar nos ferros-velhos pra conseguir um aro, fosse ele de bicicleta ou de velocípede. O arco era feito de um pedaço de arame grosso galvanizado ou de ferro de 3/8. A brincadeira consistia em correr manobrando o aro com o arco. Os mais hábeis faziam malabarismos e os mais velozes faziam o aro cantar pelo atrito com o arco. A atenção para com o brinquedo desviava a atenção com o caminho e, como andávamos descalços, eram freqüentes as topadas feias.

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Publicado em 19/11/2011 Jairo, além dessas brincadeiras havia a " mãe da Rua"," Balança Caixão","manda o Tiro Liro lá","corre cotia","escravos de Jó" e muitas outras
muito bom esse tempo.Eramos mais amigos.
Enviado por Sonia de Paula - depaula.arte@ig.com.br
Publicado em 26/04/2011 Na nossa infância não tinhamos : televisão,internet,video game e tanta parafernália existente nos dias de hoje.Por outro lado não tinhamos a violência intensa dos dias de hoje.Vivia-se e não se vegetava.Nas escolas o ódio não reinava,não havia agressões e não eramos discrinados.Na época de hoje tem se de tudo.Menos sossego.Muitas crianças hoje em dia não sabem o que é Paz.Se tivemos pouco em nossa infância,hoje sabemos, vivemos muito.O inferno era cousa do outro mundo. Enviado por MARIAZINHA - marialuizzzeto,@globo.com
Publicado em 14/10/2010 Havia muitas outras brincadeiras: Barra-manteiga ( crianças formando uma fila lateral, mãos espalmadas para cima e alguém batia nessas mãos e o que tinha sua mão batida, corria atrás do que bateu), boca-de-forno, passa-anel, telefone-sem-fio; jogo com bolinhas de gude, jogado como o escritor comenta, mas eram 4ou5 buraquinhos que formaram um "L".Rodas: as crian-ças de mãos dadas faziam uma roda que girava enquanto dos cantavam as cantiga Enviado por walter uhle filho - walteruhlefilho@yahoo.com.br
Publicado em 13/09/2009 Me elembro bem destas brincadeiras, inclusive gostaria de acrescentar ainda rodar pneus, que a gente pegava geralmente nos lixões e depois de rodar muito tempo ficavamos sujos com as mãos imundas, mas que era muito divertido. Enviado por gera - promoter-1@bol.com.br
Publicado em 23/11/2008 Jayro ...!!! também brinquei de arco, só que mais tarde um pouco (1955 ou 1956... 1957). Acho que voçê nasceu um pouco antes. Onde você brincou de arco? em que bairro? Abraços Antonio. Enviado por Antonio Jose Dias - toni_dias@hotmail.com
Publicado em 25/06/2008 O jogo de box do companheiro acima, é muito parecido com o jogo de búlica aqui no Rio de Janeiro. Existe a expressão "bola ou búlica" que é muito usada em todas as regiões do Brasil.
Eram feitos três buracos no chão com uma distância de 02 metros aproximadamente. Cada jogador com sua bola-de-gude tentava se aproximar do buraco primeiro e quem acertasse os três em primeiro lugar ganhava o jogo e as bolinhas dos adversários.
Enviado por luiz pereira - lps1964@gmail.com
Publicado em 10/07/2007 Jayro lendo esta história vejo quantas afinidades (do passado) temos. Comentarei o box e o espeto: No box os nomes dados por nós eram "triângulo" e tinha outro jogo o das três buricas. Tinhamos que primeiramente passar pelas buricas e depois apontar a bola adversária. Se o alvo fosse atingido a bola passava a ser sua. Quanto ao espeto, o jogo era feito com facas de cozinha com ponta. Você fazia o caminho até um ponto e voltava, deixando-o mais estreito possível para dificultar para o adversário. O jogador perdia a vez quando a faca não "fincava" e ficasse de pé.
Outra coisa, você é um cara super divertido!Abraços.
Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 03/12/2006 Dessas brincadeiras todas, só conheci o "Arco". Me lembro do meu irmão brincando com isso. E pensar que as crianças de hoje não conhecem tudo isso, não é mesmo? Mas de que jeito? Na rua? Não dá....
Um abraço
Enviado por Doris Day - dorisdaybrasil@gmail.com
Publicado em 03/12/2006 Jayro, brinquei todas essas brincadeiras, como era gostoso. Hoje a criançada nem imagina como viver naquele tempo era bom. Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 03/12/2006 Sempre fui pouco hábil para êste tipo de jogos.Felizmente,tinha outras habilidades,para compensar. Enviado por Luiz S.Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
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