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Categoria - Paisagens e lugares Estação ferroviária de XV de Novembro que não existe mais Autor(a): Joabe Elias Barboza - Conheça esse autor
História publicada em 15/05/2012
Ela sempre foi uma referência para todos os moradores da Parada XV e também para todos os moradores dos arredores da rede ferroviária. A Parada XV tinha a fama de ser um lugar perigoso, era um bairro que todos temiam, quando o trem parava na estação muitas vezes ouvia-se, entre comentários rápidos, frases como:
- é aqui a Parada XV,
- este lugar é perigoso.
Que nada o XV sempre foi um lugar maravilhoso.

Claro que na estação tinham ocorrências e alguns roubos no trem, mas eram coisas comuns em todos os trechos da ferrovia, não só na Parada XV. Brigas, isso tinha muito, também tinha pouco espaço nos vagões, homem e mulher iam juntos em um vai e vem constante, às vezes tinha um pouco de safadeza dos ”marmanjos” que acabava dando em briga, outras vezes era ciúmes de algum namorado que achava que o aperto sobre sua namorada estava demais e por isso acontecia a briga, só que tudo se resolvia na pancada e pronto cada um ia para o seu lado, tudo acabava na hora em que o trem abria suas portas e sempre apareciam os Policiais Ferroviários (que todos teimavam em chamar de policia federal).

Eu utilizei por muito tempo o trem das7h 15 para ir trabalhar, e voltava no das 18h 25 (verdadeiro “osso”, trem cheio não dava nem para respirar), se perdia o das 18h 25 pegava o trem Liturina que saia às 18h 45, era bem mais rápido, era “tipo” um trem expresso que saia do Brás e não parava em nenhuma estação até chegar à Itaquera, era muito rápido e muitos bancários, que trabalhavam na Rua Boa Vista e na Rua XV de Novembro no Centro, utilizavam este trem, era uma “beleza”, enchia de garotas maravilhosas e sempre rolava um clima, uns olhares, etc.

Mas este trem Liturina foi extinto e ficaram somente os trens comuns (por sinal são mais baratos, sinto muita saudades da antiga estação da Parada xv, parte da minha adolescência, anos 1974 até 1981), muitas foram as idas nestes trens para Guaiazes para levar algumas garotas embora, uma inclusive morava próxima a Chácara Paroquial, na época era só mato, onde hoje é a Rua Tupi em Guaianazes (hoje é um movimento terrível), muitas esticadas até Ferraz de Vasconcelos para frequentar o salão Safra (“um barato”).

Bem o trem sempre foi muito presente em minha vida, nas aventuras de minha mocidade como: o dia em que fomos tomar banho na lagoa em Aracaré - Linha Variante, íamos sempre e fazíamos um verdadeiro tur. Pegávamos o trem no XV para Calmon Viana, lá pegávamos o trem que ia pela linha Variante descíamos em Aracaré antes de Itaquaquecetuba, e passávamos horas nadando nas inúmeras lagoas dali.

Inclusive lá ficou a vida de um grande colega de escola que morreu afogado inexplicavelmente, pois ele era o que melhor nadava entre todos nós, ele tinha 15 anos. Sempre que passo por Aracaré olho em direção onde ficava a trilha que saia do lado da estação, era como uma pequena “picada” no meio do mato, ali tivemos momentos bons. Ficávamos com muita fome e comprávamos amendoim no trem para comermos (isto é quando alguém tinha alguma moeda (não pagávamos trem, nós “varávamos” a estação).

Bem o tempo se foi, a Estação também, só uma coisa não vai embora nunca: as imagens e lembranças que tenho guardadas na memória, o barzinho da estação que vendia um pastel delicioso (todo engordurado, mas que era muito bom), a corrida se equilibrando sobre os trilhos para não cair na caixa de água, quando “varávamos” a estação e o trem vinha chegando , sob o olhar do "Policial Federal", que não podia fazer nada, pois corríamos e “embocávamos” no vagão lotado, era como vencer uma maratona, poxa como era bom.


jo.abril@hotmail.com
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Publicado em 19/12/2012 bom dia eu gostaria de ve-la a estação de xv de novembro em foto na internet, eu er na epoca morador deste lugar, e por isto tenho muita saudade desta estação Enviado por norival - northamor@ig.com.br
Publicado em 17/05/2012 Grande joabe,vivi muito na Parada XV de novembro nos anos 60 a 69 quando mudei-me para Santos,joguei em todos times de varzea de XV Vila Brasil FC.meu amor.XV de Novembro,Guaianases,Santa Cruz,Itaquera Montepino ae Elite no qual me sagrei campeão itaquerense 65,até chegar no corinthians paulista joguei até no cornthians profissional,saudaudes de todos.Abraços Enviado por jose carlos passos - passos45@bol.combr
Publicado em 16/05/2012 Joabe sei bem tudo que você escreve, pois sou de Itaquera e pegava os mesmos trens que você.
Não perdia o trem para não perder o parceiro de sueca.
Grande pequena parada XV das festas de 15 de novembro e o salto dos paraquedas. Muito bailinho no salão da igreja. Bairro de moça bonita.
Também fiquei triste quando derrubaram a estação de Itaquera.
Grande abraço e continue escrevendo.
Enviado por Marcos Falcon - marcosfalcon@uol.com.br
Publicado em 16/05/2012 Eu ia todos os fins de semana para Suzano e quando o trem passava perto da estação XV de Novembro,era comum chover pedradas no trem. Eu procurava ficar sentado perto de uma porta , onde não havia nenhuma janela atrás de mim. Já teve até maquinista de trem que levou pedrada naquele trecho. Isso acontecia sempre entre a parada XV e Guaianases. Enviado por Tony Silva - silva.luiz2006@ig.com.br
Publicado em 15/05/2012 Recordações matreiras de uma estação de trem, muito bem detalhada, repleta de fatos curiosos e boas ocasiões pra se guardar na memória, como vc está fazendo, Joabe e muito bem. É sempre emocionante trazer pros nossos dias estas lembranças. Parabéns, Elias.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 15/05/2012 Olá Joabe tudo bem,voce me fez voltar ao passado bons tempos.quanto a Parada XV peguei muitos bailes na sociedade amigos(Sabiquina),os apertos no trem as vezes éra inevitavel,saudades do trem das 18:25 eu sempre tentava pegar o 18:10 mas quando eu olhava para aquele enorme relogio da raiovac se lembra?o mesmo já estava se movendo para marcar 18:12.Se nao me engano o liturina èra o mesmo dos estudantes? voce conheceu um policial negro(careca)de apelido lamparina,aquele era bravo tinha sempre a mão uma arma semelhante a uma metralhadora abraços. Enviado por Oswaldo Luiz Baptista de Campos - ba_deco21@hotmail.com
Publicado em 15/05/2012 Joabe, meus parabéns velho. Alguém como vc, viveu verdadeiramente a adolescência e a mocidade, seu relato termina com a frase " poxa como era bom" diz tudo nada a acrescentar. Abraços. Enviado por ISMAEL SANTOS - 'issanto@ig.com.br
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