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Categoria - Outras histórias A passarela, as meninas e a saudade Autor(a): Regis de Paula - Conheça esse autor
História publicada em 29/02/2012
Quando eu deixava o vestiário na parte térrea e corria ao elevador para chegar ao sexto andar, eu sequer me preocupava em tomar o café da manhã. Tudo o que eu queria mesmo era ver aqueles olhos repletos de magia que só encontrava no rosto alvo de Cristina.

Decerto que na fábrica existiam centenas de outros belos olhos e rostos, mas o olhar terno, um olhar carregado de mistério, pertencia apenas a Cristina. Às 18h soava o apito da fábrica de tecidos e calçados e, lá no andar térreo, eu ansiosamente aguardava o horário de almoço.

Assim comportei-me dia a dia por mais de meio ano, apenas a observando, não que o receio de quebrar a cara fosse maior que a minha timidez, acontece que na empresa também trabalhava Rosineide, na época, minha noiva.

Mas, eu me via envolto em paixão e juro que paixão igual novamente voltaria a viver, era uma coisa de juventude, sei lá, que coisa bela! Às 14h soava o apito, eu saía voando para o banho, depois, fora do prédio, fazia a travessia da passarela e do lado de baixo a via desfilar entre tantas outras beldades, mas eu só tinha olhos para Cristina...

Então no dia 9 de fevereiro de 1990 fui demitido, o meu noivado havia virado pó, nada restava senão guardar a sete chaves aquela paixão e seguir adiante.

Há dezoito anos resido no interior, curiosamente contraí matrimônio com a Silvana, uma moça que conheci na São Paulo Alpargatas S/A. Somos pais de uma linda menina e sigo a minha pequenina vida.

E das lembranças que a vida me deu - como diria o poeta, o som do apito, os bares e a passarela da Rua Dr. Almeida Lima, fazem morada em meu coração, bem ao lado da meiguice que eu via nos olhos de Cristina.


E-mail: regis_4867@hotmail.com
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Publicado em 04/03/2012 Sem palavras vc é o melhor...continua escrevendo as suas poesias ela nos da vida.... Enviado por Michele de Paula - micaamaisgata@hotmail.com
Publicado em 29/02/2012 Regis, seu amor platônico parece uma música de Chico Buarque, terno e rápido como a brisa. Abraços Sônia. Enviado por Sonia Maria de Paula - depaula.artes@ig.com.br
Publicado em 29/02/2012 Tá certo que vc ficou sem a Rosineide, virou pó mas e a Cristina, não vingou, também? Bem, isso é poesia, poesia não se esplica, lê-se e tire suas próprias conclusões. Parabéns, Regis.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 29/02/2012 Uhuuuu, menino, quanta sensibilidade! Lindo, lindo...
Parabéns.
Enviado por Cida Micossi - cida.micossi@gmail.com
Publicado em 29/02/2012 Regis, em um livro que escrevi, um personagem tem uma frase que diz: " Os amores, nem sempre são para serem vividos. Às vezes são apenas para serem sentidos." Nunca deixe de amar a Silvana, mas não se esqueça nunca da Cristina. Abraços. Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
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