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Categoria - Outras histórias Inteligência Virtual Autor(a): Newton Sismotto - Conheça esse autor
História publicada em 14/02/2012

No escritório, próximo ao Aeroporto de Congonhas, fico curioso por saber em qual praia do outro lado do Oceano Atlântico me encontraria no mesmo instante em que estou escrevendo. Traçando uma linha paralela ao equador em direção Leste e mantendo a latitude, a tela do computador mostra que eu estaria numa praia do deserto da Namíbia, o mais antigo do mundo.

Dou umas voltas pela capital desse país sentado confortavelmente neste pequeno espaço que ocupo. Tão longe (6.200km) e tão perto (70 cm). De volta a "realidade" me oferecem uma xícara de chá, cujo rótulo da caixa informa ser procedente do Sri Lanka (antigo Ceilão), o que me leva a conhecer o litoral de Goa, na Índia, sem sair do lugar. Aproveito e leio algo sobre a complexa religião praticada naquele país sem possuir na estante livro algum sobre o assunto e, já que estou no continente asiático, vou mais para o norte em direção ao Monastério Potala, em Lhasa no Tibet, onde eu fico extasiado ao percorrer suas muralhas.

O som das folhas causado pelo vento do lado de fora da janela chama minha atenção e traz consigo uma borboleta. Percorro então a estrutura microscópica de suas asas incrivelmente frágeis sem olhar num microscópio, e descubro que suas cores são devidas ao fenômeno de iridescência decifrado por alguém ha muito tempo. O telescópio Hubble mostra as últimas fotos do fundo do universo e as imagens obtidas por astronautas tiradas do espaço ao redor da terra mostram geleiras na Groenlândia, as quais observo bem de perto suas minúcias, vestindo uma confortável roupa de verão. Sou convidado para ir a um supermercado em Moema. Entro num amontoado de metal, vidro, plástico e líquidos que me transportam velozmente por vários quilômetros sentado sem mover um músculo. Retorno a minha janela virtual. Vejo o tempo congelado nas fotografias de São Paulo antigo do século 19, tiradas por Militão Augusto de Azevedo, paisagens e pessoas que não existem mais. Toca o telefone e uma pessoa que está no bairro da Bela Vista do outro lado da cidade conversa comigo.

Aperto um botão e ouço uma orquestra sinfônica sem ter nenhum músico por perto. Sinto um perfume de jasmim, mas o cheiro não é mais exalado por uma flor e sim por um frasco de vidro. Vejo na TV cinco pessoas cansadas sendo elevadas a diferentes alturas nesta montanha de concreto onde moro, cada uma conduzida verticalmente em direção ao seu merecido repouso.

Meus pensamentos conseguem comunicar idéias através de símbolos gráficos transmitidos pela corrente elétrica a vários locais desta metrópole e deste país, que funcionam como se eu estivesse em pé, aí ao seu lado conversando.

A revolução industrial alterou radicalmente o meio e o modo de vida do homem. Certamente, com a tecnologia avançando mais e mais sobre a mente humana, o homem também será alterado radicalmente tanto quanto o seu meio e modo de vida. A ficção científica de ontem é o fato de hoje.


E-mail: newton_sismoto@hotmail.com

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Publicado em 15/02/2012 Literal e poéticamente, "viajou". Parabéns pelo texto. Enviado por Cida Micossi - cida.micossi@gmail.com
Publicado em 15/02/2012 Sismoto, sua excelente a sua narrativa! Bem diferente daquela da pescaria que você escreveu.risos. Parabéns ! Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 15/02/2012 Newton, fico pensando... será que estarei aqui quando isto acontecer? Minha mente, vacila entre eufória e medo.Não sei se quero isso para mim.Abraços Sônia Enviado por Sonia Maria de Paula - depaula.artes@ig.com.br
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