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Categoria - Outras histórias Vida moderna Autor(a): Newton Sismotto - Conheça esse autor
História publicada em 29/01/2012

Após trabalhar 36 h, com interrupção apenas para pequenos cochilos, saio em direção à minha casa, mas antes decido passar no Shopping Morumbi para revelar umas cópias de fotografias que eu teria que devolver.

Estava em frangalhos, estressado, com os olhos vermelhos, não vendo a hora de tomar um banho e relaxar. Chego ao Shopping, paro o carro, revelo as fotos e volto para o estacionamento.

Ando para a direita, para a esquerda, para frente, para o lado e não acho o maldito carro. Procuro o auxílio de um ronda de motocicleta do shopping e ele pergunta:
- “Qual é o seu carro?”
- “Um Santana preto”.
- “E qual é a chapa?”

Gaguejando de vergonha eu digo:
- “Bem, olha para falar a verdade eu não me lembro”.

Gentilmente ele diz para eu ficar no lugar, não sair que ele, de motocicleta, iria localizá-lo. Sai e volta dizendo que naquele andar não havia nenhum carro desse tipo, mas que passaria um comunicado por rádio para que os outros "rondas" dos demais andares também o procurassem.

Acharam um modelo igual no andar de baixo. Agradeço e me dirijo para lá desconfiado, por que eu tinha a impressão que não havia nenhuma laje acima, pois eu acreditava que havia parado no último piso.

Aproximo-me do carro e vejo que não era o meu. Conclusão: roubaram o meu carro! Sou orientado a ir conversar na administração onde um sujeito brutamontes acompanhado de outro fortemente armado me informa que isso era raro acontecer, mas já aconteceu.

Ele me orienta para registrar uma queixa na administração e outra na delegacia de polícia próxima e retornar com uma cópia do boletim de ocorrência. Dá-me um formulário que começa perguntando qual é a chapa do veículo. Novamente gaguejando digo que não me recordo e ele pergunta:
- “Você não tem um documento do carro?”

Pensei comigo mesmo: “É claro que tenho. Como é que eu não pensei nisso antes?”. Puxo o documento meio sem graça e sai... O do Fiat! Aí a casa cai. Senti uma onda de calor, um comichão passar pelo meu rosto. Explico que eu trabalhara tantas horas, estava cansado, estressado e que na verdade eu estava com um Fiat.

O brutamontes então comunica por rádio as características do carro e o Fiat é localizado. Nisso chegam duas senhoras que também não achavam o carro.
Novamente ouvi a mesma pergunta:
- “Qual a chapa do carro?”

E novamente ouvi de uma delas a resposta:
- “Não sei, não me recordo” - com um olhar de desespero dirigido a minha pessoa e outro para sua companheira, que repetia:
- “Como não sabe? Como não sabe?”

Com ar de reprovação, olho para o chão, balanço a cabeça para um lado e para o outro e faço com a voz um “tsc, tsc...”.

Saio e sigo pela Avenida Vicente Rao em direção à minha casa com uma sensação de quem está precisando de férias. Estranhamente identifico dentro do carro alguns objetos da minha esposa, que não me recordo haver colocado lá.

Deixo o carro na garagem, subo com os objetos que estavam dentro, tomo o fatídico banho, saboreio um suco de laranja, relaxo no sofá, e ligo a TV, quando após algumas horas entra minha esposa nervosa dizendo que havia ido ao Shopping Morumbi, ficado um tempão procurando o Fiat, que tinha certeza que tinha ido com o Fiat, que não estava ficando louca, mas descobriu que na verdade estava com o Santana, pois o encontrou parado no estacionamento sem seus objetos deixados dentro do carro, acreditando ter sido furtada por deixá-lo destrancado.

Como marido compreensível que sou, recomendo que ela tome um bom banho quente, relaxe, prometo fazer para ela um suco de laranja e explico que provavelmente ela havia deixado os objetos pessoais em casa e que a ajudaria a procurar mais tarde, o que ela me obedeceu reclamando um pouquinho.

Após um mês, passamos 18 dias mergulhando nas barreiras de corais da divisa de Pernambuco com Alagoas. São Paulo é mesmo uma cidade muito complexa e estressante.


E=mail: newton_sismotto@hotmail.com

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Publicado em 01/02/2012 Muito comica a sua historia e muito comum de acontecer hoje em dia pois com tantos carros da mesma marca cor e acessorios a gente se confunde.Aqui donde moro os velhos colocam objetos para sinalizarem seus carros nos estacionamentos, como um ramalhete de flores coloridas na antena, ou bichos de pano no painel etc.Eu tenho uma bolinha de futebol na ponte da antena.Mas boa mesmo e o daquele sujeito que sai do seu predio e da de cara com seu carro coberto de neve e comeca a limpar o para-brisas.Raspa o gelo do vidro congelado, tremendo de frio e nao vendo o momento de entrar no carro para se aquecer, e quando aciona o botao eletronico as luzes e a busina do carro da frente coberto de neve tocam para o seu desespero.Os dois eram da mesma marca e cor.Limpou o carro errado coitado.Teve que comecar tudo outra vez.rs rs. Abracos Felix Enviado por Joao Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 29/01/2012 Dei boas risadas com sua história Newton! Marido compreensível, sei sei... marido bom de bico, isso sim! rsrsrsrs... Me lembrei de uma outra história do Arthur Miranda (O Astra maldito - 28/07/11), onde seu amigo Carlito, recebe no estacionamento um Astra preto e vai com ele embora para casa, sem perceber que o manobrista tinha dado um Astra idêntico, só que não era o dele, está armada a confusão! Vale a pena ler. Abraço! Enviado por Hugo Morelli - hugo.morelli@hotmail.com
Publicado em 29/01/2012 Newton
Que história rapaz! Duas entortadas numa só.
Mas não tem nada não isso faz do stress da cidade grande e a tal da modernidade. Bem merecida suas férias. Fiquei com ingeja positiva em mergulhar.
Certa vez fui fazer compras na Sta Efigenia e passei por um senhor de 65 anos. Ele estava vem vestido mas sentado na calçada chorando, copiosamente. Passei ao largo, mas logo voltei.
Ele era de Piracicaba. Nao lembrava onde havia estacionado seu carro depois de 2 hrs procurando... Acontece!
Enviado por Luiz Carlos Marques - Luigy - - luigymarks@uol.com.br
Publicado em 29/01/2012 Newton, que "salada" heim !!!! Acho que ainda você está estressado...pois nem lembrou o nome da cidade de MARAGOGI...rsrsrsrsrs - abraços - Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - flaviojrocha@bol.com.br
Publicado em 29/01/2012 Enredo para uma ótima tragicomédia, Sismotto, mais comédia do que trágica. Bem contada, essa história vai pros anáis dos contos inverossímeis. Muito bem relatado, Newton, parabéns.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 29/01/2012 Magnífica crônica urbana.Esses dias, coincidentemente, também "perdi" meu carro no mesmo Shopping Morumbi. Nunca esqueço de memorizar onde deixei o carro, mas justo num dos maiores estacionamentos da cidade eu o fiz. Não sabia nem em qual piso havia deixado, mas por sorte acabei encontrando sem precisar socorrer-me dos guias motorizados..rsrs Parabéns pelo texto, um abraço Enviado por Igor Nitsch - igornitsch@hotmail.com
Publicado em 29/01/2012 Um professor meu, do Supletivo Santa Inês, contou que certa vez mobilizou toda a Polícia de Santo Amaro para tentar localizar o seu Fusca novinho em folha, que havia sumido perto da pizzaria onde tinha ido à noite. O carro foi encontrado exatamente no mesmo lugar onde tinha estacionado. É que à noite a cor do carro simplesmente mudava de tom por efeito da mudança de luminosidade e ele achou, à primeira vista, que aquele Fusca não era o seu. Quase morreu de vergonha. Enviado por Tony Silva - silva.luiz2006@ig.com.br
Publicado em 29/01/2012 No último fim de semana ví no shopping um homem tirando fotografia com a camera digital das letras e números do andar em que ele estava no estacionamento...pode ser a solução. Enviado por newton - newton_sismotto@hotmail.com
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