Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Segunda primeira história de Natal! Autor(a): Iara Schaeffer - Conheça esse autor
História publicada em 18/01/2012
Para quem leu a minha primeira crônica aqui vai gostar de saber a história da bicicleta que rodava pelas ruas de Moema!

Essa seria a primeira história de Natal, eu tinha ai uns 13 anos e, apesar de saber beijar na boca e saber sentir aquele frio na barriga quando isso acontecia, eu também amava brincar de casinha.

Por incrível que pareça fiz isso até os meus quinze ano,s quando então recebi a visita de um primo postiço que morava no Rio de Janeiro e me pegou de supetão ninando um boneca! Desde esse episódio embaraçoso e de ouvir aquelas palavras irônicas:
"- Você ‘aiiiiinda’ brinca de casinha?"
Acabou. Nunca mais brinquei de boneca!

Então, voltando ao Natal, a novela que estava passando "A moça que veio de longe", a protagonista nunca tinha ganhado uma boneca na vida, e, logicamente, o seu príncipe encantado Helio Souto comprou uma boneca chamada “Amiguinha”. Ela tinha quase um metro de altura e era o sonho de quase toda menina da época, o meu inclusive. Foi assim que coloquei na cabeça que queria ela de Natal, mas sabia que era muito cara e meus pais talvez não a pudessem comprá-la.

Na semana da segunda parte do salário mínimo, lá foram meus pais e eu rodar a cidade à procura dos presentes de Natal. Olhei a tal da boneca amiguinha em todas as lojas que visitamos, acariciei, beijei e abracei, mas o preço era danado, não vi nenhuma intenção de comprá-la nos olhos deles. Foi então que vi uma bicicleta linda de morrer em uma parte da seção de brinquedos do Mappin. Uma Caloi branca e dobrável, maravilhosa! já conseguia até me ver pedalando, correndo, indo buscar minha mãe no trabalho, corridas com os meus amigos, buscar canudinho de mamona no córrego, etc. Gente fiquei ali parada sonhando. Sabia que ela seria mais cara ainda que a dita cuja Amiguinha. Não tinha jeito precisava bolar um plano. A minha vontade de ganhar uma boneca era muito grande, mas a bicicleta...

Passeando então entre as prateleiras da Mesbla, enquanto meus pais se divertiam olhando mesa e cadeira, uns olhos azuis vidrados estacionaram nos meus. E ela era lindinha, loirinha, bochechuda e metade do preço da outra. Ela se chamava Broto, abria e fechava os olhos o que queria dizer que ela podia dormir à noite comigo e ainda brincar de dia... “Hummm”, Mas e a bicicleta? Daí veio a idéia! E se meus pais comprarem a bicicleta para minha irmã, e a boneca pra mim? Logicamente precisava convencer eles de que ela gostaria de ganhar uma bicicleta para meus pais comprá-la. Eles iriam até sentir orgulho de mim querendo um brinquedo melhor para a minha irmãzinha. Mas como eu sei que minha irmã não gosta de andar de bicicleta, eu vou poder andar com ela, e com a boneca.

Foi assim que naquele Natal o presente mais reluzente e maior de todos era o da minha irmã, mas quando eu olhava para os pacotes lá de baixo, eu via dois diamantes preciosos e eles eram todos meus!

Na mesma hora desmanchei aquele pacote da minha menina linda e loira de olhos azuis, consigo até hoje sentir aquele cheirinho de boneca nova. Quando olhei para minha irmã, vi que ela não tinha gostado muito do presente, mas mesmo assim pedi a bicicleta emprestada (primeira vez de milhares) e fui na casa dos vizinhos pedalando com a boneca debaixo do braço, afinal eu tinha que mostrar a boneca para minhas amigas e lógico eu disse que a bicicleta foi presente para minha irmã.

No dia seguinte minha mãe estava toda nervosa porque a minha irmã não parava de chorar porque o papai Noel não tinha trazido o brinquedo que ela queria. Nossa fiquei com muito remorso, assim conversei com ela e descobri que o que ela queria mesmo era um boneco chamado Gugu. Era a sensação do momento! O boneco que tomava mamadeira e fazia xixi! Fui até a Frassati (crédito para a minha amiga Iná, que se lembrou do nome) que ficava na Jandira. Perguntei se eles tinham o boneco e quanto custava, e voltei pedalando lógico. Quando contei para minha mãe, ela ficou um pouco contrariada mas concordou em comprar o tal bebê e no final, minha irmã ficou feliz com o boneco dela que custou um terço da minha boneca e centavos em comparação com a bicicleta! Fiquei muito satisfeita com a bicicleta, a boneca e uma consciência "limpinha" de criança traquina!


E-mail: iara.schaeffer@gmail.com E-mail: iara.schaeffer@gmail.com
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 22/01/2012 Ah...eu acho que você era a irmã mais velha, certo ? A mente das crianças fervilha nessas horas...o desejo torna-se imenso né ? Legal, mas a sua irmã alguma vez soube disso, pimentinha ? Enviado por newton - Nwton_sismotto@hotmail.com
Publicado em 19/01/2012 Gostei do ritmo da sua estória (e dela também)! No final,tudo saiu melhor do que o esperado, não)?
Abraço
Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 19/01/2012 Iara, você é " zoio junto" oh! menina danada, pensei que eu é que era impossível quando tinha a sua idade, porém vejo que você ganhou de mim . Vai enrolar os outros lá longe kkkkkk(risos)
brincadeirinha, vc é das minhas. Abraços Sônia.
Enviado por Sonia Maria de Paula - depaula.artes@ig.com.br
Publicado em 18/01/2012 Bonita e simpática história de Natal, Iara. Relembrando sua infância, vc se alegra ao reparar a pequena injustiça cometida. Valeu pela sinceridade e simplicidade do enredo e pela bela escrita. Parabéns, Schaeffer.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
« Anterior 1 Próxima »