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Categoria - Outras histórias Avenida Aratãs, DKV azul - segunda parte Autor(a): Iara Schaeffer - Conheça esse autor
História publicada em 17/10/2011
Depois de ter certeza que o dono do meu coração ia ao baile da Manja, tinha agora que pensar na roupa que iria usar. Será que a minha mãe teria terminado minha roupa nova? Bom se ela não tivesse terminado, teria que pensar em uma alternativa rapidamente. O meu “babyllook” rosa? Ou o vestido “camisa” listrado? Ah! Queria tanto que minha mãe tivesse terminado minha calça rosa!

Voltando da casa da minha avó Marinha, na Avenida Aratãs, desci até a minha casa na Alameda das Nhambiquaras, quase correndo, mas não sem dar um espiada de “rabo de olho” na casa da avó dele para dar mais uma suspirada se ele estivesse por lá. Não estava... Mas não fazia mal, ele estaria na Manja logo à noite...

Chegando em casa minha mãe ainda estava às voltas com minha roupa, entrei esbaforida feliz e logo perguntando:
-“Vai ficar pronta mãe, vai ficar pronta?”
Minha mãe logo respondia:
- “Não me apresse menina pode deixar que na hora estará pronta...”.

As horas demoraram a passar, mesmo infernizando o “senhor Green” (nosso papagaio) ou mesmo ouvindo algum LP dos Beatles... As horas passavam muito devagar... Meus pensamentos geravam sonhos, e eu imaginava uma noite dos céus!

Nesses sonhos vinham novos passos de rock e a coreografia de Johnny Rivers em “Secret agent man”, e lógico, não podia deixar de sonhar com o meu rosto colado ao peito dele, pernas juntinhas, o carinho das mãos nas minhas costas e tudo ao som de "Do you wanna dance" ou "My love for you", do Johnny Mattis, tudo regado com a pura emoção dos meus treze anos.

A hora chegou e começou a correria: tomar banho, lavar a cabeça e me pintar, delineador, rímel, “blush”, era só começar, pintar os olhos, riscar as pálpebras, secar os cabelos e colocar a fita. Pronto! Era só colocar a roupa nova; calça boca de sino xadrez rosa e blusa branca, também boca de sino com babados na manga e toda a frente onde ficavam os botões de madrepérola:
- “Esta linda!”. Dizia minha mãe.

Mas o que ela dizia não importava, o que importava era o que ele pensaria ao me ver!

Com o rosto em brasa (nem era necessário “blush”), eu chegava ao baile com a Sônia, minha vizinha. Já ia encontrando toda a turma pelo caminho e pela porta de entrada, mas dele... Nem sinal..

Começavam as músicas, os pares iam se formando e eu dançava com quem estava sobrando - mas sempre de olho na porta do salão. Quando ele despontava na porta era uma tremedeira só, minha voz aumentava, eu falava mais que uma matraca e dançava mais que uma doida, não sabia o que fazer...

Tinha um amigo que sempre me acalmava, era o meu anjo de proteção. Ele dizia devagar para não me apressar que o meu dia feliz estava me esperando, e de alguma forma as palavras dele me ajudavam.

Então, devagar como uma onça para dar o bote na caça, ele chegou perto de mim e me tirou pra dançar. A música era "When I fall in love", do Nat King Cole. Nossa! Eu me sentia flutuando.

Naquela época ninguém sabia inglês, todo mundo cantava aquelas letras sem nada entender, a melodia dizia tudo, e por incrível que pareça as duas, música e letra, falavam de todos os sentimentos que naquele momento eu estava sentindo, mas o que interessava a letra? Eu estava nos braços dele... Finalmente!

Depois de muitas músicas juntinhas e muitas outras soltinhas, ele me convidou para dar uma volta. Meio com medo, mas com muita vontade, escapulimos dos olhos atentos dos adultos e fomos dar uma volta no quarteirão... De mãos dadas!

Daí na esquina da Avenida Iraí com a Rua Anapurus ele me encostou no muro, colocou uma mão na parede e com a outra mão segurou meu rosto e levou até o seu...

Uau! Foi meu primeiro beijo, longo, sentido, esperado e cheio de juras de amor...

Voltamos meia hora depois de mãos dadas, com todos olhando sem perguntar nada. Não precisava. Meus olhos diziam tudo... Meu amor era correspondido e isso era a coisa mais importante do mundo!

Aquela noite eu não sei como cheguei a minha casa, ele me acompanhou até a porta,me deu outro beijo inesquecível e eu entrei em casa, pulei na cama e dormi. Sonhei com dias maravilhosos como esse. Sonhei com muitos beijos iguais aquele, com muitos bailes de rosto colado, com sua voz sussurrando ao meu ouvido, o quanto me amava. Sonhei que voava e do meu lado estava ele o dono daqueles olhos azuis, que era o dono do meu coração. Aquela noite: sonhei...


E-mail: iara.schaeffer@gmail.com E-mail: iara.schaeffer@gmail.com
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Publicado em 30/10/2011 Iara, melhor abóbora do que abacaxi! A sua história foi envolvente e emocionante. Parabéns. Esquece a terceira. Apenas escreva outra tão bonita assim. Enviado por Pedro Cardoso - piparoda@gmail.com
Publicado em 20/10/2011 Uma página romántica muito expressiva pra se guardar no fundo do coração. parabéns, Iara.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 18/10/2011 Onde era o baile da Manja?? Enviado por Pedro Cardoso - piparoda@gmail.com
Publicado em 18/10/2011 essa eh a segunda parte da historia ,gostaria de escrever a terceira ...nao sei ainda..mas adianto ,como o Flavio Rocha falou...virou abobora!Mas valeu muito a emocao!
O baile da Manja era na Aratans entre a Nhambiquaras e a Anapurus.
Enviado por iara schaeffer - iara.schaeffer@gmail.com
Publicado em 18/10/2011 Sra.Schaeffer, retratou com brilhantismo a idade em que nossos corpos funcionam a mil e as percepções e sentimentos parecem que vão nos aniquilar. Quem não teve uma grande paixão, ainda não começou a viver. Abóboras ou não, ficam marcados em nossas memórias. Parabéns pelo seu texto. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 17/10/2011 Linda história de amor juvenil...Curiosidade- ficaram juntos? Enviado por trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 17/10/2011 Iara, você não citou datas...porém com as "dicas" escritas, suponho ser o final dos anos 60 e você com apenas "13 aninhos", não acha que era "avançadinha" demais ??? e afinal, casou com êle ou êle "virou abóbora"??? rsrsrsrs - abraços - Flavio Rocha Enviado por Flavio Rocha - flaviojrocha@bol.com.br
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