Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Precursor do cartão de crédito Autor(a): Roberto Tadeu Klemes Bacco - Conheça esse autor
História publicada em 14/09/2011
Em São Paulo por volta do final dos anos 50 e início dos anos 60, ainda não havia supermercados. As compras de alimentos, materiais de higiene e limpeza eram feitas em armazéns ou vendas, cada rua tinha sua venda e no bairro algum armazém de maior porte. Nas vendas geralmente comprávamos itens necessários para o dia a dia, tais como o pão e o leite, este era fornecido em garrafas de vidro, com uma tampinha de alumínio, tão puro e integral que se formava um selo de nata na boca da garrafa.

E no armazém fazíamos as compras do mês lá pelo dia 05, ia à família toda, era uma festa. Os cereais eram expostos em caixas de madeira com tampa de vidro, tudo a granel, arroz, feijão, fubá para a polenta e para o cachorro, pois só comiam angú e eram felizes.

Comprávamos no armazém do Sebastião, na Pompéia, este um hábil negociante, como todo bom mineiro. Tanto na venda quanto no armazém. A forma de pagamento era com a famosa caderneta. No dia da compra, pagava-se a conta do mês anterior e abria-se o limite para a nova compra.

E aí a habilidade do comerciante em oferecer novidades, que já vinham se apresentando, tais como: Cândida no lugar de Creolina, sabão em pó Rinso, no lugar do sabão em pedra. E não precisávamos mais do Anil para roupas brancas.

A grande novidade era a sandália Calipso, feita de matéria plástica, como se dizia antigamente para objetos feitos desse material, em várias cores, para mamãe e filhinhas, para azar do meu pai eram três, e o hábil vendedor falava:
- “Não se preocupe! Marcamos na caderneta e o senhor acerta no próximo mês”.

E assim voltávamos todos felizes para casa, onde o cachorro nos aguardava em estado de êxtase, pois já tinha a comida garantida por mais um mês. Aliás, sobre o cachorro tenho uma boa história, mas fica para a próxima.

E assim inventaram mais tarde o cartão de crédito e a renegociação da dívida.

E-mail: roberto.bacco@gmail.com
E-mail: roberto.bacco@gmail.com
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 23/02/2015

Amigo

lembra aquela vez que por falta de caderneta voce ficou devendo 16 mil...e o fim da historia eu nao me lembro... parece que daí vc fez um sevico pro cara e ficou tudo bem... acho que é isso.

Ricardo Assme

Enviado por assme - ricardoassme@hotmail.com.br
Publicado em 20/09/2011 Roberto, como nosso(irmão)Pai tinha Empório, estávamos habituados com a "caderneta". Realmente, os cachorros da época eram tratados com angú e eram todos saudáveis. Agora o Cartão de Crédito creio que foi o maior presente que a "mulherada" gostou, para desespero de nós, maridos. Boa narrativa. Parabéns ! Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 20/09/2011 Sr.Bacco, para nós, a molecada à época, só interessava os doces, paçoquinha e pé-de-moleque, bolachas waffers, recheadas de goiabada, suco Yuki o primeiro em latas, gominha, drops Dulcora, Frumello, doce de batatas e de abóbora. E pode anotar aí na caderneta de crédito, ó portuga! Parabéns pelo texto. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 18/09/2011 Quantas saudades da Mercearia Paris, da Mercearia do Seu Benjamin e da Mercearia deo Seu Alfredo, dentre tantas que o meu velho Bixiga teve e, a velha "cardeneta" era uma instituição honrosa aos bons fregueses, desde que o capital giro do proprietário da mercearia tivesse um bom lastro. Abraços. Enviado por nelson de assis - nel.som55@yahoo.com.br
Publicado em 15/09/2011 Roberto, não sei se você percebeu,mas todo bairro tinha um armazém do Sebastião. Só mudava o nome do proprietário. No meu bairro era a venda do Pedro. Enviado por Marcos Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 15/09/2011 Saudosas recordações, Bacco, tempo das cadernetas com os "devidos" acrescimos que o o vendeiro embutia em nome dos juros que ele calculava (nem todos, é claro), cobrando dessa forma. As vezes premiava o bom cliente com balas e biscoitos. Era bom. Belo relato, Roberto, parabéns.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 14/09/2011 Vejam que progresso: da relação de confiança entre comerciante e cliente evoluímos para as relações de massam entre operadora do cartão de crédito e "cliente", com base na cobrança de juros. E que juros! Enviado por Igor Nitsch - igornitsch@hotmail.com
Publicado em 14/09/2011 Boas lembranças Roberto. Só que as cadernetas
possuíam uma grande diferença sobre os Cartões de credito, no caso de algum atraso não havia esses juros excessivos e exorbitantes, Estou aguardando a historia do cachorro. Au,au,au prá você e parabéns.
Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
« Anterior 1 Próxima »