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Categoria - Outras histórias Iluminada Autor(a): Wanda Tiezzi - Conheça esse autor
História publicada em 28/08/2011
Eu nasci há 10 mil anos atrás... Nem tanto, mas sou meio “maluca beleza”, principalmente com relação ao meu alto astral.

Também pudera! Me acompanhem e vejam se não tenho motivos:

Minha santa mãezinha, que eu canonizei por conta própria, tinha dificuldade para engravidar. Demorou 4 anos para ter meu irmão mais velho, mais 4 para o nascimento do segundo filho e, pasmem, 10 anos depois do segundo foi que eu nasci. E ela pensando que já estava na menopausa, com 41 anos de idade, pode?

Sou ou não sortuda? Em meio a 3 homens na casa e com uma mãe maravilhosa eu era "a dona do pedaço".

Naquela época o homem trabalhava fora e a mulher era dona-de-casa, com raras exceções, é claro.

Meus pais eram filhos de italianos, então o chefe da casa (meu pai), era o típico manda-chuva: falava, tinha que obedecer, mas no fundo era um profundo sentimental. Todo final de ano ele chorava tanto na hora dos cumprimentos (coisa que herdei dele), que mal dava para desejar “feliz ano novo” a ele, pois a voz embargava.

Nós éramos do Bixiga e morávamos na saudosa Vila Cacilda, bem em frente ao Teatro Brasileiro de Comédia, onde nascemos com a ajuda de parteira.

Ao lado do TBC havia o famoso Nick Bar, reduto dos artistas que se encontravam após o Espetáculo Teatral, juntamente com alguns dos espectadores, pois era um ambiente muito agradável e de bom nível, onde muitas mulheres ostentavam suas estolas de pele legítima (hoje um ato inadmissível).

Ao lado do Nick Bar se via um contraste, o também famoso Bar do "Seu Mané" que lotava por causa dos cafezinhos.

Minha casa tinha exatos 50m2, mas a vila era o meu mundo. Quem precisava de tanta casa com aquele espaço imenso na rua, onde criávamos todos os tipos de brincadeiras?

Depois de crescida, adorava ir a porta da vila para ver o pessoal sair do teatro. Sentia um perfume delicioso das elegantes mulheres que saiam e também conheci vários artistas: Raul Cortes, Rosamaria Murtinho, Jô Soares, Stênio Garcia e outros... Mas apenas de vista.

Tínhamos um amigo (o Pupe) que trabalhava na parte cenográfica e frequentava a nossa casa. Na verdade ele era amigo do meu irmão do meio e de vez em quando jogavam baralho juntos.

Certa vez estavam precisando de um cachorrinho e o Pupe pediu o nosso emprestado, para ficar no colo da Rosamaria Murtinho que encenava uma peça. Quando terminava a peça minha mãe o levava passear e todos o reconheciam. Ele voltava todo cheirosinho, mas não pagavam cachê!

Cleide Yáconis, essa excelente atriz que brilha até hoje, foi analisar uma atuação sua, feita na TV na época em que o vídeo-tape era uma novidade, lá na nossa casa.

Não dá pra entender como cabia tanta gente naquele cubículo que era a nossa sala. Só sei que quem chegava era bem vindo. Minha mãe recebia a todos com satisfação, era a pureza em pessoa.

Quando Maria Bethânia estava começando a carreira, consegui que me deixassem assistí-la. O teatro quase veio abaixo quando ela cantou “Carcará". Lembro até hoje da arrepiante apresentação.

O saudoso Otelo Zeloni ficou muito tempo em cartaz com a peça "Os Ossos do Barão".

Vi Chico Buarque com seu violão indo ao Bar do Mané tomar um cafezinho.

Silvio Santos começou o Baú da Felicidade em cima do Bradesco, ao lado do teatro.

Como podem notar era um ambiente agradável, com a arte se movendo por todos os lados.

Voltando à parte família, naquela época éramos rodeados por primos que moravam em outra vila, chamada de Vila Vizeu.

Como eu era a menor da turma todos sempre faziam algo de bom para mim. Ora tomava banho na casa de uma tia, ora almoçava na casa de outra... Era uma delícia.

Duas primas me pegavam de cobaia para que pudessem aprender a fazer penteados e
maquiagem. Tal fato me beneficiou muito, pois olhava e aprendia com elas.

Outra tia me ensinava a tricotar e a comer feijão, coisa que minha mãe não conseguia me fazer engolir nem mesmo com reza brava.

Quando meu irmão mais velho casou-se eu tinha 11 anos, então meu irmão do meio, que infelizmente nos deixou há pouco tempo, passou a ser um divisor de águas em minha vida. Tendo um pai idoso, ele ajudou a me educar de uma maneira mais moderna, mas com limites, é claro.

Ele também tinha um alto astral e me estimulou em muitas coisas. Fez com que eu aprendesse a analisar situações de maneira profunda, pois conversávamos muito. Passou-me seu vício por palavras cruzadas e me incentivou a ler. Tinha o maior prazer em comprar material escolar comigo, pois fazia questão de que fosse de boa qualidade.

Misturando tudo isso: uma mãe carinhosa que me passou que é melhor excesso de amor do que excesso de rigor; um pai que mesmo sem muitas condições financeiras fazia de tudo para que nada nos faltasse; irmãos que sempre me respeitaram; tias que me tratavam bem e os primos e primas que além de tudo me deixavam participar de todas as festinhas, onde até aprendi a dançar, eu concluo: Sou ou não uma Iluminada? E como sou!

E-mail: wandatiezzi@hotmail.com
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Publicado em 07/10/2011 Gostei do seu alto astral! Alto? Bota alto nisso! Que bom ver uma pessoa tão de bem com a vida!
Parabéns pelo texto! Como disseram, escreva mais!
Abraço
Célia
Enviado por Regina Célia de Carvalho Simonato - rccsimonato@hotmail.com
Publicado em 07/09/2011 Amiga, muito linda, realmente vc é uma escritora , amei...bjssssssss Enviado por edna scarin - ednascarin@hotmail.com
Publicado em 04/09/2011 Por falar em Bixiga, com tristeza acompanhei o sofrimento do Marcos Paulo (felizmente recuperado). Um menino pobre, que saiu dali prá brilhar na TV. Enviado por juca - jucabala@terra.com.br
Publicado em 31/08/2011 Mãe, são as histórias e as lembranças de momentos bons que fazem a vida valer a pena. Eu e a Flavinha também fomos contagiadas com a sua luz, pode ter certeza! Te amo demais! Enviado por Daniela Tiezzi Cotini Guglielmi - guglielmi.daniela@gmail.com
Publicado em 31/08/2011 É iluminada, sim, Wanda! Parabéns por reconhecer isso, pr seu talento e pelo q transmitiu à sua filha q pude constatar aqui abaixo. FELICIDADE e SUCESSO! Bjs Enviado por Alcione Mazzeo - contato@alcionemazzeo.com.br
Publicado em 30/08/2011 Wanda, se você já era iluminada, ficou ainda mais depois que casou com aquele gato do seu marido. Parabéns! Enviado por Nico - ncotini@terra.com.br
Publicado em 30/08/2011 caramba!!!! além de todas as boas qualidades que eu ja sabia que tinha ainda me é uma grande escritora??? surpreendente e incrível!!! adorei...escreve mais, mais mais!!!! Enviado por flavia laham - f_laham@hotmail.com
Publicado em 29/08/2011 Wanda, você não é iluminada pelo que recebeu, mas sim por ter reconhecimento do que recebeu. Parabéns. Enviado por Marcos Loureiro - marcoslour_ti@yahoo.com.br
Publicado em 29/08/2011 Não só iluminada como, também uma conciência de elevado teor nostálgico. Reverenciando os que direta ou indiretamente, te fizeram feliz e colaboraram pra que vc seja, até hoje, uma iluminada. Parabéns e seja sempre assim, Tiezzi.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 29/08/2011 Wanda, isso não se faz. Primeiro enche meu coreação de saudades com esse texto encantador, depois não me inclui entre os famosos de suas lembranças. Eu sou o Miguel que morava no 307 da Rua Major Diogo, em cima do Nick Bar, ao lado do TBC e em frente ao bar do seu Mané.
Prazer te-la aqui no nosso pedaço ilumina Wanda!
Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
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