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Categoria - Outras histórias Av. Aratãs, Moema Autor(a): Iara Schaeffer - Conheça esse autor
História publicada em 14/06/2011
Era um DKV azul, eu sabia quando ele estava na casa da (a)vó. O carro estava plantado na frente com as portas abertas, esperando ser limpo. Meu coração batia forte... Ele estaria lá.

Eu nem me olhava no espelho, não precisava. Não arrumava meu cabelo, pois não havia tempo. Apenas dava qualquer desculpa para a minha mãe, subia a Av. Aratãs em direção a casa da minha avó Marinha. Meu coração aos saltos, o rosto pegando fogo, pois toda a emoção estava estampada nele.

Saia da minha casa na Al. Nhambiquaras, viarava a Av. Aratãs em direção ao meu amor... Olhava à frente e só me virava quando eu escutava o voz dele:
- "Ei, tá indo pra sua vó?"
Nossa! Iluminação total, a voz quase não saía... Só se ouvia um grunido.

- "Hum Hum..."
Mas eu tinha de parar, afinal de contas foi ele que começou o papo.
- "Vou sim", respondi.
- "E você, lavando o carro ?", complementei.
Ai, ai... Mas que pergunta!

Ele abria aquele sorriso lindo e com aqueles olhos azuis brilhantes que combinavam tanto com o carro, ele perguntava:
- "Vai na Manja hoje? O bailinho começa as oito!!".
Era só o que eu queria ouvir...
- "Vou sim. Você também vai, né?"
- "Vou", ele respondeu.

Pronto acabou o diálogo. Tudo bem, ele vai! Ele vai! Não tinha mais nada para dizer, nem pra ouvir...Nem mesmo que eu quisesse, a alegria tomou conta do meu corpo todo..
- “Então tá, agente se encontra lá!"

Virava meu corpo tremendo de emoção, acenei um tchauzinho e continuei subindo a Aratãs, já chegando na esquina com a Al. Anapurus. AS amigas na varanda gritaram :
- "Oi Iara. Vai pra sua vó?" E as gargalhadas soaram longe...

Todo mundo sabia, afinal, que eu subia aquela rua pelo menos duas vezes por dia, só para poder ter um lance daqueles olhos azuis...

Do outro lado da rua estavam mais alguns amigos: Roberto Zé Augusto, Mimi ..
-"Oi, Iara, tudo jóia?”, perguntaram.
-"Tudo..", respondi.
-"Bailinho na Manja hoje, viu?”

Ora, como se eu não soubesse! Já estava contando os minutos, os segundos, até ensaiando mil roupas no pensamento, sonhando com os momentos que iria passar em seus braços, ao som de Ray Charles, Sergio Endrigo , Rita Pavone... Pousar minha cabeça em seu ombro esperando o primeiro beijo.

Chegando à minha avó, com a cabeça nas nuvens, não ouvia nada o que ela falava. Cumprimentava meus tios e saia correndo. A vontade era voltar de novo, descer a Aratãs mais uma vez e olhar para ele... Mas eu não podia, ia dar muito na cara, tinha que disfarçar.

Então ia nos vizinhos: Dona Lica e Sr. Lico, na Aratãs mesmo. Brincava com as crianças de pular corda... Afinal, ainda faltavam algumas horas para as oito.

Meus treze anos em Moema...


E-mail: iara.schaeffer@gmail.com
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Publicado em 26/09/2011 Fiquei muito feliz com todos esses comentáios...vivi muuuuito essa época ,e pode deixar que vou ter continuaçao do DkV azul...kkk
Escrevi mais algumas histórias em outro blog se quizerem apreciar dêem uma passadinha lá":http://www.moemadetantashistorias.blogspot.com/ beijos à todos.
Enviado por iara schaeffer - iara.schaeffer@gmail.com
Publicado em 10/07/2011 Belo texto. Intenso do começo ao fim, digo, ao início da p´roxima página. Boa sorte. Enviado por Ismael - ismael.pescarini@gmail.com
Publicado em 15/06/2011 Ah! que lindo relato! É tão vivo, tão forte, tão intenso que parece-nos ouvir seu coraçãozinho batendo forte... Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
Publicado em 15/06/2011 Iara, voce nos fez voltar a uma época de nossas vidas, de inocência, de sonhos, e de muita, mas muita saudades. Confesso que também tive um "paquera" como voce, e como batia o coração.
Linda história, abraços Marisa
Enviado por marisa frediani - marisafrediani@gmail.com
Publicado em 14/06/2011 Oi Iara,
Como era emocionante essa expectativa de encontrar alguem por quem se está apaixonada, e na adolescencia é a té mais impolgante. Quem, como nós,
viveu nessa epoca de bailinhos sabe o quanto era gostoso, nem q
Enviado por claudia de carvalho - claudiacarvalho131@hotmail.com
Publicado em 14/06/2011 Oi Iara,
Como era gostosa essa época de paqueras inocentes, e como era emocionante a expectativa de encontrar o
eleito de nosso coração. Só quem viveu essa época de bailinhos, sabe o quanto era bom, mesmo que fossem realizados numa garagem ou num fundo de quintal coberto com lona. Sua historia me fez lembrar a minha e fiquei muito feliz por me lembrar dessa epoca tão boa. Parabens pela história, eu adorei.
Enviado por claudia de carvalho - claudiacarvalho131@hotmail.com
Publicado em 14/06/2011 ...e aí, Iara, continue, por favor, não fique neste final de filme francês, por favor. Vingou? não vingou?, sonho desfeito devido a idade? não...não...não, 13 anos mulher já é mulher... conte o final, por gentileza, sim? se não quizer contar, merece meus parabéns pelo recorte de uma juventude bem vivida.
Laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 14/06/2011 Olá Iara, como era bom ter treze anos naquela época, não ? Coração explodindo de tanto bater nas primeiras paqueras, sonhos que preenchiam dias e noites. A tão sonhada ‘utopia’ de uma vida plena – tendo seu lugar em nossas vidas, ainda que por breve tempo... Mesmo que esse - príncipe sem nome e de olhos azuis - não tenha habitado sua vida, vejo que ele acalenta até hoje suas doces recordações. E, isso, também é muito bom ! Parabéns pelo texto. Beijos, Carmen Enviado por Carmen Francisca León Duarte - carmen.duarte@uol.com.br
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