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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Família Nocciolini no Brasil Autor(a): Ernani - Conheça esse autor
História publicada em 18/01/2011
Meu avô paterno chamava-se Luigi Cammillo Nocciolini e minha avó paterna Assunta Maddalena Maria Bisaccioni. Ambos eram nascidos na cidade de Arezzo, região da Toscana, meu avô nascido no dia 15 de setembro de 1861 e minha avó no dia 11 de dezembro de 1865 e também batizados na mesma paróquia a de S. Michele na cidade de Arezzo.

Casaram-se no cartório dessa mesma cidade no dia 23 de novembro de 1893 e como os nomes Cammillo e Maddalena Maria eram nomes de batismo no catolicismo, após o casamento oficial na comunidade de Arezzo, meu avô ficou apenas com o nome Luigi Nocciolini e minha avó Assunta Bisaccioni.

Meu avô era filho de Adamo Nocciolini e Orsola Porcellotti e minha avó filha de Antonio Bisaccioni e Giuditta Conti.

No dia 05 de agosto de 1895 como consta no carimbo do passaporte, vieram para o Brasil como imigrantes e com um filho de um ano com o nome Bruno.

Partiram da Itália em um navio com o nome Maranhão, que saiu de uma região da Liguria e a data de chegada não se sabe precisamente, mas deram entrada na Hospedaria dos Imigrantes da Rua Visconde de Parnaiba, 1316, bairro do Brás, São Paulo, no dia sete de setembro de 1895. Assim conta no livro de matrícula da Hospedaria de São Paulo (21/20), que está no acervo documental do Centro Histórico do Imigrante.

Meus avós tiveram sete filhos; Bruno, de nacionalidade italiana, e brasileiros, com os nomes de Antonio, Hugo, Romeu, Luiz, Julia e Olga. Luiz era meu pai.

Quando meu avô chegou ao Brasil, segundo contava minha tia Olga, era para ele ter ido para o interior do Estado de São Paulo, talvez para o trabalho na lavoura como muitos imigrantes que na época também vieram ao Brasil, a procura de um ideal. Tendo meu avô a profissão de sapateiro e também sabia fazer calçados à mão, deixaram-lhe ficar aqui na capital, já que naquela época precisavam muito dessas profissões como, a de muitas outras.

Morou muito tempo na antiga Vila Sarzedas, que hoje não existe mais. Dizem que será um novo fórum no local. Essa vila era uma travessa da Rua Conde de Sarzedas, próximo à Praça João Mendes. A sapataria era uma pequena sala nessa mesma rua quase na esquina com a Rua Doutor Tomás de Lima antiga Rua Bonita.

Em abril do ano de 1921 minha avó faleceu e o enterro saiu ali da própria Vila Sarzedas. Meu pai contava que nessa época ele tinha dez anos, e muitas vezes ficava cuidando da mãe doente. Recordava o enterro da mãe, e que o caixão foi levado em uma carroça funerária puxada por cavalos pretos e com penachos da mesma cor até o cemitério do Araçá.

Meu avô nunca mais se casou e, segundo relatou meu pai, quando era dia de finados meu avô e os filhos iam até o cemitério, iam também várias famílias de descendência italiana e passavam o dia lá. Muitos levavam comida parecia um piquenique. Voltavam no final da tarde.

Trabalhavam juntos no conserto de calçados meu avô e o filho mais velho o Bruno.

Na Vila Conde de Sarzedas as famílias eram todas muito conhecidas uma das outras e como meu avô, também existiam muitos italianos que vieram na mesma época para o Brasil. Lembro-me de ouvir eles falarem da família Corazza, Coppola e também um tal de Bombonatto ou Bombonatti que meu tio Bruno sempre mencionava e que com certeza foram amigos.
Ali também morava a família Piola e um deles o Julio, casou-se com minha tia Olga.

Mais tarde meu avô mudou-se dali para a travessa dos Estudantes, que fica na rua com o mesmo nome e próximo à Rua Conselheiro Furtado. Ali foi o casamento de minha mãe e meu pai, no dia 16 de janeiro de 1937.

Minha mãe, também filha de italianos, pertencia à família Salerno, sul da Itália.

Essa vila perdeu muitas casas que foram demolidas para construção de uma avenida que vai para a zona leste.

Após algum tempo meu avô se mudou para a Rua da Glória, 135, próximo de um estúdio fotográfico, a saudosa Foto Tucci, uma casa antiga e pequena próxima à Rua Conde do Pinhal. Ali muitas famílias antigas de São Paulo e dos bairros Liberdade, Aclimação, Cambucí e etc fizeram fotos de casamentos, batizados, primeira comunhão e outros mais. Eu mesmo tenho uma foto que foi tirada no Tucci no dia em que fui batizado na igreja de São Joaquim, no Cambuci. Meus padrinhos eram também descendentes de italianos, o Senhor Raphael Corona e Dona Anna Maximino.

Termino aqui este relato familiar, mas tenho gravado em minha mente muitas reminiscências que lembro terem acontecido durante todos estes anos em que se passaram e se houver oportunidade, espero relatar em outra ocasião.


E-mail: ernani20@gmail.com E-mail: ernani20@gmail.com
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Publicado em 25/10/2012 gostei muito do documentario e achei interessante que meu namorado tambem tem o sobrenome nocciolini do avó dele que era da italia muito interessante Enviado por jessica croline - jessica_caroline_28@hotmail.com
Publicado em 14/08/2011 Como uma legítima descendente dos Nocciolini, agradeço essa homenagem e aguardarei pelas próximas estórias de nossa família, que sempre será TUTTI BONA GENTE!Bacio Enviado por Elaine Victoriano - elainevictoriano@ig.com.br
Publicado em 19/05/2011 Muito bom Ernani, quando publicar mais alguma coisa me avisa. Enviado por Edinaldo Abel - edinaldoabel@bol.com.br
Publicado em 19/01/2011 O que seria dessa cidade sem os italianos, como ela seria hoje se pessoas como seus avós, não tivessem mergulhado nessa aventura além mar. Agradeço aos oriundi, não só pela pasta, pizza, sotaque... mas sim pelas pessoas, impossível não lembrar da minha vida (sou migrante) sem um italiano ou descendente por perto. Meus melhores amigos aqui em sampa tem um sobrenome italiano, e eu me orgulho muito deles. Linda saga da sua família, obrigado por dividi-la conosco. Enviado por Ivan Pinheiro - ivan-pinheiro@uol.com.br
Publicado em 18/01/2011 Bonito relato sobre antigos imigrantes, sua dificuldades e seus delírios com a nova cidade. Mais uma prova de como é formada a população de uma cidade que completará 457 anos de fundação, uma "criança" no conceito universal. Parabéns, Ernani.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 18/01/2011 Pois é os italianos formaram uma boa casta de trabalhadores, muitos dos que não foram para a lavoura, tinham suas profissoções. Açougueiros e Sapateiros era o que mais se via de italianos, aqui em São Paulo.Os italianos e descencentes foram oa grandes operarios da nossa cidade. Enviado por Mario Lopomo - mlopomo@uol.com.br
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