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Categoria - Paisagens e lugares Apagando as luzes do LASP Autor(a): Decio Amadio - Conheça esse autor
História publicada em 14/10/2010
O Liceu Acadêmico São Paulo (LASP) foi uma daquelas experiências de vida que mais tarde, percebemos o quanto foi importante (tanto que estou escrevendo sobre, passados mais de 40 anos). Entrei no famoso LASP em 1966, na antiga quarta série ginasial, transferido de um colégio católico.

O LASP, além de ter muito mais alunos, tinha... Alunas! Alunas, o que era um colírio para os olhos e para os meus devaneios juvenis e de toda a cambada que ficava "bicando" as meninas nos intervalos e saídas das aulas.

Após um período de adaptação, passei a gostar muito do clima e dos amigos, tanto que bombei de cara o primeiro científico em 1967, porque namoradas e Beatles tomavam muito o meu tempo.

Transferido para à noite, encontrei colegas do outro colégio que também passaram a estudar no LASP: o Durval Pancera, o Walter Tomazzi, o Jaime Soler Niubò e meu irmão Dirceu, além de outros camaradas "do pedaço", como o Zé Arduim, o Mário Ferro e o Wagner. Das muitas colegas lembro da Tânia, Maria Isabel, Ivete, Heloísa e da Maria Tereza, por quem tive uma paixão fulminante em pleno 1968, o ano que mudou o mundo.

Não poderia deixar de falar dos professores, muito bons em sua maioria, mas com um leque ideológico que ia da esquerda moderada à extrema direita.

Depois do LASP, após o cursinho, fiz arquitetura e urbanismo em São José dos Campos (a famosa FAUJoca), juntamente com o Durval. Aí outro universo se abriu e seguramente foi um tempo maravilhoso da minha vida, excluindo a barra pesada da ditadura militar, que tanto fez e acabou fechando aquela faculdade por nos tomar como um bando de "subversivos". Mas foi ali que encontrei um grande amor.

Voltei a São Paulo, fui morar em Pinheiros e passaram-se décadas quando, numa ida ao Brás para reunir material para meu doutorado na FAUUSP, entrei na Rua Oriente e dei de cara com o LASP, já em processo de decadência.

Fui à portaria e pedi para rever o colégio. Passeei pela minha história e de tantos outros, olhando pela última vez as classes vazias, os laboratórios com alguns computadores velhos, o pátio, a quadra, as escadas. Ouvi o eco das vozes que compuseram aquele cenário numa época generosa da vida de todos nós.

Relutantemente fui embora, mas não esqueço essa impressão do apagar das luzes. Logo depois, o velho Liceu foi demolido parcialmente e no local foi construído um centro comercial de confecções.

Num filme italiano, ao final surge a legenda "finne", mas não posso deixar de manifestar todo o sentimento de carinho por aqueles tempos e pessoas.

E-mail: de.amadio@uol.com.br E-mail: de.amadio@uol.com.br
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Publicado em 01/01/2011 Em 1967 eu fiz o 3˚o ano do curso normal, período matutino; eu tinha vindo de Piracicaba para trabalhar no BB-Brás. Trabalhava no período da tarde e estudava no LASP de manhã.Há uns meses, indo a Sampa, passei na rua Oriente para ver o colégio, mas, como vc disse, ele foi transformado em centro comercial. Enviado por Chico França - ffcamargofilho@gmail.com
Publicado em 07/12/2010 Decio
Voce estudou no Santo Antonio?
Morava na Padre Lima?
nilton
Enviado por nilton azeredo - niltonmarmore@ig.com.br
Publicado em 19/11/2010 Faz algum tempo que escreví esse texto, mas está presente a emoção. Agradeço os comentários dos ex-colegas e garanto que, se reunirmos tudo sobre nosso querido LASP, poderemos mostrar o valor que teve aquele colégio. Abraços "per tutti quantti" Enviado por Decio Amadio - de.amadio@uol.com.br
Publicado em 21/10/2010 Parabéns pelo texto emocionante. Também já passei por isso! Doi demais, mas o bom é que tivemos momentos lindos e importantes na nossa vida...Sonhar com o passado alavancando o presente é muito compensador.
Parabéns!
Muita luz.
MC
Enviado por mary clair - clairperon@hotmail.com
Publicado em 17/10/2010 Décio, o que voce sentiu ao visitar seu passado naquela escola eu também ja senti isso, tanto em escola do primário, como secundario e até superior, nesses casos prefiro tirar fotos e guardar com um texto para quem sabe um dia os netos ou alguem vejam e leiam que num certo lugar tinha uma escola ou era uma escola e meu avô ali estudou, parabéns , Estan. Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
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