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Categoria - Personagens Lobisomem ou vampiro da Vila Mariana? Autor(a): Pedro Galuchi - Conheça esse autor
História publicada em 17/12/2009

Este excerto de um conto é baseado em fatos reais...
Zumbi espiou cautelosamente para os lados cuidando para que não fosse visto pelo dia que acordava... Sua noite fora estranha preso naquele buraco que desconhecia... Sempre tinha a primeira vez... Ely durante o dia era admirado por alguns e criticado por outros.

Raro morador da Vila com curso universitário. Professor num tempo distante em que eram respeitados e ganhavam muito bem... Formado em Química era professor de Ciências. Isso era um problema... Corria pelo bairro fortes boatos que ele tinha um laboratório secreto no porão de sua casa e fazia experimentos à noite.

Ele se transformaria... Ninguém nunca se atrevera a entrar no porão, cujo acesso seria sob o tapete da sala do sobradinho de meio lote onde morava com a Scarlet (Lety) e duas filhas pequeninas. Quase não recebiam visitas. Não que fossem arredios. Naqueles tempos em que o Conde Drácula fazia sucesso no cinema e era costume pendurar figas na porta da casa, como explicar não possuíssem um crucifixo na sala, não freqüentassem a missa e ainda, dizem, tivessem um gato preto?

Diziam que a Lety era a bruxa ruiva disfarçada... Tingia os cabelos de negro... Outros menos crédulos alegavam que ela não aparecia muito pela vergonha das surras que levava do companheiro. As duas crianças? Coitadas... Muitas mães não permitiam que seus filhos brincassem com elas. Pais de cabelos escuros com filhas loirinhas? Só podia ser obra do capeta...

O mundo ainda estava aterrorizado pelas atrocidades do Dr. Mengele.
Curiosamente, havia quem garantisse que a mulher do Ely era de origem judia. Disfarce, contra-argumentavam... Seria romena... E nunca ninguém vira um espelho na casa deles... Mulheres sem espelho?...
Hum... Só podia ser vampira... A escola onde o professor Ely trabalhava recebeu reclamações.

Havia pais que não queriam que seus filhos tivessem aula com ele.
Chegaram a denunciar que ele roubava materiais do laboratório da escola para suas pesquisas. Parece que nessa época o Prof. Ely foi afastado e, chateado, começou a se consolar no balcão do bar do Seu Miro, onde desfiava histórias sobre reações químicas, efeitos da bomba atômica, existência de naves espaciais, teorias genéticas de Mendell.

Ficava o dia inteiro entretendo o pessoal que passava, tomava uma dose e seguia. Só ele seguia bebendo o dia inteiro até o bar fechar, quando, embriagado, ia cambaleando aterrorizar a Lety. Ou fazer experimentos em seu laboratório e transformar-se no Lobisomem...
Claro! Juravam que o viram saindo, sorrateiramente, em noites de Lua Cheia... Numa dessas noites, inclusive, ocorrera um furto de galinhas no quintal de uma chácara do bairro.

Num inverno garoento, a Lety desapareceu com as crianças. Decerto teriam ido fazer uma iniciação maligna. Ainda mais que ela passou pela rua com um garrafão cheio de líquido vermelho, às vésperas... O rótulo de vinho vagabundo era só para enganar... Sangue de animais,juravam...
Outro galinheiro tinha sido misteriosamente invadido e desaparecido até o galo...

Muito ouviram o alvoroço, mas qual de ter coragem e enfrentar o Cão...
Ainda mais, perto do Dia dos Mortos... Por via das dúvidas, o dono do galinheiro fez um espantalho com um colar de cebolas e espelhos, enchendo ainda a terra de sal grosso... De dia, o reflexo dos espelhos incomodava todo mundo... À noite, gerava sombras misteriosas... Deve também ter deixado com mau hálito os pássaros que devoraram as réstias...

Um cacarejar e latidos anunciavam o novo dia... Tudo parecia tranqüilo. Quase nenhum movimento pela rua... Com alguma dificuldade saiu do buraco aberto pelo departamento de Águas para colocação da canalização de esgoto onde caíra e passara a noite, para aflição de Lety, que o procurou por toda madrugada, vagando pelo bairro e assustando aos moradores onde se atreveu bater à porta...

Encontrou Ely sentado no degrau do bar esperando que o Seu Miro o abrisse, para tomar a primeira dose do dia... Carinhosamente ajudou-o a tirar a terra úmida de suas calças... Levantou-o seguindo de braços dados com ele e segurando a mão de uma das filhas para casa. Ely nunca mais voltou a lecionar e morreu, pouco tempo depois, de cirrose...
Lety e as crianças desapareceram sem deixar rastros...


E-mail do autor: plugal01@gmail.com

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Publicado em 23/12/2009 Vou continuar lendo esse seu belo conto, lendo os livros, ou assistindo os filmes Crepúsculo e Lua Nova. Parabéns Pedro pela historia de " terror ". Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 23/12/2009 Vampiros existem...ou pelo menos existiram em livros, como "Drácula" de Bram Stocker. Mas o medo e a superstição existirão para sempre. Enviado por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 20/12/2009 Olá, Pedro! Quando não temos a informação nossa mente busca explicações no sobrenatural, não é mesmo?! Aliás, gostamos mais do que não é natural...talvez tenhamos esta tendência meio mística. Mas, a sua história foi bem legal. Levou-nos a imaginar a situação vivida lá na vila.
Valeu!
Feliz Natal a você e família. Muita paz!
Enviado por Sonia Astrauskas - soniaastrauskas@uol.com.br
Publicado em 20/12/2009 Lindo conto calcado na realidade daqueles idos. Li com raro prazer. Enviado por Miguel - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 20/12/2009 Ely e Lety, casal marcado pelo povo descrente no real comportamento de um homem de cultura elevada. Sem saber ou poder se comunicar, Ely era um excêntrico, só isso. Massacrado pela estúpida crença popular, acabou derrotado por ser correto. Magnifico depoimento o seu, Galuchi, parabéns.
Modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 20/12/2009 O Ely, era o tipico lobisomem cachaceiro... Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 20/12/2009 Sr.Galuchi, uma aterrorizante história. Lembrou-me Hitchcock e o livro "O cão de Baskerville"; terror de primeira. Grande abraço. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 19/12/2009 pedro esta ´´e das boas e ajuda a dar o temperoadequado ao site

abraços
falcon
Enviado por masrcos falcon - marcosfalcon@uol.com.br
Publicado em 17/12/2009 Pedro, adorei, adorei muito porque era desse jeito que as coisas se passavam naqueles tempos bicudos. Vizinhos lobisomens, vampiros, zumbis, nossa e assombrações então? Ruas escuras, sem calçamento.Depois do Enio Rocha e o teatro de aventuras, o rádio era desligado,e abria caminho para que as assombrações, sacis, almas penadas e até zumbis, mortos-vivos, cruzassem esquinas desertas na pele de vizinhos esquisitos dos quais a criançada fugia , feito o diabo da cruz... Enviado por Trini Pantiga - trinesp@ig.com.br
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