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Categoria - Personagens "Cola" tomou Dexamil Autor(a): Rubens Ramon Romero - Conheça esse autor
História publicada em 22/09/2009
O bailinho estava apático. Eu e João (o "Cola") estávamos pensando em ir embora, procurar outras paragens ou dormir cedo. As duas cuba-libres, e o fogo paulista com gim não haviam nos animado. Resolvemos ir.
Estávamos nos dirigindo à porta quando o Nelsinho disse: “- Vão embora coisa nenhuma. Tomem esses dois comprimidos, o ânimo irá retornar”.
Recordo como se fosse hoje, eram no formato de coração, verde.
Deu dois para cada um, dizendo que era para espantar a tristeza rapidamente. Cola engoliu os dois de uma vez. Em questão de segundos a melancolia sumiu, como se os comprimidos fossem o atual Doril. A partir daí Cola não parou de dançar. Bailava seu requintado figurado até com as damas que não o acompanhava. O Passo do quatro, estilo de dança solta, recém aprendida com o pessoal do bairro do Cambuci ele exibia com maestria, introduzindo novos movimentos a esse gênero de dança.
Mesmo aquelas minas "reguladas" as mais frescas, que não deixavam chegar muito perto durante a dança ele não ligava, atracava com a mão esquerda a cintura delas, segurava a mão direita da garota junto ao seu peito, aproximava os corpos juntinhos e dançava puladinho, quadradinho, figurado com passos e posições variadas. Tudo na vida dele mudou depois daqueles dois comprimidos. Tornou-se um exímio bailarino.
Com receio e insegurança tomei somente um comprimido, guardei o outro no bolso da calça. Bailei aquele sábado até as duas de "lá matina". Lembro-me que tocando havia um rock-'n'roll, do "Little Richard", "Tutti Frutti", dancei até com as pernas pro ar, cantei em Inglês sem saber uma palavra da língua britânica.
Fui para casa às seis da manhã. Não conseguia dormir. Fui para o fundo do quintal e comecei a dançar sozinho. Fiquei assustado, fui fazer xixi e mijei no ralo. Estava em estado de completa euforia. Peguei o par de chuteiras e fui jogar futebol no Grêmio da Ruf, onde trabalhava. Confesso foi a melhor partida da minha vida. Corria mais que a bola. Acabei com o jogo, conforme dito futebolístico. Fiz dois gols um de falta e outro de bicicleta. No vestiário ouvi vários jogadores adversários me elogiando sem que houvesse notado minha presença ao lado. Retornei pra casa, tomei banho, almocei macarrão acompanhado de um extenso bife a parmegiana, tomei uma cerveja junto com o comprimido que restava. Fui ao Clube Homs na Avenida Paulista. Dancei o que tinha direito e o que não tinha. Retornei pra casa à meia-noite a pé, quando passou o efeito do rebite, os comprimidos. Desabei no sofá da sala e dormi. Antes tomei um copo de leite gelado.
No meio da noite com o corpo todo dolorido acordei com o som intermitente da campainha. Era meu amigo João, o "Cola" que com profundas olheiras gritava alto, debaixo da janela:
_ Romero, estou dois dias sem dormir. Já tomei três litros de leite e não passa o efeito. Que faço?
Quase que chorando...
_ Nunca mais aceitamos nada do Nelsinho.

E-mail do autor: rrubensrr@bol.com.br
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Publicado em 20/09/2011 Rubão,desculpe a intimidade,nos bailes de formatura nos anos 60 a gente era muito jovem e o Dexamil e Pervetin era uma coisa comum não tinha a restrição dos dias de hoje,era bacana,deixava a gente alegre não se sentia passar as horas,acabando os bailes principalmente o do Pinheiros era inevitavel o inocente roubo de leite das residencias proximas ao clube...tempos bons Enviado por Airton Irineu dos Santos - airton.cercal@hotmail.com
Publicado em 19/07/2011 ramom, esse nelsinho é o que frequentava o bar do dorazio pra jogar esnoque, se for responda meu email, faz tempo que eu não o vejo, ele continua tranbicanco perfune importado e outras cossitas, parece que estou vendo a rua ana neri o clube piratininga, mané, viajei longe, a turma do madri continua no pedaço, porra como era legal aquele tempo. Enviado por kostolias - bargachi1@yahoo.com.br
Publicado em 23/06/2011 nossa é verdade eu ja tomei o tal de dexamil só que o meu era o dexamil espansule uma capsula cheio de bolinhas coloridas foi muito bom fiquei nas festas 2 dias uma loucura. Enviado por paulo beck - paulobeckson@hotmail.com
Publicado em 14/12/2010 ME LEMBRO COM MUITAS SAUDADES DAQUELE BAILINHO REGADO A DEXAMIL, QUE SAUDADE DO CORAÇÃO DO DIABO. ME LEMBRO QUE NUM CARNAVAL,UMA SENHORA MEIO BEBADA, CHEGOU PARA A TURMA E DISSE QUE NÓS NÃO BEBIAMOS CUBA,IGUAL A ELA. SEM QUE ELA VISSE EU COLOQUEI UM COMPRIMIDO AMASSADO NO COPO DELA, ELA BEBEU E DEU UM TRABALHO DE LASCAR AO MARIDO E TODOS DA MESA, QUERIA ATÉ TIRAR A ROUPA NO CLUBE,MORRI DE RIR. Enviado por FRANKLIN SEIXAS - frmseixas@yahoo.com.br
Publicado em 24/11/2010 Embora não era certo tomar as chamadas "bolinhas", era o que pegava na época, diga-se de certa forma inocentemente, não existia bandidagem, todos trabalhavam e curtiam seus bailes e paradas, hoje infelizmente a realidade é outra, cocaina, crak, maconha, extase etc., que estão matando...e aumentando a criminalidade, e diga-se não escolhe a classe social, drama vivido pelo favelado até o maior milinoario e autoridade... ACORDA BRASIL.... Enviado por JOÃO ROBERTO COYADO - coyado@terra.com.br
Publicado em 08/10/2010 Putz Rubens, super legal a sua história, estou rindo até agora tentando imaginar a doidura que você ficou depois do comprimido. Comigo aconteceu um caso mais ou menos parecido e que talvez eu o transforme em um conto também. Valeu! Enviado por Ivan Ferretti Machado - ferrettimachado@bol.com.br
Publicado em 18/03/2010 Ri muito com sua história, lembrei de uma que aprontei com os funcionários da farmácia do meu pai na Penha, estavamos fazendo o balanço anual, e todos muito cansados, meu pai mandou preparar café para todos e coloquei na garrafa um vidro de dexamil, tomaram e ficaram elétricos, meu pai não sabia de nada, eu tinha 13 anos, e o Julio, um japones pacato, descia das escadas pela lateral e gritando iu hu, o Rubens e o Ernesto, que eram os gerentes, anotavam mais rápido que o cérebro recebia, vibrei. Enviado por regina canhoni - suffiregina@yahoo.com.br
Publicado em 21/02/2010 Realmente, na decada de 60, dúvido que nunca alguem da noite, não tenha esperimentado tomar um comprimidinhoi de dexamil, perventim ou espansul(acho que era este o nome), Eu esperimentei uma única vez e realmente dancei uma noite toda e fiquei acordado por mais de 24 horas. Vale a esperiência. Enviado por gera - promoter-1@bol.com.br
Publicado em 16/01/2010 Romero, fiquei ha rir em saber que mesmo sem saber os efeitos colaterais voces forao a frente e tiverao pelo menos momentos remarcantes na sua historia. Enviado por Gil Jordao - gilvete@telus.net
Publicado em 16/01/2010 Rubens,na minha juventude lá pelos 18, eu costumava tomar dexamil ou pervertin (corção rosa)para emabalar direto na sexta e no sabado.Frequentava uma discoteca(acho que esse era o nome ou boate) na Augusta chamada Saloon numa galeria entra a al Itu e Franca,as vezes saia dela e ia pro Cave na Consolação ou no Ton Ton na Nestor Pestana lá no Cave vi a estréia do Eduardo Araujo trazido pelo Carlos Imperial,minha mãe estranhava a disposição do final de semana no domingo eu dormia.
abraços
Enviado por Mario Gardano - mrica10@uol.com.br