Leia as Histórias

Categoria - Paisagens e lugares Quando eu morrer quero ficar (Ode a Mário de Andrade) Autor(a): Rubens Ramon Romero - Conheça esse autor
História publicada em 04/08/2009
Quando eu morrer quero ficar,
Ao lado de meus amigos.
Sepultado no cemitério do Brás.
Na Quarta e Última Parada.
Saudades.

Meus pés enterrem...
Num campinho da várzea antiga.
Na baixada do Glicério meu sexo.
A cabeça no grupo escolar.
Lembranças.

No Museu do Imigrante
Afundem meu coração brasileiro.
Não esqueçam como vivi.
Junto de duas pátrias.
Amadas.

Nos Correios enterrem minha pasta de Office Boy.
Meu ouvido tampe-os com algodão
Não quero ouvir mais besteiras.
Asneiras.

O nariz que cheire as rosas.
No Jardim do Edem.
A voz deixe na Liberdade.
Maldade

As nádegas.
Nos bancos da Paulista
Os olhos no esquife da mulher.
Amada.

As mãos deixem presas, juntas.
No coração. No Incor.
Os joelhos, na Igreja do Brás.
As tripas, já as perdi.
Esqueçam.

O Espírito é de Deus,
Deixe embalado, no Paissandu,
No colo da Estatua Mãe Negra.
Aos inimigos deixem o Epitáfio.
Kardecista: Volto Logo!

e-mail do autor: rrubensrr@bol.com.br E-mail: rrubensrr@bol.com.br
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 20/07/2010 procurando algo sobre o morrer, encontrei seu poema e fiquei emocionado. Bela maneira de ser grato a sua cidade e ao mesmo tempo querer estar um pouco em cada lugar amado . Belíssimo parabens Enviado por dilson - dcmarum@uol.com.br
Publicado em 10/09/2009 Rubão, que bela poesia. Quando voçe morrer o que será que vão dizer?Fico imaginando. Que saudades do Rubão que amou o meu bairro mais italiano de São Paulo.Parabenz, mas não se esqueça de avisar. Enviado por Ricardo Oliveira Vasquez - ricoliva@uol.com.br
Publicado em 13/08/2009 RUBÃO, COMENTO SÓ AGORA, MAS DEVO TER SIDO UM DOS PRIMEIROS A LER, SÓMENTE NÃO O FIZ ATÉ AGORA, PELO SIMPLES FATO DE NÃO TER ENCONTRADO PALAVRAS PARA
"DIZER" SÓMENTE ENCONTREI ESTA, "OBRIGADO" POR MIM E POR SÃO PAULO.
Enviado por FORTUNATO MONTONE - fortunapule@hotmail.com
Publicado em 11/08/2009 Rubens, meu caro! Gostei muito. Entonces eres también un poeta! Abração, Natale. Enviado por Wlson Natale - wilsonnatal@hotmail.com
Publicado em 07/08/2009 Sr.Romero, muito bem escrito. Viver cada dia bem vivido é a regra. Parabéns. Bernardi. Enviado por Ernesto Bernardi - ernestob1144@gmail.com
Publicado em 06/08/2009 Parabéns Rubens, muito criativo. esse seu Auto esquartejamento, pena que não sobrou nada de seu para se enterrar na Freguesia do Ó. Brincadeira a parte. Eu gostei muito mesmo. Enviado por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 05/08/2009 Rubens, acredito que o espirito não morre, apenas a carcaça se vai na terra ou no fogo. Este mundo não nos pertence, estamos apenas de passagem e quero que a minha seja a melhor possivel. Um abraço. Enviado por margarida pedroso peramezza - peramezza@ajato.com.br
Publicado em 05/08/2009 Modesto, Obrigado pelos comentários e pelos conselhos, mas a hipocrisia me afronta.Vou tentar....
Quanto ao texto você tem razão, havia enviado em outro momento e outro contexto, ficou meio piegas.Recentemente enviei este, penso que esta melhor elaborado.Se perceberem a dualidade não publicam.O recente esta abaixo. Abraços.

Sempre se pensa na hora da morte. É uma possibilidade inevitável, mas, sempre adiamos e pretendemos que ela nunca chegue, mesmo sabendo que nos dias atuais o risco é grande. Uma bala perdida, uma colisão no transito da estrada, um disparo feito por um menor delinqüente que gostou de seu par de tênis, um seqüestro relâmpago ou uma artéria entupida.
Eu voltei a pensar na hora da morte, após tomar conhecimento dos resultados do check-up regular, e dos últimos exames do coração. O diagnóstico proferido pelos médicos foi de maneira abrupta: ”—Você tem 80% da artéria principal obstruída, poderá ter mal súbito, não haver condições de resistência,e vir a óbito”.
“Cuidei até em deixar um epitáfio pronto:— Adiei a morte para amanhã e ela veio ontem”. Mesmo assim achei melhor aguardar, mesmo porque, faltava pouco para completar 63(sessenta e três), e havia a esperança de chegar nessa marca, ainda fazendo “gols”.Iniciei a corrida pela vida. Iniciei visitas mais freqüentes ao H. A. Einstein e ao Incor, pretendia um “salvo conduto”, uma urgente liberação a um copo de vinho tinto, de boa qualidade, necessitava comemorar antes, o fim do jogo, mesmo que fosse no primeiro tempo.
Durante essas visitas deparei-me com estudos do Dr. Nabor Facure (Unicamp) com depoimentos de pesquisados do estudo feito no hospital, de experiências fora do corpo. (EQM- Experiência de Quase Morte).
Durante esse processo, as pessoas recapitulam e colocam em perspectiva todos os acontecimentos de suas vidas. Enquanto aprendem, revendo cenas de suas próprias vidas, o Ser observa que uma das coisas que se pode levar depois da morte é o amor.
Diante disso esqueci o epitáfio, resolvi escrever sobre o amor,o amor a São Paulo - Minha Cidade- uma tentativa de ode ao poeta Mario de Andrade:—Quando eu morrer...

Quando eu morrer quero ficar,
Ao lado de meus amigos.
Sepultado no cemitério do Brás.
Na Quarta e Ultima Parada.
Saudades.

Meus pés enterrem ...
Num campinho da várzea antiga.
Na baixada do Glicério meu sexo.
A cabeça no grupo escolar.
Lembranças.

No Museu do Imigrante
Afundem meu coração brasileiro.
Não esqueçam como vivi.
Junto de duas pátrias.
Amadas.

Nos Correios enterrem minha pasta de Oficce Boy.
Meu ouvido tampe-os com algodão
Não quero ouvir mais besteiras.
Asneiras.

O nariz que cheire as flores.
Nas lições da Casas das Rosas.
A voz deixe na Liberdade.
Maldade

As nádegas.
Nos bancos da Paulista
Os olhos no esquife da mulher
Amada.

As Mãos deixem presas, juntas.
No Coração
Os joelhos, na Igreja do Brás.
As tripas, já as perdi.
Esqueçam.

O Espírito é de Deus,
Deixe embalado,no Paissandu,
No colo da Estatua da Mãe Negra.
Aos inimigos deixe o Epitáfio Kardecista:
Volto Logo!
Conquista.
Enviado por Rubens Ramon Romero - rrubensrr@bol.com.br
Publicado em 05/08/2009 A visão poética da vida de um autêntico cidadão paulistano, de origens estrangeiras, apaixonado pela cidade que nasceu... Só mesmo você, Rubão! Parabéns.... Lindas palavras. O lirismo de um homem que descreve o cotidiano como poucos. Ralmente uma Ode a Mário de Andrade, mas tembém ao homem que nasceu nesta metrópole. Enviado por PAULO FÁBIO ROBERTO - fabbito@uol.com.br
Publicado em 05/08/2009 Rubens
O melhor e merecido elogio que posso fazer a você é dizer que Mario de Andrade - Poemas da amiga - náo ficaria constrangido se pudesse ler seu criativo texto. Assinaria em baixo.Aposto. Abraços.
Mancini
Enviado por Mancini - d-mancini@uol.com.br
« Anterior 1 2 Próxima »