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Categoria - Personagens Conto/Crônica no "Português Macarrônico" Autor(a): Rubens Ramon Romero - Conheça esse autor
História publicada em 30/06/2009
Ela si sintia balofona...

Meteu a iscova nus dentis c'uma puta forza qui até si pensô vê u sangüe das gingiva naquele cazzo di mare di spuma bianca.

I cum raiva tamém mi passô us fio dentar, denti per denti e, dispois si meteu a iscova na linguona. Sintiu di novo uma puta vontadi di vumitá.

Passou umas meleca na cara - us tar crema di bellezza, si ispiô nu ispelhu ondi só si aparecia aquele camisolão enorme e pefumadinho.

Sintiu uma puta farta de ar para colocá nus pé aquela lancha qui ela chama di sapato. Teve di si jugá nu chão prá cunseguí. Mesimo assim, aquelas tetonas enormi só atrapalhava.

Ela mi tava si sintindo um hipopótamo. Desdi que tirô as aliança da mano isquerda, lá nus imprego. Si lembrava-se das cornada qui deu nu pobri du marido, cum aqueli colega di trabalho...

U controllo rimoto da televisón, us travissero arto, i nadinha di puxá uns ronco.

Si sintia uma baleiona. As mulhé balançavam u rabo na TV. Us omi balançava us suos badalo na TV. Ela mi assistia u Jô Soaris tudas as noite i aparlava qui eli mi ficava mais milhor gordón qui magrinho.

Si sintia uma porcona. Si inchia o rabo de cumida antis di i prum jantari, i quandu saia, dava um pulinho nas lanxonete prá dá uma forrada nus istomago, qui ela num mi quiria durmi di pança vuota. Tava si sintindo uma elefantona.

Mi vortava pru ispelho tanto iluminato da privada, maise prá quê? Si sintia balofona... Si olha nu ispelhinho da borsetta, si insciuga c'um paninho bianco qui ela mi "passou a mão" lá numa loja dus Tatuapé. Si olha di novo. Us pé di galinha tavam tudo lá, im vorta dos zóio tristi, grandi i interrogativo qui ela tinha.

Ai, ela mi cumeça rí igua l qui nem uma pazza, uma locona. Mi tava istérica! Tantu qui a mulher qui morava na casa vizinha, mi fica batendo nas janela c’um sapatão vermelhu qui tinha um sartão di déiz centímetro pra vê si ela parava.

Cê tá pensandu qui essa mulher mi tá chorandu? Ela num mi chora! Mi rí! I rindo, ainda, mi sorta us cabelu tingidu, i mi cavarga tutta a noite nas lembrança du cunvite ricebido, u ballo daquela noite. Disfilaria u vestidinho, que seu marito si deu pra ela, i qui eli si cumprô la na "Gordigna Eleganti", um negozzio la du bairro das Mooca. A viage dela até SPA ela mi dexa para as segunda-feira, quandu vá cumeçá u novo rigime...

Wirço - Tradutore i parlatore dus patuá da Mooca - Mochese - Parlato nas rua Caetano Pinto, Ipanema, 21 de Abril, Assumpção, Carneiro Leão etc.

* Estava se sentindo gorda...

Escovara os dentes com tanta força que pensou ver as gengivas sangrarem naquele mar de espuma branca. Furiosamente passou o fio dental, dente por dente e, por fim, escovou a língua. Sentiu náusea novamente. Passou creme no rosto, fitou-se no espelho onde reluzia a camisola limpa, ampla, cheirosa.

Jogou-se no chão para sentar. Sentia falta de ar pra colocar os sapatos. Os fartos seios lhe atrapalhavam.

Estava se sentindo gorda. Desde os tempos que ocultara a aliança da mão esquerda no emprego. Recordara a amizade a cores com o colega de trabalho...

O controle remoto, os travesseiros tão altos, nenhum sono.

Estava se sentindo gorda. Mulheres rebolavam na tevê. Homens meneavam o púbis na tevê. Assistia ao Jô Soares todas as noites e comentava: - Eu acho que ele fica melhor gordo do que magro.

Estava se sentindo gorda. Jantava antes de ir a um jantar, e quando saía passava numa lanchonete pra não dormir de barriga vazia. Estava se sentindo gorda.

Retornava ao espelho do banheiro tão iluminado, para quê? Estava se sentindo gorda... Olha-se no pequeno espelho da bolsa, enxuga-se com pedaço de pano alvo furtado da loja no Tatuapé. Olha-se novamente. Rugas, ainda que poucas, ao redor dos olhos tristes, grandes, interrogativos.

Desata num riso tão louco, histérico, que a moradora da casa vizinha bate na janela com o salto dez do sapato vermelho.

Pensa que chora esta mulher? Não chora! Ri! E rindo, ainda, solta os cabelos tingidos, e cavalga a noite inteira na lembrança do convite recebido, o baile daquela noite. Exibiria o vestido, presenteado por seu marido, adquirido na "A Gordinha Elegante", loja do bairro da Mooca. A ida em SPA deixara para segunda-feira, quando iria iniciar o novo regime...


* Tradução efetuada cortesmente por Wilson Natale, autor e assíduo escritor do São Paulo Minha Cidade, "expert" no idioma "moquense" (também conhecido como orra meu!). Tradutor juramentado e herdeiro natural de "Juó Bananière", criador do "Português Macarrônico", mistura dos dois idiomas falado no Brás e Mooca...

e-mail do autor: rrubensrr@bol.com.br E-mail: rrubensrr@bol.com.br
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Publicado em 02/07/2009 EU DE NOVO, "MI ISQUECI DI CONTÁ QUELA DO UOMINI QUI FALÕ PRA MOLIÉ DELI,- BELLA, OGGI FACCIMO AMORE ? NO MI TA MI DANDO UMA DOR NA MINHA CABEÇA, E ELE RETRUCOU- TA BOM, INTÃO MI VÔ LAVA SÓ OS PÉ!

GOSTEI TANTO DESTE TEXTO QUE JÁ LI UMAS "DEZ VEZ"

PARABENS NOVAMENTE!

FORTUNATO
Enviado por FORTUNATO MONTONE - fortunapule@hotmail.com
Publicado em 02/07/2009 Obrigado a todos pelas manifestações.
Aos professores
“Vel taceas, vel meliora dic silentio”. Rubens.
Enviado por Rubens Ramon Romero - rrubensrr@bol.com.br
Publicado em 01/07/2009 "Ma que catzoeguai mi aprontô essa dupla dinámica du Braz e da Moóca. Trierre, vc. e o Natale fazem uma "dupla di respeto".Junto com o "Juó Bananière" (in memórie) vão fazer um trio
"Parada-Dura" Parabéns aos dois, muito divertido.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 01/07/2009 Bonjour, Rubens. Pouvez-vous m´aider? Je ne comprends pas. Parlez-vous portugais? Merci. Oh Rubens, Português macarrônico misturado com jabá, feijão e farinha. Bem humorístico, gostei. um abraço. asciudeme Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 01/07/2009 ¨Má nun mi intendu una cosa: comme una mulhiére gostosona comme ela, nun cunseguia intendê qui a donna, quantu maiz carne milhóre? Quem si gosta di izqueletu é o campu santu, o sumitéru. Na zona lésti, mulhiére grassa, quanto maiz carni milhóre!. Vê a tar da Márilin Munrrô, mezzo das gordetona, mais moltu gostosa. Divia era ter dadu cum o sarto do sapatu vermeiu na testa dela, prá vê si ponhava as caraminhola no lugare!" Belo texto Rubão, ainda mais na lingua do Juó Bananére. Parabéns. Enviado por PAULO FÁBIO ROBERTO - fabbito@uol.com.br
Publicado em 01/07/2009 Rubens: Num è qui mi ficô bunitigno! Mi dá até umas vontadi di saì pur ai, cantandu: Scapricciatello miom vatte'na casa. Si nun vo ji'galera dint'a stu mese... Abração, Natale. Enviado por Wilson Natale - wilsonnatal@hotmail.com
Publicado em 01/07/2009 Ruhenbs:Gostheyus,musõtos de ssiuyhas hisugdmtoria.Escugseva seuchmpre.
Ainda bem que conheço a linguagem empreuoogada.
Éla também é empregada na vila Mariana e Morumbi.
Um abraço. Gostei muito.
Enviado por Fábio Belviso - fabio.belviso@ig.com.br
Publicado em 01/07/2009 Macché, Romero ! Tu é spagnolo o taliano?
Vamu cunfessando, uomini !
Enviado por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 01/07/2009 Caro discipulo do Bananiere, adorei a sua cronica, muito bem escrita nos dois idiomas.Valeu!! Enviado por Etel - ebussbuss@gmail.com
Publicado em 30/06/2009 RUBÃO, PRA QUI CAZZO PRECISÔ DI TRADUZI,NUM NERA PRECISO,DESSE JEITO,SES VOM MI DEXÁ LOCO PRA MIM.
BELO TEXTO, PARABENS!
Enviado por FORTUNATO MONTONE - fortunapule@hotmail.com
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