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Categoria - Outras histórias São Paulo dos encontros e desencontros Autor(a): João Guilherme Monteiro Petroni - Conheça esse autor
História publicada em 03/12/2008
Não é de hoje que se discute o que é mais agradável: ser conhecido na cidade ou bairro em que se reside, ou ser um ilustre desconhecido.

Quem mora em pequenas cidades do interior costuma ter orgulho de contar que anda na rua cumprimentando a todos: o Antonio da farmácia, o Tonicão do mercadinho, a Zuleica costureira, a Conceição manicure, o Carlão do açougue, o Zelão do empório, e daí em diante. Dizem que é confortante poder ser conhecido da vizinhança e de todos, pois, se necessitar de algo, o contato é muito mais fácil e sem formalismos:
- Ah, você é filho Geraldo da borracharia? Claro, pode entrar.

Por outro lado, há sempre a reclamação de que não se tem privacidade, de que, por exemplo, caso se compre um carro novo, a vizinhança já comenta:
- O João deve estar ficando rico. Você viu o carrão novo dele? Ele trabalha com o quê mesmo?? Engraçado... Não é muito comum ganhar tanto dinheiro nesta profissão...

São Paulo, embora seja uma das maiores megalópoles do mundo, ainda possui vários bairros com nítidas características interioranas. O Brooklin Paulista, em que minha família chegou nos idos da década de 1920, não era diferente.

Sou neto do Roque Petroni Junior e, embora, infelizmente, não o tenha conhecido, sua influência em minha infância e adolescência foi muito intensa.

Lembro-me de que, a cada ano que passava no Colégio Meninópolis, situado no âmago do Brooklin, todos os professores perguntavam:
- Você é parente do Roque Petroni Junior?
E daí começavam as perguntas subseqüentes, sobre todos os parentes que haviam estudado por lá, ou que conheciam os velhos professores há anos:
- Ah, então você é filho do Bosco, sobrinho do Zé Cláudio, do Tico, do Bilé e primo do Piti? E o Fábio, continua na farmácia?

Confesso que tinha orgulho de não ser um desconhecido no colégio; sentia que tinha as costas quentes. No entanto, a responsabilidade era maior, e qualquer coisa considerada errada que fazia, a bronca lá em casa era dobrada. Afinal, havia um sobrenome em jogo, e não seria eu quem iria maculá-lo.

O tempo passou, segui meu destino, cada qual seguiu o seu, casei, tive filho, e a imensidão colossal desta cidade-país fez com que praticamente nunca mais cruzasse com qualquer amigo da época do primário e ginásio. É intrigante, e de certa forma triste, morar em uma mesma cidade e não encontrar estas centenas de pessoas em restaurantes, shopping centers, cinemas, teatros, jogos de futebol, por mais de vinte anos.

São Paulo proporciona esta privacidade, esta independência, esta distância, esta discrição, esta frieza, a mesma que alegra muitos por não terem de cruzar ex-desafetos, ex-credores e ex-namoradas.

e-mail do autor: joaopetroni@petroniadvogados.com.br E-mail: joaopetroni@petroniadvogados.com.br
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Publicado em 06/08/2009 Olá João, não sei se lembra de mim, mas estudei com vc no Meninópolis uns bons anos na década de 80. Inclusive na escola de inglês da Dona Dida, junto com seu primo Sergio. Bons tempos de Meninópolis e de Brooklin ! Até hoje tenho contato com algumas figuras desse bairro, descendentes da educação do Pe. Teodoro. Meus pais ainda moram no Brooklin e é comum eu dar umas caminhadas nostálgicas pelas largas ruas de paralelepípedo para manter as boas lembranças daquela época...
Grande abraço
Bale
Enviado por Alexandre Cappellari Balderrama - abalderrama@terra.com.br
Publicado em 04/12/2008 João Guilherme, é uma realidade o que você tão bem relatou. Fui amigo e colega do seu parente,
Celso Petroni(in memoriam) e lembro-me que todos perguntavam se ele era parente do Roque Petroni.
Um abraço.
Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 03/12/2008 João todo ano os ex-alunos do Ginásio Estadual Professora Emília de Paiva Meira, onde iniciei em 1964 e nos formamos e 1967, se encontram para comemorarem e relembrarem aquela época. Este ano o encontro foi agora no dia 29/11 foi ótimo mais de 40 participaram.
Temos um site do Grupo com 53 participantes. Vale a pena um esforço no sentido de reunir o pessoal.

Abraços
Marcos Falcon
Enviado por Marcos Falcon - marcosfalcon@uol.com.br
Publicado em 03/12/2008 São mais de dez milhões de histórias em
S. Paulo. Cada nossa é apenas mais uma...
Enviado por Luiz Simões - saidenberg@ajato.com.br
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