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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades Minha molequice ficou na Cohab I... Autor(a): Rodrigo Alessander Sant Ana - Conheça esse autor
História publicada em 10/05/2008
Relembrar a infância! Ah, como é fácil! Pois foi uma infância esplendorosa!

Impressionante como somente depois de adultos podemos ter a certeza de que tudo aquilo que passou foi inesquecível, além da mesma, mas infeliz certeza, de que aqueles momentos não voltam mais.

Nasci no ano de 1977, na Zona Sul de São Paulo. Morava em São Bernardo e com um ano de idade meus pais se mudaram para o Conjunto Habitacional Padre José de Anchieta. O ano era 1978. Primeiros moradores de um bairro que então surgia, na época meu pai podia escolher o local de moradia no conjunto com facilidade, e optou por um local onde achou ser o melhor. Segundo ele, tinha medo das fortes chuvas de verão, então optou em escolher uma rua de ladeira. A casa ficava bem lá em cima.

Na época, as ruas não tinham nome, apenas números, e por lá, até hoje, trinta anos depois, todos ainda a conhecem como Rua "6", vulgarmente conhecida como Mário Calazans Machado.

Apesar de na época estar com apenas um ano e meio, mais ou menos, posso me lembrar precisamente de detalhes de nossa casa nova, como as paredes de tijolos pintados de branco, o piso paviflex emborrachado da cozinha e da copa, do forro de gesso branco. Os fundos de nossa casa davam num enorme barranco que se encontrava com a vizinha da Rua "5". Por horas cheguei a incomodá-la, vezes por pedrinhas e pedrões, até manilhas de PVC de nossa construção; tudo era arremessado lá! Lembro-me com detalhes dos cabelos negros encaracolados da vizinha da rua de baixo, a me xingar: “seu moleque filho da mãe!”.

As brincadeiras e intrigas com meus irmãos e vizinhos, nossa, como tinha pedra naquele lugar pra atirar! Lembro-me do cheiro das fortes chuvas de verão que batiam na rua, até então não asfaltada, cheiro de lama que escorria com a enxurrada. Parte dela adentrava o quintal de minha casa, formando um redemoinho. Era uma sujeira só! Tinha medo, pois a rua parecia uma cachoeira, com toda aquela água provinda de uma viela que ficava ao lado dos prédios, numa época em que ainda não existia o mercado D'avó.

Quando asfaltaram a rua, as coisas melhoraram bastante. Foi o início de novas brincadeiras: o primeiro velotrol, a bicicleta e os carrinhos de rolimã feitos pelo meu pai. Foi só o começo de uma infância inesquecível! Pular corda, jogar taco, rouba-bandeira, armar a rede de vôlei, esconde-esconde (mas não vale se esconder no Jumbo Eletro, hein!), pega-pega, futebol.

Às noitinhas, ia pra casa pra tomar banho, aos gritos de minha mãe: “Ôôoo Rodrigooo! Vem já pra casa!”. Depois do banho, podia sair mais um pouquinho à noitinha. Ficávamos na calçada - esta era a condição -, e jogávamos bola de gude, rodávamos peão e, quase sempre, com as meninas, o momento mais esperado: brincar de pêra-maçã-salada mista, na época chamado de "É esse?". Podíamos dar nossas primeiras bitocas na boca, com toda aquela inocência, que hoje não existe mais.

O primeiro dia no prézinho, na Osvaldo Vale Cordeiro, aqueles shorts vermelhos apertando as coxas, os coleguinhas chorando, o gosto da primeira merenda, achocolatado de caixinha, pão e banana! Até me lembro de meu primeiro amigo inseparável: Manoel. Nunca mais o vi. As festas juninas eram inesquecíveis; o cheiro delas ainda está no meu nariz, basta fechar os olhos e sentir...

Quem poderia se esquecer das primeiras séries no Amador Arruda Mendes? Só Seu Cláudio, que guardava a escola, e outros tantos personagens famosos de lá, como o Toninho da cantina, com o seu imbatível pão com molho no saquinho - vendia que só! A querida professora Rose, da 4ª série A; que carinhosa, excelente educadora, também nunca mais a vi! Quem me dera. A fanfarra embalava os sábados à tarde daquele povoado. Hoje?

Dos tempos de ginásio e colégio, do bom vôlei na quadra da escola, os primeiros namoricos, dos bailinhos entre as ruas da casinha, nos embalos de "Super Sonic" e "Sally, the Girl"! Dos amassos no estacionamento do Jumbo Eletro, das matinês de domingo na Toco - quantas vezes não voltei a pé, era incrível!

Que bom poder estar aqui, matar a saudade, sonhar com este tempo e com as pessoas maravilhosas que fizeram parte desta infância incrível, a qual não posso proporcionar ao meu filho nos dias de hoje.

Hoje percebo o quanto fui injusto em reclamar que não era feliz. Eu fui, e muito! Saudações e abraços aos meus queridos amigos de outrora, que povoaram o meu ser e me fizeram ser quem sou! Obrigado, Cohab!

e-mail do autor: rodrigo.enfo@gmail.com E-mail: rodrigo.enfo@gmail.com
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Publicado em 20/09/2009 Engraçado, encontrei a pagina pelo acaso, minha filha necessita de uma pesquisa sobre " Você sabe dizer porque sua rua ganhou esse nome?" no google encontro esse texto, confesso que me emocionei, bacana, sensivel e verdadeiro, hoje mesmo com os contra da região, me senti feliz, e revivi por algum momento a minha querida, doce e saudavel infancia ... Enviado por Amanda Lourenço - amanda.lourenco@alcateia.com.br
Publicado em 20/09/2009 Muito bom o texto,Rodrigo ,vc leva jeito para escrever,só achei meio estranho os relatos de sua infância,vc já era da geração do super nintendo não ?Como está seu irmão?É uma pena vcs terem saído daqui,a maioria se encontra por aqui,e lendo seu texto,dá p entender porque é difícil sair daqui(eu sequer tentei...)Saudações pelo texto,valeu! Enviado por pedro alessandro - freitaspedro@hotmail.com
Publicado em 20/09/2009 Muito bom o texto,Rodrigo ,vc leva jeito para escrever,só achei meio estranho os relatos de sua infância,vc já era da geração do super nintendo não ?Como está seu irmão?É uma pena vcs terem saído daqui,a maioria se encontra por aqui,e lendo seu texto,dá p entender porque é difícil sair daqui(eu sequer tentei...)Saudações pelo texto,valeu! Enviado por pedro alessandro - freitaspedro@hotmail.com
Publicado em 11/01/2009 Legal!!
Como vc consegue atualmente??
foi vc em que vez ou copiou??
como escreveu tudo isso!??
Enviado por Jonathan (sobrinho) - rato.file@yahoo.com.br
Publicado em 04/11/2008 Rodrigo, olá jovem. Você só tem 31 anos? E já sente a nostalgia de um passado tão recente?
A melhor infância que um filho pode ter é quanto
tem um pai que participa e pelo jeito seu filho
deve ser um garotinho ainda, dê-lhe a sua presença que ele também terá uma infância inesquecível junto com os amiguinhos.
Um abraço. Asciudeme
Enviado por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 04/11/2008 Achei seu texto maravilhoso, vindo de alguem que realmente teve uma infancia feliz.E eu fico feliz por você. Enviado por Lygia - lymarsouz@live.co.uk
Publicado em 04/11/2008 Rodrigo eu nasci e cresci em Itaquera e acompanhei a criação das
Cohabs. Fico feliz por ver o quanto você valorizou aquele projeto.
Grande abraço
Marcos Falcon
Enviado por Marcos Falcon - marcosfalcon@uol.com.br
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