Leia as Histórias

Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Bairro do Brás Autor(a): Domingos Ricardo Chiappetta - Conheça esse autor
História publicada em 25/09/2008

A origem do nome Braz, hoje Brás. Até fins do século XIX, nas cercanias do gasômetro, atravessada pelo Tamanduateí, situava-se a chácara do ferrão, que os moradores conheciam também por Chácara da Figueira. Pertenceu antes à Marquesa de Santos, que tinha uma enorme figueira secular, considerada a mais velha e mais bonita de São Paulo. Seus galhos enormes caíam sobre os muros de pedra e debruçavam-se na rua que lhe tomou o nome. Em 1905, foi derrubada e só ficou aquele enorme sobrado de quatro águas, isolado com duas linhas de janelas em arco.

Essa chácara da Marquesa de Santos ou do Ferrão serviu para demarcar os limites do Brás, mas existem histórias diversas. Nuto Santana, por exemplo, nega veemente tais versões. A verdadeira origem do nome Braz, segundo ele, está no nome de um português chamado José Braz, que teria residido, em meados dos século XVIII, entre o Gasômetro e o Largo da Concórdia, conforme consta nos anais da Câmara José Braz. Foi quem construiu, em 1803, a Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, hoje, Matriz Bom Jesus do Brás.

Os limites populares do Brás vão além, do velho Mercadão até a Bresser, Rua do Gasômetro até a Radial Leste. Em 1865, foi construída uma porteira para impedir qualquer desastre de trem, a célebre porteira do Braz, que funcionou até o dia 23 de maio de 1967. Em 25 de janeiro de 1968, surgiu o viaduto Nalberto Marino, eliminando, assim, o trânsito que ficava emperrado na Rangel Pestana e Celso Garcia. Surgiu aí o metrô, para dar o golpe mortal, que deu emprego para milhares de nordestinos e eles assumiram os cortiços que um dia foram dos italianos e espanhóis. Golpe mortal em muitas famílias estrangeiras, mais de mil desapropriações.

O Largo da Concórdia, do Teatro Colombo, virou praça de fotógrafos lambe-lambe, daqueles que emprestavam paletó e gravata para tirar fotos 3x4 da carteira de trabalho. Sumiram as lojas tradicionais, como Móveis Paschoal Bianco, Pirani, Gigante do Braz, Eletroradiobras, Século XX, surgindo clínica que fazia dentaduras em seis horas, os hotéis perto da Estação do Braz, ou norte ou Roosevelt.

O metrô fez, a 16 de setembro de 1975, a última (e grande na época) desapropriação, rasgando o coração do Brás. Retornando no tempo, na década de 1920, o Brás procurava fugir do abandono, relegado como bairro próximo ao centro. Os fiéis de San Vito Mártir faziam as procissões para erguer a igreja na Álvares de Azevedo. A porta do bairro era Rua do Gazômetro, hoje só de madeireiras. Naquela época, formavam atoleiro, pois as águas desciam ladeira abaixo no aterro da várzea do Carmo. O bonde saía da Praça do Correio, antigo Largo do Tesouro, e ia até a Penha. A viagem era tão demorada por causa dos problemas nos trilhos que os passageiros costumavam levar lanches para comer durante a viagem.

O Braz tinha movimentos artísticos, como Tito Schipa e Gino Becchi, cinemas como Brás Politeama, antes circo, o Cine Ideal, Babilônia, Oberdan, Glória, o Teatro Colombo, o cinema nos fundos da Confeitaria Guarani, com Dona Victória, o cantor Nino Nello, Chico Alves, João Dias, Vicente Celestino. Carlos Galhardo cantou e gravou “Rapaziada do Braz”, de Alberto Marino, ilustre no bairro. O cantor Vadico.

Pizzarias do Don Carmello, adega do Braz, 1060, Balilla, Avenida Chic, do Luiz. Pizzarias, cantinas, adegas e restaurantes mesclavam a gastronomia. As adegas, quando era permitido, importavam os Chiantis da Itália e engarrafavam no país, como o Barbera, Grignolino, Ruffino, Bertolli, que vinham em barricas.

Deixo aqui este relato, pois outros constam em nossas páginas do São Paulo Minha Cidade. Aos queridos brazenses, um baccio e auguri rapaziada do Braz.

e-mail do autor: domingoschiappetta@ig.com.br

Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 28/12/2012 Olá Chiappetta, é sempre um grande prazer entrar em suas páginas. No passeio pelo bairro, que Você nos oferece, encontramos o Nastri, o Lopomo, o Laruccia e, aí, a coisa se completa. Vocês são capazes de mexer com o sentimento de todos os brazenses, porque conhecem a história do Brás, seus personagens e a importância da imigração italiana em São Paulo. Parabéns a todos. Se o Diaféria estivesse vivo, escreveria uma nova edição de seu livro Brás, Sotaques e Desmemórias, para aproveitar esse precioso material. Enviado por Vicente Portaro - vicenteportaro@gmail.com
Publicado em 27/03/2012 Na minha idade 75 anos nacido e criado no Braz nao posso conter as lagrimas em saber o que fizeram com o nosso adorado bairro, DEUS QUE NAO OS PERDOEM POIS ELES SABEM ESATAMENTE O QUE FAZEM Enviado por nelson rodrigues mano - nelsonmanno68@yahoo.com
Publicado em 31/08/2011 Quem quiser saber mesmo hitórias do Bras, aquelas que vão encher seus olhos de lagrimas deve obrigatóriamente ler o livro de Lourenço Diaféria: "Bras sotaques e desmemórias" ed. 2002. Tá tudo lá, não escapa um detalhe. O autor já falesceu mas a obra é eterna e traz de volta a infancia de todos aqueles que conheceram um outro Bras, não esse deteriorado e despersonalizado que existe hoje. Quem ler vai entender do que estou falando. Enviado por newton - newton_sismotto@hotmail.com
Publicado em 10/06/2011 essa historia e muito legal Enviado por wallace da conceicao santos - wallace_naike@yaroo.com
Publicado em 10/05/2011 boa tarde .
Domingos, tenho jogo de guarto da marcenaria paschoal bianco qdo.era rua rangel pestana,1664/1670 qtos.anos vc. acha que tem. obrigado
Enviado por alexandre - moveisurbamil@terra.com.br
Publicado em 05/12/2010 Caro Domingos,

Muito bela a sua história, só quem viveu no Brás, como eu, pode avaliar e apreciar sua narrativa. Estudei no Liceu Acadêmico São Paulo, o LASP, morei na Rua Maria Marcolina, fiz a primeira comunhão na Igreja Santo Antonio do Pari (que é bairro vizinho do Brás).
Parabéns pelo texto e pela sua iniciativa, realmente trouxe lembranças vivas até hoje.
Enviado por Silvio Marcus Pomanti - smpomanti@yahoo.com.br
Publicado em 30/07/2010 Oi visitem o meu blog sobre são paulo antiga.
http://www.wladirdupont.blogspot.com/
Enviado por wladir - terrabrasilis_mexico@yahoo.com
Publicado em 19/07/2010 Eu nasci no Guarujá, morei na região da Ponte Rasa, em Santo André e de 1971 a 1990 morei no Brás, de 71 a 79 eu residi na Rangel Pestana esquina com a Prof. Batista, prédio onde havia a loja de roupas masculinas José Silva e estudei no Romão Puigari e no 30 de Outubro. Passei a adolescência e a juventude neste bairro e jamais esquecerei os lugares, amigos, namoradas e muitos fatos que ocorreram comigo neste bairro inesquecível. Muitas músicas, me fazem lembrar do meu passado no velho Brás. Enviado por Carlos Rocha - carlos.rocha88@terra.com.br
Publicado em 11/02/2010 adorei mas quero conhecer pessoalmente. Enviado por carlosalbertoborgesfreitas - carlosfreitas40@hotmail.com
Publicado em 13/01/2010 Muitas saudades, nasci no Bras assim como meus pais, tios e avós.Grupo Escolar Romão Puigari, Escola Estadual São Paulo.Os times de vársea; São Vito,Vasquinho, União do Brás, Ápia, Brasileirinho, sem esquecer do Piriquitinho do Bras e seus bailes de sábado, cine Glória, Piratininga, Festa de São Vito era muito esperada com o pau de cebo,os fogos etc. Saudade dos amigos da esquina, Bar do Nenê, Bar do Chico com as porpetas, sempre tinha motivo para levar um samba; e muito mais... Enviado por Wagner Nunes - wagnernunes.wagnho@gmail.com