Leia as Histórias

Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Jardim Maristela Autor(a): Ruy Asano - Conheça esse autor
História publicada em 10/09/2008
À direita da Via Anchieta, km 12, no sentido São Paulo - Santos, tem um bairro operário que se chama Jardim Maristela. Um pouco mais à frente, no km 14, São Paulo faz divisa com São Bernardo do Campo. São Bernardo faz parte do ABC, grande pólo industrial onde estão estabelecidas inúmeras indústrias, tais como: Volkswagem, Ford, Arteb, General Motors, Scania, Mercedes, Villares, Brastemp, Metal Leve. Muitas pessoas que moram no Jardim Maristela trabalham no ABC.

Quando esse bairro foi formado, no início dos anos 70, a maioria das famílias que lá habitava não possuía renda superior a cinco salários mínimos. Muitas dessas pessoas haviam começado a trabalhar, desde a adolescência, como aprendizes numa daquelas indústrias. A maioria possuía apenas instrução elementar, complementada por algum curso profissionalizante do Sesi ou Senai.

Havia também a conceituada Escola Técnica Industrial Lauro Gomes - ETI, onde se ingressava por meio de disputado concurso. Lá, os cursos equivaliam ao atual ensino médio. Nos anos 70, o Brasil experimentava um "boom" de crescimento industrial e, conseqüentemente, a oferta de emprego era satisfatória (não necessariamente os salários e as condições dos trabalhadores). Embora pouco politizados, esse povo tinha sede de justiça social e senso de organização.

Dentro deste contexto, o movimento sindical se fortaleceu. Nas passeatas realizadas na Avenida Marechal Deodoro, partindo da Brastemp, parando na Igreja Matriz e seguindo até o Paço Municipal, ou nos comícios realizados no Estádio de Vila Euclides, Lula sempre se mostrava solidário e comprometido com os anseios da classe operária. Anônimo na multidão, eu me sentia esperançoso ouvindo aquele homem - com o qual muitos se identificavam - nos chamando de "companheiros".

Nos finais de semana, um programa típico daqueles trabalhadores era assistir a uma partida de futebol ou ir pescar na represa Billings, ou, ainda, almoçar em um dos vários restaurantes enfileirados ao longo da avenida que fica atrás da Volkswagem, num local denominado bairro Demarchi. A maioria dos donos daqueles restaurantes era de descendência italiana. Certamente, foi Dona Marisa, também descendente de italianos, que levou pela primeira vez o marido, Luiz Inácio, para provar o famoso frango com polenta servido num daqueles simpáticos restaurantes.

Naquela época, o time de futebol do Santo André ainda dava os primeiros passos na 3ª. divisão, e assim também o fazia o ex-torneiro mecânico da Villares, em sua luta como sindicalista. São Caetano, como time de futebol, ainda não existia. Portanto, por falta de opções locais, Luiz Inácio resolveu que seria corinthiano, mesmo contrariando a palmeirense Marisa. Além do mais, timão rimava com povão (he he he!).

Hoje, o Senhor Presidente mora numa outra divisa: - entre a cruz e a espada. Certa vez, quando se discutia corrupção e nepotismo, ouvi Lula dizendo ao repórter: "Ao contrário de muitos políticos, atualmente não tenho quase nada, apenas um sobrado em São Bernardo, uma chácara e um carro usado”. E acrescentou: “Quando me casei, no início dos anos 70, comprei uma casinha financiada pelo BNH, onde fui morar com minha esposa Marisa, lá no Jardim Maristela”.

e-mail do autor: ruyasano@hotmail.com E-mail: ruyasano@hotmail.com
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 31/12/2011 OUTRO PRESIDENTE COMO LULA,AINDA ESTÁ PARA NASCER...
LULA É O SEMBLANTE DO POVO.
LULA É O NOSSO BRASIL.
JÁ ESTAMOS COM SAUDADES DO NOSSO QUERIDO PRESIDENTE.
Enviado por maristela pisetta - estelamar@hotmail.com
Publicado em 06/04/2010 na vdd eu me chamo danielle + minha mae se chama maristela e a gente vai morar lá to mto feliz por isso alem de o lugar ter o nome da minha mae e ser um otimo bairro pra se morar uma otima localizaçao !ameeiiii!!!!!! Enviado por Maristela - ducadeca@bol.com.br
Publicado em 28/12/2009 é bão saber que o presidente morou no bairro que leva meu nome Enviado por maristela - dididi@gmail.com
Publicado em 20/12/2009 Para uma caipira do interior sua historia e surpreendente! Obrigada por dividir comigo! Enviado por Cleia - cleiaaa@yahoo.com.br
Publicado em 15/03/2009 Gostei bastante da historia deste simpático bairro
aonde ainda hoje tem uma grande classe de trabalhadores que lá residem e aonde o Lula ainda era povão.
A escola Lauro Gomes é bem conceituada até hoje e a represa Billings ah! dá uma saudades porque algumas vezes quando criança fui lá pescar com meu pai e os restaurantes até hoje são ótimos.
Parabéns pelo excelente texto que voce escreveu.Um grande abraço.
Enviado por Solange - solange_lbo@yahoo.com.br
Publicado em 15/09/2008 Asano, gostei bastante de suas recordações e, por mais que seja vilipendiado, devemos reverenciar a tragetória do Lula, mesmo não concordando com sua linha de ação, um operário que chega ao mais alto cargo político do Brasil, é de se "tirar o chapeu". Não sou petista e nunca votei em qualquer político desse partido mas, mérito da-se a quem tem. E o posto não foi usurpado, foi ganho dentro dos ditames rigorosos da democracia. Parabens, Ruy.
laruccia
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 11/09/2008 Naquele tempo a gente pensava que o tal "companhero" fosse realmente um operario. Hoje percebemos o quanto fomos enganados. Aqueles que ficaram desmpregados, e estão até hoje, apanharam pela turma do "companhero" por não ajudar o pseudo lider a quebrar os portões da Wolks. Todo aquele discurso demagogico foi para isso. Viajar pelo mundo afora, usando o nosso dinheiro. Como fomos trouxas! Enviado por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br
Publicado em 11/09/2008 Aí está: o Ovo da Serpente ! Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 10/09/2008 Quando conheci tal pessoa, lá pelos idos dos anos de 1960, ele não tinha dinheiro para comprar um par de "paragata rodas". A ideologia revolucionária era um bom discurso, mas que viu e quem ve atualmente , as coisas "mudaram no muito". Enviado por JCOliveira - tangerynus@gmail.com
« Anterior 1 Próxima »