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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas O Brooklin dos meus amores Autor(a): Johannes W Luyten - Conheça esse autor
História publicada em 22/11/2005
A minha família mudou para o Brooklin (Velho) no início de 1954.

Vi erguer o primeiro prédio do bairro (3 andares) quase esquina da Santo Amaro com a Morumbi. No andar térreo ficava a loja de Sapatos dos irmãos Petrella. Ao lado ficava a Agência do Banco Brasileiro de Descontos S.A. (Bradesco), que anos mais tarde se mudaria para a nova Agencia Colonial esquina da Santo Amaro com a Morumbi, onde funcionavam a Padaria Moriatan, uma marcenaria e a floricultura 3 Pinheiros.

Contavam os mais antigos, que as pessoas que iam de ônibus até o centro da cidade, deixavam na "Moriatan", em dias de chuva, os sapatos sujos de barro e calçavam um par limpo, para trocá-los novamente no retorno.

Os padres do PIME - Italianos, construíram a igreja matriz do Sagrado Coração de Jesus em cima de uma igrejinha que existia no local.

O colégio Meninopolis (obra do Padre Carlos Acquani) era de madeira. Graças também às doações e empenhos dos moradores do bairro se transformou no belo prédio de hoje. Educadores da época: Dona Ida (diretora e disciplinadora), o Zé Vinte (José Winter), Werneck, Padre Teodoro e tantos outros.

Funcionava ao lado do colégio o cine Meninopolis, onde após assistir a missa dominical de manhã e participar da catequese à tarde, dava direito da molecada assistir a matinê com os seus famosos "seriados". No capítulo seguinte o mocinho ou mocinha sempre se salvavam.

Existia a famosa "Turma do Danúbio" que se encontrava regularmente na padaria Danúbio Azul no inicio da Rua Joaquim Nabuco. Se essa turma não fosse convidada nos bailinhos familiares da época, era barulho na certa.

Os bailes carnavalescos no Esporte Clube Banespa (Av. Santo Amaro)e no "clube alemão de Piraquara" Kolping Haus eram famosos e inesquecíveis.

Os primeiros "hamburguers", e "mils shakes" no Dog Burger que funcionava perto da esquina da linha do bonde com a Rua Joaquim Nabuco, quase ao lado da casa onde morava o pai do Nachtergale, amigo do meu irmão.

O colégio BVM onde a gente ia paquerar as meninas na esquina.

A chácara da China onde a gente brincava de mocinho e bandido, onde hoje funciona a fábrica da Kibon.

Os apitos às 06:00 da manhã e às 22:00 da Orquima (Av. Santo Amaro quase em frente das Marcas Famosas). Poucos talvez sabiam que lá se processava a famosa areia monazitica que vinha do Espírito Santo.

O empório Alarcon na antiga Rua das Acácias (hoje Pássaros e Flores), onde tínhamos "conta". O Dudé, Sr. João, Sr. Manolo, Sr. Pedro. O "Zé Boi" que assustava pelo tamanho dos pés, sempre descalço, mas gostava das crianças e empurrava um carrinho nas feiras de Terça e Sexta.

O Brooklin dos mais ricos (parte de cima da Joaquim Nabuco e adjacências), o dos mais pobres na parte baixa que se estendia até o rio Pinheiros. A linha do bonde era o "divisor" das classes. Na hora dos bailinhos todos se misturavam e se divertiam. Meninas traziam bolos e salgados, os rapazes rum, coca cola, Crush e Vodca. Elvis, Paul Anka, Little Richard, Pat Boone, Connie Francis, Harry Belafonte, e outros embalavam o nossos sonhos e tristezas quando levavamos um fora de alguma guria, que se negava a dançar com a gente - levar tábua como se dizia.

Assim era, e hoje mergulhado nas minhas memórias:

Nenhuma tristeza, nenhuma esperança, tudo que devia acontecer está acontecendo . . . . . E-mail: jwluyten@yahoo.com
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Publicado em 27/10/2014

Cristina (crisbarotti@hotmail.com), com muita alegria fiquei sabendo que seu pai fundou o ótimo restaurante Pastasciuta. Foi neste restaurante que eu com o consentimento de seu pai dei varios "pinduras" durante o tempo da faculdade. Ali também pedi a mão da minha esposa Betty. Até hoje guardo estatuetas de bronze (Bacus e Fauno) feitas pelo seu pai. Abraços Johanes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 27/10/2014

Toninho (ANTONIO IZAIAS PARDINI) obrigado pelo seu relato e memórias. Muitos sapatos da nossa familia (éramos 10 pessoas) passaram pelas mãos habilidosas do seu pai, meia sola de couro. Todo dia passava em frente à sapataria sainda daa Acácias indo para o ponto do bonde na Joaquim Nabuco. Um grande abraço. Johannes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Caro José (Zé Bacalhau)

Morávamos na Rua das Acácias 379 onde a Raposo Tavares termina na hoje Passaro e Flores. A nossa casa geminada foi demolida nos anos 70. Minha mãe era costureira também. Abraços Johannes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Tenho um remorso e confissão a fazer,

Nos idos dos anos 60 era comum a gente se reunir com conhecidos e amigos na Padaria Danubio Azul (Rua Joaquim Nabuco), de vez em quando passava na calçada um rapaz que morava aí por perto e que tinha um jeito afeminado. A descriminação e a total falta de amor ao próximo, fazia com que humilhássemos o pobre rapaz, que passava cabisbaixo e com vergonha. Nunca reclamava nem rebatia às ofensas da turma, simplesmente seguia o seu caminho. Daria tudo para o tempo retroagir para que pudesse me desculpar, pedir perdão e dar um abraço nele, convidando para que participasse das nossa rodinhas de amizade, ser respeitado e ouvido. Há fatos marcantes que não se resgatam jamais, nem passíveis de reparação. Não sei o seu nome mas aceite minhas sinceras desculpas. Johannes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Eliana Ferraz Mendes,

O Braz Ortelan, chegamos a estudar juntos, foi da primeira turma a se formar médico na Santa Casa de São Paulo. Tenho uma triste lembrança da Rua Joaquim Nabuco, nos anos 60 o fluxo de transito pela rua era nos 2 sentido. Um menininha foi atropelada por um caminhão bem em frente a Loja Ortelan e um filete de sangue desceu a rua ao lado de uma boneca de pano caida no chão. Isto me marcou muito. O Brooklin dos meus amores . . . mas também da saudade. Abraços Johannes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Ademir Antonio de Resende

Do ponto do bonde, a Noite, a gente vislumbrava de longe a luz do bonde que desapontava no Alto da Boa Vista (sentido Centro) e também de Piraquara (hoje Campo Belo) sentido Santo Amaro. Poucas luzes naquela época, que não chegavam a ofuscar o céu com suas estrelas. Ninguém era solitario e se puxava conversa no ponto. Abraços Johannes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Algum leitor ou (ex) morador do Brooklin - pelos lados da antiga Rua das Acacias - Por onde anda a Heloisa Helena Machado -"Heleninha" minha vizinha e primeiro amor?

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Caro Carlos (N Neto)

Minha esposa Betty (sobrinha do Dr. Gitirana) é também sobrinha do Inaldo (falecido) que foi cunhado do Nuncio (ambos casaram com 2 irmãs). O Brooklin era uma grande familia e um lugar muito especial e amado.

Boa sorte, Johannes

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Caro Mauro,

Que bom encontrá-lo neste forum do Brooklin. Favor corriga se errado, acho que você e seu irmão trabalhavam na loja de materiais de construção São Francisco (Rua Princesa Isabel?) e moravam perto da Berrini. Como estão vocês, mandem noticias. Um abração Johnny

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com
Publicado em 24/10/2014

Caro Tadeu (Camargo Lima),

Lembro bem de você, sua bela irmã e sua mãe. O tempo é impiedoso e separa os vizinhos que são como parentes. Sou casado com a Betty que morava bem de frente a sua casa (a outra esquina) e pai de 3 filhos e avô. Mudei para Santos há um ano. Mande noticias (jwluyten@yahoo.com) Abraço Johnny

Enviado por Johannes W Luyten - jwluyten@yahoo.com