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Categoria - Paisagens e lugares Os extintos Colégios Meninópolis e Pequenópolis Autor(a): João Guilherme Monteiro Petroni - Conheça esse autor
História publicada em 15/06/2008
Embora atualmente resida no Jardim Paulista, nasci e cresci no bairro do Brooklin, onde morei até os 33 anos de idade. Do pré-primário à oitava série, em 1985, estudei no Colégio Meninópolis, localizado na Avenida Morumbi, próximo da Avenida Santo Amaro, administrado, na época, pelos padres italianos da ordem PIME e cujo diretor era o severíssimo padre Theodoro Negri. Um dos últimos colégios só de homens na época, era católico e rígido, não obstante fosse quase impossível conter aquela manada ensandecida de adolescentes e jovens que, quando chegavam aos 13 e 14 anos, ao final das aulas corriam imediatamente em direção aos portões do Colégio Beatíssima, uma quadra dali, em que só mulheres estudavam. Havia também uma pequena rua ao lado do colégio, popularmente chamada de "vilinha", onde os alunos marcavam para resolver, fisicamente, os desentendimentos havidos no decorrer das aulas. Quando algum combate iria ocorrer, a informação corria de forma tão desenfreada que antes de os desafetos chegarem à "vilinha", já havia quase uma centena de espectadores no aguardo. Só faltavam cambistas para vender as entradas. O dono da Cantina do colégio se chamava Bonini, e tinha que gradear as laterais da lanchonete por causa dos sacos d´água que os alunos jogavam. Em frente à portaria do colégio, existia a famosa "Adega do Darlindo", um português gente boa que era xingado injusta e diariamente pelos janelões da escola e em cuja loja a molecada arremessava borrachas e canetas quebradas. Me lembro que um dia, enquanto xingávamos o Darlindo pelos janelões, um amigo meu tomou um tiro, na mão esquerda, de espingarda de chumbinho. Deve ter vindo da adega. Enfim, sempre achei que a falta de mulheres no colégio maximizava o vandalismo masculino.
Findo o ginasial aos 14 anos, implorei para meus pais para mudar para um colégio misto. Dos 6 aos 14 anos no Meninópolis, parecia que havia servido 8 anos de exército. Foi quando eles me transferiram para o Colégio Pequenópolis, na Rua Michigan, no Brooklin Novo, um colégio laico, misto e liberal, administrado pela família Camargo, em que os estudantes tinham voz ativa, a ponto de terem poderes para, juntos, lograrem demitir um professor da escola. Linha absolutamente oposta à do Meninópolis, em que, se um aluno criticasse um professor ao orientador, provavelmente seria suspenso ou convidado a se retirar. Tendências pedagógicas diametralmente opostas, e ambas, a meu ver, equivocadas. Me enturmei de imediato no Pequenópolis, cujos estudantes, em sua maioria, eram residentes do Brooklin. Era um típico colégio de bairro. O ótimo foi que tinha 15 anos de idade e fiz uma enorme turma de amigos, todos praticamente vizinhos. Saía a pé de casa e ia passando na casa de um por um, tocava a campainha, entrava a qualquer hora do dia, passeávamos com os cachorros, íamos ao Açaí Clube, lutávamos Tae Kwon Do ali pertinho, na Academia do Paulo de Tarso, enfim, era uma vida típica do interior, mas em plena Capital. Saíamos à noite, sextas e sábados, a pé, pois nossas festas e aniversários ocorriam, em regra, todas na vizinhança. Lembro-me de que era uma turma de 40 ou 50 pessoas mesmo. Não seria justo que nomeasse as pessoas, sob pena de cometer o pecado de me olvidar de alguém. Mas quem viveu isto comigo, sabe bem do que estou falando. E assim curti o final de minha adolescência, até que entrei na faculdade e cada um tomou um rumo diferente.
Tanto o Colégio Meninópolis quanto o Pequenópolis, duas tradicionais e famosas instituições brooklinenses, infelizmente cerraram suas portas. Hoje, trago pouquíssimos amigos daquela época, mas sempre que encontro alguém desta turma por aí, a nítida impressão, após poucos minutos de conversa, é que, na essência, todos somos os mesmos e que tudo parece que ocorreu ontem, mas em um tempo em que a vida era puro e leve entretenimento.

e-mail do autor: joaopetroni@petroniadvogados.com.br E-mail: joaopetroni@petroniadvogados.com.br
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Publicado em 24/01/2013 ola amigos, estudei neste colégio de 71 a 76 depois fui ao S Bento no centro de SP, foi um período muito bom, lembro da saída ter uma carrocinha que vendia cachorro quente e suco de uva da pacote plastico, depois ia ate a casa da esfiha quase na esquina da sto amaro, comia depois ia a loja tres meninas de brinquedos comprar jogos de botão então pegava o onibus que ia pela j nabuco ate a emboabas aonde eu morava, tentei colocar meus filhos mas o colegio ja estava `` falindo´´. triste , abs Enviado por marco barbosa - mc1mb@bol.com.br
Publicado em 26/05/2012 Estudei no meninopolis na epoca em que as regras não eram tao rigidas e ja estava mesclado meninos e meninas, entre 88 e 90, hoje tenho 30 anos, me recordo do Pe Marcos que rezávamos o pai nosso e cantavamos o hino nacional em fila indiana antes de começar as aulas, hoje sou consultor de imoveis, e depois de muito tempo voltei a frequentar o brooklin com uma lançamento que temos na região, que alias esta muito diferente e otimo de se viver. e o diretor na epoca não me lembro o nome sei que era baixinho,gordinho de bigode. E o que faziamos muito nessa epoca era jogar bola com embalagem de Bliss amassado ou bola de meia e sempre os inspetores cortavam nossa alegria pq nao podia jogar bola no intervalo.

abraços a todos.
Enviado por Spartano - spartano@abyaraimoveis.com.br
Publicado em 09/03/2012 Passei alguns anos da minha vida no saudoso Colégio Meninópolis entre os anos 1966 e 1975, com o Pe Theodoro como Diretor Geral e o Professor Geraldo como Diretor, se não me engano. Meu professor de biologia era o Prof. Moysés, baixinho de óculos e bigode. Meu professor na área de história era o Prof. Marmo, a quem eu tinha uma profunda admiração e anos depois sofreu um enfarte, ainda jovem, e veio a falecer. Meu professor de português era o Prof. Gali ou Galis ou algo parecido.(continua) Enviado por Guilherme Giacopini - guilherme.giacopini@itau-unibanco.com.br
Publicado em 09/03/2012 (continuando...) mas foi com este Prof. de Português que verdadeiramente aprendi o nosso português. Estes sonhos que vivi foram maravilhosos. Aprendi com as aulas de religião a amar a Deus: o Pe (???) desculpe-me, fugiu-me o nome, infelizmente veio a falecer de atropelamento entre o Colégio Meninópolis e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Gostaria imensamente de rever alguns colegas, que jamais consegui re-encontrar: o Polga, o Francisco (o kiko), o Horácio. Já tentei fazer (continua de novo) Enviado por Guilherme Giacopini - guilherme.giacopini@itau-unibanco.com.br
Publicado em 09/03/2012 ...(continuação). Já tentei entrar em contato algumas vezes pois queria estar presente nos encontros com todos do Colégio Meninópolis e o Pe Theodoro. Quem sabe alguém pode me enviar um contato, e então eu poderia participar desta felicidade nestes encontros. Meu nome é Guilherme Giacopini e hoje estou com 53 anos e tenhos 6 filhos. Abrçs a todos ! Enviado por Guilherme Giacopini - guilherme.giacopini@itau-unibanco.com.br
Publicado em 25/02/2012 Passei anos de minha vida no Meninópolis,mais exatamente 1975 a 1986,muitas lembranças,quem não se lembra do Seu Osvaldo passando nos corredores e falando: ÔNIBUS!!!Quando éramos os pequenos do colégio não viamos a hora de um dia estar no último andar na janela e ficar olhando o recreio.Pof. Malavazi,Prof. Cláudio(inglês) e o inesquecível Jose Carlos de Física.Fiquei até o 2ºColegial quando fui convidado a me retirar e acabei indo para o Objetivo da Sto.Amaro.Morei no Brooklin na Guarantã,frequentava as domingueiras do Açai e fiz Tae Kwon Do na academia do Paulo de Tarso.Somente quem vivenciou estes momentos sabem do que falamos com saudades e uma enorme dor no coração com o fechamento desta instituição. Enviado por Alessandro Losano Cozzubo - losano27@hotmail.com
Publicado em 20/02/2012 Pessoal, fiquei muito triste em ler sobre o colégio, onde estudei em 1979/80. Minha mãe estudou no Pequenópolis e minha prima no Beatíssima. Desculpe se alguém já falou, mas vocês se lembram do barulhinho que o padre Teodoro fazia com as chaves, quando andava pelos corredores? Fico arrepiado até hoje. Parece que minhas orelhas ainda dóem quandao lembro dos puxões que levava do padre. Enviado por Luiz Daniel. - luizdanielcunha@ig.com.br
Publicado em 20/02/2012 Continuando as lembranças...
Lembrei também de que quando o Fábio Jr vinha visitar a mãe dele que morava na rua lateral do colégio, corríamos para lá, não para ver o cantor e sim as meninas que se aglomeravam aos montes na rua. Vocês de lembram das orações e dos hinos antes das aulas? Ai se não ficassemos perfilados direito. Gostaria de saber onde estará o Adailton, o Edimundo e outros tantos amigos daquela época.
Enviado por Luiz Daniel. - luizdanielcunha@ig.com.br
Publicado em 02/12/2011 Estudei no Colégio Meninópolis nos anos de 1976 e 1977, 7ª e 8ª série respectivamente. Anteriormente estudava no Instituto Adventista de Ensino - IAE - em Itapecerica da Serra. Sem dúvida meus melhores anos de escola foram no Colégio Meninópolis. Lembro-me perfeitamente de todos os professores: Nelson (Ingles), Geraldo (Geografia), Marmo (História), Professor Cruz (Matemática), Ruy (Literatura e gramática). O diretor era o Padre Theodoro. Na época morava na Rua Bartolomeu Feio, no Brooklyn. Enviado por Paulo Freitas Bittencourt Vieira - zoroastroshow@gmail.com
Publicado em 02/12/2011 Estudei no Colégio Meninópolis nos anos de 1976 e 1977, 7ª e 8ª série respectivamente. Anteriormente estudava no Instituto Adventista de Ensino - IAE - em Itapecerica da Serra. Sem dúvida meus melhores anos de escola foram no Colégio Meninópolis. Lembro-me perfeitamente de todos os professores: Nelson (Ingles), Geraldo (Geografia), Marmo (História), Professor Cruz (Matemática), Ruy (Literatura e gramática). O diretor era o Padre Theodoro. Na época morava na Rua Bartolomeu Feio, no Brooklyn. Enviado por Paulo Freitas Bittencourt Vieira - zoroastroshow@gmail.com