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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Lembranças Autor(a): Realtes Lopes Heredias - Conheça esse autor
História publicada em 27/05/2008
Sou Realtes Lopes Heredias, nascido em 7 de abril de 1940, as 21h30, no cortiço da Rua Assumpçao, 223, no querido bairro do Braz, zona cerealista. Cresci nesta rua, brincando com os meus amiguinhos do cortiço, cujos nomes (de alguns) ainda me lembro, como Dico, Dorival, Nega, e os amigos que moravam em frente, na casa de dona Eugenia, Rubens e Toninho, dois amiguinhos inseparáveis. Brincava-mos no quintal da casa deles, um quintal grande, com algumas árvores, eu gostava de brincar com um automóvel de pedalar, Rubens e Toninho com seus triciclos, passávamos a tarde toda nessas brincadeiras. Quando a brincadeira era na rua, os meninos brincavam de pai da rua, brincadeira de atravessar de um lado para o outro, sem se deixar pegar pelo pai da rua, e as meninas brincavam de roda, na calçada.
Eu fugia de medo quando vinha o caminhão do Matarazzo, caminhão que era chamado de gurru-gugu, devido a sua buzina rouca. Certa vez, passou um desses caminhões em frente ao cortiço e deixou cair uma caixa de sabão, e continuou o seu destino, meu irmão, que tinha uns 3 anos, correu e começou a puxar a caixa para dentro do quintal, foi uma festa com a garotada.
Minha mãe trabalhava na Fábrica Mariângela, perto da linha de trem, e nós pequenos íamos até a fábrica de bolacha, para ganhar retalhos de wafer e bolachas quebradas. Saudades.
Quando maior eu colecionava as figurinhas das Balas Futebol e Pão Duro, a troca era feita na Rua do Gasômetro, onde tinha uma loja grande das Balas Futebol. Na Rua do Gasômetro tinha um canteiro central, que ao domingos virava mercado de caranguejos, que eram vendidos naquele local. Tinha também o Cine Glória, com suas matinês, eu gostava de ir assistir Batman e Robin, O Zorro, Ton Mix e outros que não lembro agora. Em cima do Cine Gloria morava o médico de nossa família, Dr. Rueda, que atendia a qualquer hora em que fosse procurado. Cresci brincando nos jardins do Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro.
Nas brincadeiras nos jardins do Parque Dom Pedro, eu gostava de rolar na grama, pegar os gafanhotos que ali pulavam, recolher os vidrinhos quadrados de fotografias que os lambe-lambes deixavam por lá. Meu irmão mais velho Nino (que deixou-nos há exatamente um mês, no dia 3 de maio completaria 84 anos, dedico a sua memória estas lembranças), me levava de bicicleta pelo parque todo, me pondo em cima da base de uma grande estátua que ali existia, estátua de um homem semeando, e eu ficava admirado com as cabeças de leões que tinha aquele monumento. Escorregar
pelas laterais da escadaria do palácio, que maravilha, brincadeira essa que era de vez em quando despertada pelo apito do trenzinho da companhia de gás, cortando a Rua Santa Rosa, carregado de carvão coque. Chegando à idade pré-escolar, meus pais me deixavam em uma escolinha na Travessa Francisco Lameirão, não era bem uma escolinha, era uma senhora que tomava conta de crianças na pré-escola, para poder deixar os pais livres para o trabalho (espécie de creche de hoje).
Minha primeira escola foi o grupo escolar Romão Puigari, minha sala ficava em um porão, eu tinha muito medo, pois diziam que ali tinha um canto onde ficava uma caveira escondida. Fiquei naquela sala por um ano, no ano seguinte, passei para uma sala na parte de cima, sala que ficava a esquerda de quem entra no saguão. Ficava vendo a avenida pela janela. Lá é que paguei os poucos pecados que eu já tinha, com uma professora, que, graças a Deus, esqueci o seu nome, pois ela era muito brava. Certa vez me deixou de castigo de costas para a classe e me bateu com uma régua de madeira nas pernas, porque eu não soube fazer a tabuada do nove. Quando meu pai foi me buscar, eu estava de castigo na diretoria, chegando em casa, não pude argumentar, meu pai, pegando uma folha de papel de embrulho, cor de rosa, me fez encher aquela folha toda, dos dois lados, com a bendita tabuada do nove, aprendi de cor e salteado, de trás para a frente, de todo o jeito, aprendi, na marra, mas aprendi.

e-mail do autor: realtes@gmail.com E-mail: realtes@gmail.com
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Publicado em 25/05/2009 NASCINO IPIRANGA NO LEÃO TREZE HOJE MORO EM SALVADOR MAIS O QUE MAIS TENHO SAUDADE É QUANDO IAMOS BRINCAR DE BICICLETA NO MUSEU OU MESMO BRINCAR NA RUA,COISA QUE HOJE NÃO SI FAZ MAIS ADOREI LE A SUA HISTORIA SUPER LEGAL,CONTE COM ALEGRIA A SEUS NETOS PORQUE É O QUE VOU FAZER QUANTO EU TIVER OS MEUS Enviado por maria alice almeida andrade - amilis11@hotmail.com
Publicado em 01/06/2008 Realtes,
Voce lembrou da escolinha da Dona Mafalda e da Dona Yolanda, lá na vila n. 8 não é.
Somos quase contemporaneos, com diferença de 8 anos apenas, e o Domingos Chiapetta é 16 anos mais semi-novo que eu, e mesmo assim, tambem fez referencia a Dona Mafalda.
A Travessa Lameirão era o meu canteiro de brincadeiras, e não tenha dúvidas de que partilhamos de todas as suas recordações.
Acredito que voce e o Chiapetta tenham jogado bola com o o Dr. Admar Grecco, da Rua Lucas, que infelizmente faleceu recentemente, desfalcando nosso time Polignanez.
Enviado por roque victor vasto junior - roquevasto@itelefonica.com.br
Publicado em 28/05/2008 HEREDIAS,boa lembrança do ROMÃO PUIGGARI,também estudei,lá aprendi o CIVISMO,toda manhã ou atarde formava-se filas para entrar na sala de aula,cantava-se o HINO BRASILEIRO , OU DA BANDEIRA,quando entrava o diretor ou visitas,todos levantavam-se.A PROFESSORA D. AURELIA ,tinha o procedimento ,talvez seria ela ,que lhe castigou?,o bom era o castigo ,que era dado quando algum aluno ,bagunçando ,tinha que sentar com a sua colega menina no mesmo banco duplo,eta tempo bom.Abraços-DOMINGOS RICARDO Enviado por domingosricardochiappetta - d.chiappetta@ig.com.br
Publicado em 28/05/2008 Realtes, parece que já nos falamos a respeito, em todo caso, vamos por etapas: Nascemos na mesma rua, Assumpção, 223v. em 1940 e eu em 1932, no numero 118; lembro, vagamente do Rubens e Toninho; a brincadeira se chamava MÃE DA RUA, não PAI DA RUA (só se a mãe morreu e o pai tomou conta...), consistia em atravessar a rua com UMA PERNA SÓ, pulando; lembro do caminhâo do Matarazzo; balas Futebol, Grupo Romão Puiggari, cine Glória, no Lameirão v. estudou na escolinha de dna. Mafalda, estudei, também; parqu D. Pedro ll; trenzinho da rua St. Rosa, eu "chocava"; a fábrica de wafers era na rua Fernandes Silva (comprava muito, secos e molhados, lembra?) mas, não era do Matarazzo , la tinha só a Mariangela, onde trabalhou sua mãe e a minha. A estatua do Semeador que hoje está perto do CEAGESP, não tinha cabeça de leão, não! Essa era a dos libaneses que hoje está no início da rua 25 de Março e outra, que tinha um leão, corpo inteiro, no p. D. Pedro ll, onde brinquei muito. A professora ruim que v. não lembra o nome era dna. Guiomar, uma fera... e tinha, o sr. Oscar que, nas horas vagas, tocava violino e dando aulas, arrembentava réguas nas cabeças dos alunos. Não me conformo por que não lembro de você, Realtes e nem do seu nome. A diferença, entre nós é de 8 anos mas, isso não impediu de conhecer garotos da sua idade e mais velhos que eu... Em todo caso, um forte abraço.
modesto
Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br
Publicado em 27/05/2008 Quase todo mundo que conheço do Brás passou pelo Romão Puigari ! Enviado por Luiz S. Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br
Publicado em 27/05/2008 Realtes,assim como vc. aprendeu a nossa querida tabuada dos nove e tinha ainda o "nove vzes fora" vc. se lembra? Bem na escola era assim ou aprendia de um jeito ou de outro,mas com certeza aprendiamos, atualmente os "marmanjos" saem da escola e não sabem nem escrever, num futuro proximo nem imagino como será uma entrevista para um candidato a emprego, acho que a primeira pergunta será vc: Você sabe escrever,sabe fazer conta? e por ai vai... Todos nós temos boas lembranças do Grupo Escolar,Ginasio,Colegial ou Cientifico na epóca,tem umas cavernosas também.
Sua hitória me fez voltar um pouco no Túnel do tempo.
Um abraço viltongiglio@hotmail.com
Enviado por vilton giglio - viltongiglio@hotmail.com
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