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Categoria - Outras histórias Um mineiro chegando a São Paulo Autor(a): Geraldo Guimarães - Conheça esse autor
História publicada em 26/05/2008
Era o ano de l959. Chegávamos de Belo Horizonte, pelo ônibus Cometa, com rodoviária própria na Avenida Ipiranga, esquina com a Avenida São João. Para fazer concurso do Banco do Brasil, no tempo que era importante trabalhar nesse banco, antes da carreira ter sido sucateada pelos últimos Governos, despreocupados com qualidade e valorização do funcionário público estatal, esquecendo-se que o Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista, fundado por Dom João VI, e ainda assim mesmo é o principal banco do País.
A chegada em São Paulo foi maravilhosa, cinemas com guardas civis de espadim na cintura e luvas, na bilheteria distribuição de cartões perfumados, junto à tela um pianista antes dos filmes da Metro, com o seu leão a rugir. Estava iniciando o cinemascope, com filmes de Rock Hudson e Elizabeth Tailor, Kirk Douglas etc.
Na Avenida São João havia os bondes fechados (camarões), que iam da Praça do Correio para a Rua Cardoso de Almeida, Avenida Angélica, Vila Buarque, Avenida Paulista, e havia também os bondes abertos como os de Belo Horizonte.
Passamos a morar em São Paulo, trabalhando no Banco do Brasil, agência Centro, e morando perto da Avenida Angélica, para ficar perto do Banco. Que prédio maravilhoso, ao lado do Banespa, com vários gerentes e em cada andar uma chefia de Seção de Empréstimos, de Cadastro, de Câmbio, da Cacex, do Serviço Médico, do Serviço Jurídico etc., que pujança de Banco do Brasil, hoje desmembrado em agências pequenas por toda capital, com terminais eletrônicos, poucos caixas para atendimento aos clientes, gerentes e funcionários em salão aberto, protegidos apenas por uma porta eletrônica. É a era da informática, que tudo socializa, verticalmente. Os bancos nacionais se restringiram ao Bradesco, Itaú, Unibanco (antigo Moreira Sales), BIC, mesmo assim com participação de capital estrangeiro e os demais estrangeiros, obedecendo ao princípio de que capital não tem fronteiras, e como "ave de arribação" estão sempre a procura de melhores plagas e, agora, como já se esperava há mais de 50 anos, desde o término da última Guerra Mundial de l945, chegou a vez do Brasil se tornar um pais não do futuro, mas do presente, ao lado dos demais da América Latina, que crescerão com políticos de visão mais alta que a de seus próprios interesses pessoais. O desenvolvimento requer grandeza de espírito público, como teve o JK, que cresceu o País 50 anos em 5 de seu Governo.
Voltando a São Paulo, seus bairros, Pacaembu, Jardins Paulista, América, Europa, Alto de Pinheiros, Alto da Lapa, eram maravilhosos pelas suas mansões, hoje trocadas por prédios grandiosos. A Avenida Paulista do Clube Homs e com seu bonde cedeu lugar para os grandes prédios dos bancos, em substituição ao Centro Velho, da Rua Boa Vista, Álvares Penteado. O bairro do Brooklin Novo se esparramou de sobradinhos populares. Hoje a verticalização tomou conta da velha São Paulo da garoa, e os cinemas desapareceram, os ônibus e metrô já não agüentam a cidade. Os colégios de segundo grau se transformaram em universidades. Naquele tempo, era importante o jovem ser formado com curso cientifico, clássico e técnico de contabilidade, mas hoje, todos são doutores. A velha São Paulo maravilhosa cedeu lugar ao presente cheio de esperança.

e-mail do autor: geraldojguimaraes@globo.com E-mail: geraldojguimaraes@globo.com
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Publicado em 28/05/2008 Geraldo, muito simpático o seu texto. Parabéns. Deve ter sido muito bom mesmo aquele tempo. São Paulo, com certeza, era mais poética. Um abraço, Vera Moratta. Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 27/05/2008 Geraldo, saudações.
O político pensa no dia de hoje; o Estadista no futuro. Minas Gerais nos deu o maior que o Brasil já teve. Um abraço.
Enviado por Asciudeme Joubert - asciudeme@ig.com.br
Publicado em 26/05/2008 Caro Geraldo.
Você viveu os bons tempos do Banco do Brasil. Um cunhado meu e depois um irmão também prestaram concurso nessa mesma época e lá ingressaram. Hoje ambos já estão há muito tempo aposentados mas devem tudo o que têm aos longos anos de banco, recebendo bons salários, licenças-prêmio e contribuindo para o fundo de previdência, entre outras "regalias".
Ambos trabalharam na agência central de SP, depois passaram por outras agências. Meu cunhado inclusive rodou o Brasil.
E havia a famosa história da época sobre os mineiros e nordestinos que aqui chegavam e lhes eram oferecidos logo que desembarcavam, bondes e viadutos a um precinho módico. Não se sabe se alguns realmente caíram nesse conto do vigário mas parece que você não foi um deles, felizmente. Vigaristas e otários sempre existiram e sempre existirão.Isso não muda. Mas o Banco do Brasil mudou. Para pior. Tanto para quem lá trabalha como para quem dele precisa. É a maior dificuldade ser atendido por um funcionário de carne e osso. É tudo na base do caixa eletrônico.
Cordiais saudações.
Enviado por Tony Silva - silva.luiz2006@ig.com.br
Publicado em 26/05/2008 nessa época o funcionário do BB ocupava a melhor posição junto a classe, pois que a admissão era difissílima. Enviado por turan bei - turanbei@hotmail.com
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